30 março 2015

A Fonte Bakhchisarai/ Bakhchisaray

Por

A Fonte Bakhchisarai” (lê-se “Bartissarai”) faz parte do iní­cio do gênero que domi­nou o bal­let sovié­tico no período Stalin (1930–1950): o “Choreodrama” ou “Dramballet”.

Ballet em 4 atos, pró­logo, 9 cenas e epí­logo. Coreografado por Rotislav Zakharov, com música de Boris Assafiev e Libretto de Nikolay Volkov. O Ballet estreou em 1934.
Na Criméia, região Ucraniana recém-anexada à Rússia, tem uma cidade cha­mada Bakhchisaray (lê-se Bartissarai), que quer dizer “jardim-palácio”, na lín­gua tártaro-criméia. Nessa cidade está loca­li­zado um palá­cio do século XVI que ser­via de resi­dên­cia para os Khans (Cãs) da Criméia. Nos jar­dins desse palá­cio existe uma fonte cha­mada “Fonte das lágrimas”.

fontesA Fonte das Lágrimas

Ao visi­tar o palá­cio, em 1820, o poeta Aleksandr Pushkin foi ins­pi­rado pela lenda de que a fonte era sím­bolo do luto do Khan Qirim Geray, que enco­men­dou a fonte em 1764, após a morte da sua amada “con­cu­bina” Dilyara. Em 1924, Pushkin publi­cou a his­tó­ria em poema “A Fonte Bakhchisaray”.

Pushkin no palácio Bakhchisaray _irmaos_ChernetsovyPintura dos irmãos Chernetsovy. “Pushikin no Palácio Bakhchisaray”, 1837.

Historia da cri­a­ção do Ballet

O com­po­si­tor Assafiev (1894–1965) e o crí­tico de tea­tro e libre­tista Nikolay Volkov foram impor­tan­tes ideó­lo­gos do gênero “Choreodrama”. Depois do sucesso da pri­meira par­ce­ria dos dois em “Chama de Paris” (1932), o tema esco­lhido foi o poema do grande poeta russo Pushkin. Sergey Radlov, então Diretor Artístico do Teatro Acadêmico de Ópera e Ballet de Leningrado (Kirov/Mariinsky) foi res­pon­sá­vel pela dire­ção do bal­let, e o seu aluno na escola téc­nica de ato­res, Rostislav Zakharov (1907–1984), o coreógrafo.

Uma das prin­ci­pais carac­te­rís­ti­cas e dife­ren­ças no “Choreodrama” é a impor­tân­cia do tra­ba­lho do dire­tor artís­tico, que cuida minu­ci­o­sa­mente do desen­vol­vi­mento da dra­ma­tur­gia, em cada dança, em cada gesto. O rea­lismo. Em geral, a dança só pela dança, com vários núme­ros que não movem o enredo e onde o corpo de baile par­ti­cipa mas­si­va­mente, como os gran­des “Divertissements” comuns nos bal­lets do Séc. 19, neste estilo pra­ti­ca­mente dei­xam de exis­tir. Choreodrama ou Dramballet sig­ni­fica: “dança dra­má­tica”. A lite­ra­tura é a maior fonte desse gênero.

Nossa inten­ção é cons­truir um espe­tá­culo core­o­grá­fico como uma ação de dra­ma­tur­gia, onde cada dança car­rega em si sen­tido e move adi­ante o enredo.” (R.Zakharov)

Vídeo de 1936, com Vera Vassilieva e Petr Gusev.

Libretto:

Personagens:

O nobre Adam – Senhor feu­dal polonês

Maria – a sua filha

Vatslav – noivo de Maria

Girey – Khan da Criméia

Zarema – sua esposa favorita

Nurali – chefe dos guer­rei­ros tártaros

Prólogo

Isolado no palá­cio de Bakhchisaray, o Khan Geray (Girey) está cur­vado diante da fonte de már­more, cons­truída em memó­ria da “triste Maria”.

Ato 1:

Em um antigo cas­telo comemora-se o ani­ver­sá­rio de Maria, filha de um senhor feu­dal polo­nês cha­mado Adam.

A nobre Maria deixa os con­vi­da­dos e vai se encon­trar com o seu noivo Vatslav.

Da escu­ri­dão surge o espião da legião ini­miga do Khan Girey. Ele mal teve tempo de se escon­der nas plan­tas den­sas do par­que, como guar­das polo­ne­ses que o per­se­guem entram correndo.

Enquanto isso a festa con­ti­nua. Sob os sons de uma Polonaise de gala, os con­vi­da­dos aden­tram o par­que. A diver­são ter­mina com a entrada do chefe dos guar­das, que está ferido e avisa sobre a incur­são tár­tara. O nobre Adam con­vida os homens a pega­rem suas armas. As mulhe­res se escon­dem no cas­telo. Expondo as espa­das, os polo­ne­ses se pre­pa­ram para se defen­de­rem do ata­que dos inimigos.

Os tár­ta­ros ateiam fogo ao cas­telo e matam os defen­so­res do cas­telo. Sobrevivendo mila­gro­sa­mente, Maria e Vatslav cor­rem atra­vés das cha­mas do incên­dio e do caos da bata­lha san­grenta, mas o cami­nho deles é blo­que­ado pelo líder da inva­são – o Khan da Criméia Girey. Vatslav corre na dire­ção de Girey, mas cai no mesmo momento, atin­gido pelo punhal do Khan. O Khan arranca o xale de Maria e fica imó­vel, sur­pre­en­dido pela sua beleza.

Yana Selina (Maria) e Ernest Latypov (Vatslav)

Ato II

Harém do Khan Girey no palá­cio Bakhchisaray. Dentre mui­tas con­cu­bi­nas, está a esposa pre­di­leta de Girey, Zarema.

Ressoam os trom­pe­tes de guerra. O Harém se pre­para para recep­ci­o­nar o seu senhor.

Os tár­ta­ros retor­nam com rique­zas con­quis­ta­das e car­re­gam cui­da­do­sa­mente Maria.

Pensativo, Girey entra no Harém. Zarema tenta entre­ter o Khan sem sucesso, ele nem a percebe.

Mas no rosto de Girey a feli­ci­dade está expressa, e Zarema vê como uma ama guia a nova “cap­tura” pelo salão, a nobre polo­nesa. Zarema entende que per­deu o amor de Girey.

Em vão as con­cu­bi­nas ten­tam ani­mar o seu Senhor, Zarema tenta em vão con­se­guir o amor dele de volta. Colocando Zarema de lado, o Khan sai. Zarema fica em desespero.

Dança com os sinos de mão: Sofia Skoblikova-Ivanova. Zarema: Sofia Gumerova. Segunda Esposa de Girey: Yulia Kobzar.

Ato III

Um luxu­oso quarto. Protegida por uma velha ser­vi­çal, a bela pri­si­o­neira do Khan definha-se. Uma lira é a única recor­da­ção que Maria tem da vida ante­rior, da liber­dade e feli­ci­dade que se foi. Surge um mar de lem­bran­ças da terra natal e de Vatslav.

A che­gada de Girey inter­rompe a ima­gi­na­ção de Maria. Ele pede para a moça rece­ber o seu humilde amor e toda a riqueza que a ele per­tence. Mas Maria ape­nas sente medo e repulsa por Girey, que matou o seu amado, paren­tes e ami­gos. Ele sai de forma humilde.

De madru­gada, Zarema entra no quarto da nobre. Zarema faz for­tes con­fis­sões à Maria e exige que a nobre afaste de si Girey.

Maria não com­pre­ende a fala tem­pe­ra­men­tal de Zarema, que a assusta.

Zarema per­cebe o soli­déu de Girey, que ele esque­ceu ao visi­tar Maria. O que sig­ni­fica que Girey esteve lá.

Tomada pelo ciúme, Zarema corre para Maria com um punhal. Girey corre, mas é tarde, Zarema mata Maria.

Diálogo Zarema e Maria, assas­si­nato de Maria.

Galina Ulanova (Maria) e Zarema (Maya Plisetskaya)

Ato IV

Pátio do palá­cio do Khan Girey. Todos se cur­vam diante do Khan em um ser­vi­lismo silen­ci­oso. Nada ale­gra e pre­o­cupa o Khan: nem o retorno dos tár­ta­ros após uma nova incur­são, nem lin­das moças recém capturadas.

Zarema é levada para o local da exe­cu­ção. Ao comando de Girey, ela é jogada no abismo.

O chefe dos guer­rei­ros de Girey, Nurali, tenta dis­trair o seu Senhor e afastá-lo de pen­sa­men­tos som­brios. Mas a dança dos guer­rei­ros não traz o esquecimento.

Momento da exe­cu­ção de Zarema e dança dos guer­rei­ros tártaros:

Epílogo

Girey está na “Fonte das Lágrimas”.

Um car­re­tel de lem­bran­ças res­sus­cita repe­ti­da­mente a ima­gem da bela Maria.

Video de 1953: “Estrelas do Ballet Russo”

Com Galina Ulanova (Maria) Maya Plisetskaya (Zarema), Petr Gusev (Girey), Iuri Jdanov (Vatslav) e Igor Belski (Nurali)

Fontes: Cyclowiki, Wikipedia, site do tea­tro Mariinski, Enciclopédia do Ballet.

Ana Silvério é formada em "Coreografia, Metodologia e Pedagogia da Dança" na cidade de São Petersburgo, Rússia. Tradutora do livro de A.I.Vaganova "Fundamentos da Dança Clássica". É coreógrafa, professora, bailarina e pesquisadora da ciência da dança. Mantém a página Ana Silva e Silvério
19 março 2015

“Artist Challenge” e a viralização da dança nas redes sociais

Por

Quem está conec­tado ao Facebook e tem mui­tos ami­gos bai­la­ri­nos, com cer­teza teve a sua time­line pre­en­chida por mui­tas fotos de dança nas últi­mas semanas.

Trata-se do “Artist Challenge”, um movi­mento que sur­giu nessa rede social e fun­ci­ona como uma espé­cie de desa­fio onde o usuá­rio é per­su­a­dido a pos­tar uma ima­gem por dia dos seus tra­ba­lhos na dança durante cinco dias e, a cada dia, con­vi­dar mais dois artis­tas para par­ti­ci­pa­rem também.

O movi­mento ganhou uma enorme acei­ta­ção e cres­ceu em pro­por­ção geo­mé­trica. Confesso que pro­cu­rei saber como e de onde ele sur­giu exa­ta­mente, mas não con­se­gui uma res­posta defi­ni­tiva. Mas o que importa é que tem sido bem inte­res­sante acom­pa­nhar a his­tó­ria da car­reira dos artis­tas atra­vés des­sas fotos e de suas legendas.

Além de pro­mo­ver o artista em si, esse desa­fio pro­move a dança como um todo, já que esse tipo de rede social pos­sui milha­res de usuá­rios e pode atin­gir pes­soas que não têm con­tato com esse tipo de arte e que podem pas­sar a ter inte­resse e a gostar.

A vira­li­za­ção da dança nas redes soci­ais já é um fato. Milhares de fotos de bai­la­ri­nos são pos­ta­das por dia no Instagram, por exem­plo. Basta expe­ri­men­tar colo­car a Hashtag #Ballet na fer­ra­menta de busca que você vai poder visu­a­li­zar isto.

The Ballerina Project

Um dos movi­men­tos pio­nei­ros neste sen­tido foi o Ballerina Project, pro­jeto cri­ado pelo fotó­grafo Dane Shitagi, que regis­tra ima­gens de bai­la­ri­nas norte-americanas em luga­res urba­nos, fora do espaço tra­di­ci­o­nal do palco. Atualmente, este pro­jeto tem uma das mai­o­res redes do mundo de segui­do­res de pági­nas rela­ci­o­na­das ao Ballet, no Facebook e no Instagram. Depois, sur­giu tam­bém no Brasil o Só Bailarinos, que posta fotos de bai­la­ri­nos naci­o­nais e tam­bém de várias parte do mundo e que tem uma grande reper­cus­são online de curtidas.

Nao precisa de legenda (2)

Bom, a dança caiu na rede e está se movi­men­tando a todo vapor. Eu fui con­vi­dada por vários ami­gos para o “Artist Challenge” e cum­pri meu desa­fio, pos­tando uma foto minha de bai­la­rina quando come­cei a dan­çar em cri­ança. Desafio então todos vocês, lei­to­res, a faze­rem o mesmo! Topam?

Nao precisa de legenda

Eu sou total­mente a favor desta vira­li­za­ção da dança. Afinal, tem vírus mais bené­fico que este???

Liana Vasconcelos é bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e pela Royal Academy of Dance. É também produtora cultural formada pela Universidade Federal Fluminense.
9 março 2015

Ballet Jovem Palacio das Artes

Por

A semana pas­sada foi muito “deses­pe­ra­dora” para o pre­sente e o futuro da dança Brasileira.

A Escola do Teatro Guaíra per­deu a sua sede e, um dia depois, a Fundação Clóvis Salgado, res­pon­sá­vel pelo Palácio das Artes de Belo Horizonte, anun­ciou o fim do Ballet Jovem do Palácio das Artes.

da3

Eu, colu­nista do Blog Loja Ana Botafogo, me sinto triste com tais notí­cias e resolvi ade­rir a cam­pa­nha #fica­Bal­let­Jo­vem­Pa­la­ci­o­da­sAr­tes, e con­vido a todos para fazer parte dessa luta!

Assine a peti­ção e poste fotos com a hash­tag #fica­Bal­let­Jo­vem­Pa­la­ci­o­da­sAr­tes em suas pági­nas e na página do Ballet Jovem Palácio das Artes! Muito obri­gada.

Muito obri­gada!

Ana Silvério é formada em "Coreografia, Metodologia e Pedagogia da Dança" na cidade de São Petersburgo, Rússia. Tradutora do livro de A.I.Vaganova "Fundamentos da Dança Clássica". É coreógrafa, professora, bailarina e pesquisadora da ciência da dança. Mantém a página Ana Silva e Silvério
2 março 2015

O que alimenta o sonho, literalmente.

Por
Foto por: KCBalletMedia

O ensino do balé tem o quê, uns 600 anos? Por aí.

Uma arte que se sofis­tica, e demanda cada vez mais desem­pe­nho físico, exige que o bai­la­rino seja, antes de mais nada, um atleta de alta per­for­mance, eu penso.

Faria sen­tido con­ti­nuar acre­di­tando que só cri­an­ças têm alguma chance de con­se­guir resul­ta­dos, até por­que a quan­ti­dade de ener­gia que você pre­cisa mobi­li­zar para fazer os movi­men­tos vai mesmo dimi­nuindo, com o pas­sar dos anos.

A não ser que inven­tas­sem alguma coisa que aumen­tasse a capa­ci­dade do corpo, sem vio­len­tar o que parece ser a evo­lu­ção natu­ral do ser humano.

Pois é, essa coisa existe e se chama suple­men­tos. Não tinha ideia disso e con­fesso que sofri muito até conhe­cer o Paulo Gusmão, momento que marca o antes e o depois das minhas tentativas.

Primeiro, sofria com a falta de resis­tên­cia. Sentia um can­saço insu­por­tá­vel, incon­tor­ná­vel, ina­pe­lá­vel. Sem falar no fato de que qual­quer gripe que eu pegava (o que estava ficando cada vez mais fre­quente) levava umas 3 sema­nas para passar.

Nutrólogo, nunca tinha ido a um. Nem sabia que a dife­rença entre nutri­ci­o­nista e nutró­logo é que o segundo é médico. Fato é que só come­cei com o Paulo Gusmão em julho de 2013, quase um ano e meio depois de ter deci­dido, no janeiro de 2012, a me tor­nar bai­la­rina, aos 50 anos.

E uma das coi­sas mais fan­tás­ti­cas que o autor do livro “Saúde, o maior dos pra­ze­res” intro­du­ziu na minha vida, depois da von­tade de comer bonito, foi a Glutamina.

Imagina uma pes­soa com um his­tó­rico de aler­gia res­pi­ra­tó­ria desde a infân­cia e tudo o que decorre de se dor­mir mal, por conta de um nariz per­ma­nen­te­mente entu­pido. Agora, ima­gina uma pes­soa que res­pira mal e dorme mal fazendo, aos 50 anos, esfor­ços que aos 20 ela já nem cogitaria.

Deixo para o Google as expli­ca­ções sobre o que é esse ami­noá­cido cha­mado glu­ta­mina, por­que ele é tão vital tam­bém para os mús­cu­los, como atua no aumento da imu­ni­dade, etc. e tal.

O que posso dizer é que pas­sei a ter epi­só­dios cada vez mais raros de aler­gia, com isso pas­sei a dor­mir melhor e a estar mais des­can­sada para os trei­nos, no dia seguinte. E as gri­pes? Pois é, as gri­pes tornaram-se cada vez mais raras e bre­ves. Escrevo em feve­reiro de 2015. Desde julho de 2013, tal­vez tenha tido umas duas gri­pes, e passageiras.

O Paulo Gusmão cuida de mui­tos bai­la­ri­nos do Municipal. A esposa dele foi bai­la­rina. Ele conhece a rotina. Mas não é só disso que se trata. Ele tem um olhar para o con­texto humano, emo­ci­o­nal. É um médico de grande per­cep­ção, grande sen­si­bi­li­dade. Ele sabe o que sig­ni­fica mexer nos hábi­tos ali­men­ta­res de um indivíduo.

Estou aqui escre­vendo sobre a expe­ri­ên­cia com ele e sinto que pode­ria ver­ter rios de pala­vras, tal a riqueza dessa vivên­cia. Mas se pre­ciso resu­mir, para não te can­sar, digo o seguinte: não sabia que exis­tiam os tais suple­men­tos e o que eles são capa­zes – se bem cali­bra­dos – de fazer por uma pes­soa e seus sonhos.

Acho que, antes da era dos Endurox da vida, seria difí­cil mesmo pen­sar em alguém, na meia-idade, fazendo esfor­ços como tenho que fazer dia­ri­a­mente. Possivelmente, essa é uma das tan­tas razões pelas quais não tivés­se­mos pes­soas ten­tando se tor­nar bai­la­ri­nas, ou atle­tas de qual­quer estilo, depois de muito adultas.

Hoje é dife­rente. Mas, cui­dado, não reco­mendo que se tente os suple­men­tos por conta pró­pria. E por um motivo muito sim­ples: os suple­men­tos podem engor­dar. Além do que, não se iluda, nada subs­ti­tui uma ali­men­ta­ção bonita e o esforço ini­cial que pre­cisa ser feito para se ree­du­car na refi­nada arte de comer. E sobre isso vou escre­ver mais, em breve.

Chris fotos 2012 2014 comparativas

Ah, e se, além de ter mais saúde, eu ema­greci? Vou dei­xar que as fotos deste post res­pon­dam. Uma mos­tra a Chris de 2012. E a outra a de 2014. Como decor­rên­cia do balé, o corpo foi ficando mais deli­ne­ado, tudo bem. Mas o balé só teria sido pos­sí­vel com a ali­men­ta­ção certa.

Repito, nada subs­ti­tui aquela sen­sa­ção de har­mo­nia que você tem quando usa o ali­mento certo. E a segu­rança que esse bem-estar pro­duz entrou na minha vida pela porta do con­sul­tó­rio do Paulo Gusmão. E pela deter­mi­na­ção de usar todos os avan­ços que a huma­ni­dade já fez para ten­tar rea­li­zar o que mui­tos ainda con­si­de­ram impos­sí­vel: ser, sim, uma bai­la­rina. Aos 50 anos.

Se qui­ser con­ti­nuar a con­versa, dê um pulo na minha página no Facebook.

Um beijo!

Como jornalista, Christine White trabalhou em grandes veículos de comunicação, no Brasil e nos Estados Unidos, até decidir, aos 50 anos, realizar um sonho antigo: tornar-se uma bailarina. E de técnica refinada. Aqui, ela relata o dia-a-dia da transformação que tem vivido desde janeiro de 2012. E com o mesmo apetite pela informação que marcou sua vivência como repórter, ora numa CNN, ora numa Rádio Jornal do Brasil; Christine encontra agora novos caminhos para seu aprendizado "tardio" do ballet, e divide conosco seus achados.
23 fevereiro 2015

A importância do uniforme

Por

Se você ainda se per­gunta sobre a neces­si­dade de fazer as aulas de bal­let uni­for­mi­zada, segue aqui uma breve expli­ca­ção dos motivos.

É impor­tante para a rea­li­za­ção dos movi­men­tos em aula e em ensaios, que você esteja ves­tido ade­qua­da­mente. Suas rou­pas não podem atra­pa­lhar a exe­cu­ção dos exer­cí­cios e tam­bém deve ser fácil para seu pro­fes­sor te enxer­gar, para poder cor­ri­gir sua pos­tura e suas linhas.

Fica difí­cil para um pro­fes­sor visu­a­li­zar suas cos­tas, bra­ços, joe­lhos se esti­ver ves­tindo rou­pas ina­de­qua­das, lar­gas e até escu­ras (no caso de meias, por exemplo).

04_1-2 GR I Pointe Killian

Por isso, mesmo que sua aca­de­mia ou escola não exija um uni­forme com­pleto, sugere-se que vá às aulas com col­lant, meia calça clara (de pre­fe­rên­cia rosa, rosa chá ou cor da pele), sapa­ti­lhas. Você até pode usar um shorts ou uma saia curta, vai depen­der muito do seu pro­fes­sor e do nível das suas aulas.

Na época de frio, pode usar meias de lã, polai­nas, cal­ças mais jus­tas, blu­sas jus­tas, peque­nas, segunda-pele, para fazer o aque­ci­mento. Lembrando que nenhum des­ses itens podem te incomodar.

Guarde seus outros aces­só­rios para ir ao bal­let. Sabemos que você deve ado­rar cami­se­tas de bal­let, aga­sa­lhos, cal­ças lar­gas, maca­cões, mas o melhor é usar essas rou­pas para você ir até a aula e demons­trar sua pai­xão pela dança no dia a dia.

Aproveite e dê uma olhada na linda sele­ção de rou­pas da loja online da Ana Botafogo. É de que­rer tudo!

Beijo e até breve!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
19 fevereiro 2015

Corpo a Corpo

Por

Sobre Inspiração, Tradição e Transmissão do Ballet Clássico

Esse é o meu pri­meiro texto como colu­nista aqui do Blog da Loja Ana Botafogo.

Milhares de temas vie­ram à minha cabeça para essa pri­meira escrita. Mas pen­sei então na Ana Botafogo, e lem­brei o quanto ela sem­pre foi uma ins­pi­ra­ção para mim, desde os meus pri­mei­ros pas­sos. Um exem­plo de bai­la­rina, mas acima de tudo um exem­plo de artista. Sua dis­ci­plina, pro­fis­si­o­na­lismo, entrega, humil­dade e carisma influ­en­ci­a­ram a mim e a toda uma gera­ção. E é desta forma que fun­ci­ona: os gran­des artis­tas ins­pi­ram os jovens apren­di­zes e assim a tra­di­ção da arte é man­tida e alimentada.

Ana Botafogo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Ana Botafogo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Pronto…tema já esco­lhido para minha pri­meira pro­du­ção aqui no Blog: Inspiração, Tradição, e Transmissão no Ballet Clássico.

Vamos lá!

O Ballet Clássico é por exce­lên­cia a arte da tra­di­ção. Assim como os poe­mas épicos de Homero, foi sendo trans­mi­tido de pes­soa a pes­soa ao longo dos últi­mos qua­tro sécu­los. Bailarinos são obri­ga­dos a apren­der e domi­nar os pas­sos, vari­a­ções core­o­grá­fi­cas, ritu­ais de cena e prá­ti­cas per­ti­nen­tes à car­reira. Todos estes podem se alte­rar ou mudar com o tempo, entre­tanto, o pro­cesso de apren­di­za­gem e trans­mis­são con­ti­nua pro­fun­da­mente con­ser­va­dor, como defende Jennifer Homans:

Quando uma bai­la­rina mais velha mos­tra um passo ou uma vari­a­ção a uma jovem bai­la­rina, a ética da pro­fis­são manda uma estrita obe­di­ên­cia e res­peito: ambas as par­tes acre­di­tam que, com razão, uma forma de conhe­ci­mento supe­rior está sendo pas­sada entre elas […]. Os ensi­na­men­tos do mes­tre são reve­ren­ci­a­dos por sua beleza e lógica, mas tam­bém por­que eles são a única liga­ção que o bai­la­rino mais jovem tem com o pas­sado […]. Essas rela­ções, os laços entre mes­tre e aluno, que inter­li­gam os sécu­los e dão ao Ballet a sua base no pas­sado. (HOMANS, 2010)”

Transmissao Mestre- Aprendiz

Transmissao Mestre– Aprendiz

Essa rela­ção pro­funda e res­pei­tosa entre mes­tre e apren­diz é o grande pilar da téc­nica clás­sica, que fez com que a mesma se sus­ten­tasse até os dias atu­ais. Além disso, esta téc­nica foi cons­truída sobre inú­me­ras regras de eti­queta, base­ada nas con­ven­ções da corte e nos códi­gos de civi­li­dade, hie­rar­quia e polidez.

Quando os bai­la­ri­nos sabem uma core­o­gra­fia, além da apre­en­são inte­lec­tual, eles a sabem com seus mús­cu­los e ossos. Portanto, as gran­des obras do Ballet Clássico, como “O Lagos dos Cisnes”, “La Bayadère” e “Quebra-Nozes” do coreó­grafo fran­cês Marius Petipa, não são pos­sí­veis de serem total­mente gra­va­das em docu­men­tos his­tó­ri­cos, mas sim incor­po­ra­das nos bai­la­ri­nos que já as viven­ci­a­ram. Sobre isso, Duarte Jr. acres­centa: “o saber reside na carne, no orga­nismo em sua tota­li­dade, numa união de corpo e mente […] saber implica em sabo­rear ele­men­tos do mundo e incorporá-los a nós (ou seja, trazê-los ao corpo, para que dele pas­sem a fazer parte).”.

Tamara Karsavina ensaia Margot Fonteyn

Tamara Karsavina ensaia Margot Fonteyn

Corpo a Corpo. Experimentando “na pele”, quase como um patrimô­nio cul­tu­ral ima­te­rial, com­por­tando valo­res das tra­di­ções e cos­tu­mes her­da­dos de dife­ren­tes gru­pos. Heranças, que mui­tas vezes não são toca­das, mas sen­ti­das com o cora­ção. Dessa forma que as gran­des obras da his­tó­ria do Ballet Clássico, os cha­ma­dos Ballets de reper­tó­rio, foram sendo trans­mi­ti­dos ao longo dos anos.

Mas será que nada se perde nes­sas trans­mis­sões de gera­ção a gera­ção? Não ocor­rem mudan­ças ao longo do tempo? É real­mente pos­sí­vel remon­tar hoje uma obra cri­ada, por exem­plo, há mais de um século, man­tendo inte­gral­mente a sua originalidade?

Essa refle­xão sobre a ori­gi­na­li­dade de uma obra de reper­tó­rio requer uma série de abor­da­gens. Primeiramente, ao longo dos anos, a téc­nica do Ballet Clássico foi evo­luindo. O avanço nos estu­dos da qua­li­dade ciné­tica dos movi­men­tos e da ana­to­mia foi agre­gando novas pos­si­bi­li­da­des téc­ni­cas e vir­tu­o­sas aos exe­cu­tan­tes. O corpo dos bai­la­ri­nos tam­bém mudou este­ti­ca­mente. Conforme Denise Siqueira:

Se a cul­tura recebe dife­ren­tes influên­cias, se há um novo con­texto, novas tec­no­lo­gias e téc­ni­cas, o corpo que dança– e que está inse­rido nessa cul­tura– se tor­nou um corpo dife­rente tam­bém. O tra­ba­lho mus­cu­lar, o trei­na­mento, as pró­te­ses, o sili­cone, a ali­men­ta­ção, as cirur­gias plás­ti­cas, os hábi­tos e cos­tu­mes pro­mo­vem modi­fi­ca­ções apa­ren­tes no corpo. O corpo de um dan­ça­rino ou bai­la­rino do iní­cio do século XXI é dife­rente de outro dos anos de 1950 ou ainda dife­rente de um ter­ceiro do século XIX. (SIQUEIRA, 2006)”

Também a per­cep­ção do público foi se alte­rando con­forme o momento his­tó­rico e na época da cri­a­ção des­ses gran­des Ballets, em sua mai­o­ria no século XIX, não exis­tia meios de regis­tros efi­ci­en­tes para que hoje pudés­se­mos ter ideia do que real­mente foram essas ver­sões ori­gi­nais. O que sem­pre se ten­tou pre­ser­var foi além do enredo, a iden­ti­dade da obra como um todo, a sua essên­cia poé­tica e o que ela repre­sen­tava para o momento his­tó­rico em que foi concebida.

Ballet Serenade- de George Balanchine

Ballet Serenade– de George Balanchine

Sobre as obras core­o­grá­fi­cas mais recen­tes, a par­tir do século XX, algu­mas ini­ci­a­ti­vas foram toma­das para uma melhor pre­ser­va­ção como, por exem­plo, a cri­a­ção do The George Balanchine Trust, orga­ni­za­ção res­pon­sá­vel pelos direi­tos auto­rais das obras do grande coreó­grafo russo radi­cado nos Estados Unidos, George Balanchine. Sobre isso, Jennifer Homans expõe:

Neste espí­rito, tem havido um esforço impres­si­o­nante para revi­ver ou docu­men­tar obras per­di­das, espe­ci­al­mente as de George Balanchine. Suas obras mais conhe­ci­das estão agora pro­te­gi­das e con­tro­la­das por uma orga­ni­za­ção de con­fi­ança esta­be­le­cida após a sua morte […]. Se uma com­pa­nhia de dança deseja mon­tar um de seus bal­lets, devem submeter-se à orga­ni­za­ção, que des­pa­cha repe­ti­teurs — bai­la­ri­nos que tra­ba­lha­ram com o coreó­grafo dire­ta­mente — para remon­tar a obra core­o­grá­fica. (HOMANS, 2010)”

Outras orga­ni­za­ções de mesmo estilo foram tam­bém cri­a­das para cui­dar dos direi­tos auto­rais e da pre­ser­va­ção dos tra­ba­lhos de coreó­gra­fos como Jerome Robbins, Antony Tudor e Frederick Ashton. Mas como defende Beatriz Cerbino, em seu artigo “Dança e Memória: usos que o pre­sente faz do pas­sado”, mesmo que exista uma única fonte ou orga­ni­za­ção para a remon­ta­gem des­sas obras, é neces­sá­rio per­ce­ber que ainda assim um grande número de variá­veis está pre­sente nesse pro­cesso, alte­rando manei­ras de repre­sen­ta­ção e per­cep­ção. Cada remon­ta­gem está rela­ci­o­nada ao espaço-tempo em que foram pro­du­zi­das e, por isso mesmo, nem menos e nem mais originais.

A tra­di­ção vive ao longo da expe­ri­ên­cia dos seus usuá­rios, rece­bendo nova vida e pers­pec­ti­vas fres­cas ao longo do tempo. Um espe­tá­culo nunca é igual ao outro den­tro de uma tem­po­rada de dois meses de uma com­pa­nhia de dança, que dirá de um século para o outro. Isso é uma carac­te­rís­tica nata do Ballet Clássico. Suas obras de reper­tó­rio vivem em um cons­tante pro­cesso entre a efe­me­ri­dade e a per­ma­nên­cia. A cada apre­sen­ta­ção efê­mera, que acon­tece ali na cena e se eva­pora no ar, algo per­ma­nece. E é pas­sado adi­ante. Algo intra­du­zí­vel em palavras.

É esse “algo” que faz o Ballet Clássico per­ma­ne­cer clás­sico, man­tendo vivas as obras de seu reper­tó­rio. Esse algo que só é pas­sí­vel de trans­mis­são atra­vés do corpo a corpo.

Como disse Martha Graham: “O corpo diz o que as pala­vras não podem dizer”.

Liana Vasconcelos e Ana Botafogo- Ballet La Bayadere- Temporada 2014- Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Liana Vasconcelos e Ana Botafogo– Ballet La Bayadere– Temporada 2014– Theatro Municipal do Rio de Janeiro

E para fina­li­zar, a minha eterna e tra­di­ci­o­nal reve­rên­cia à Ana Botafogo, por ser esse nosso grande exem­plo e ins­pi­ra­ção de bai­la­rina, den­tro e fora de cena!

Liana Vasconcelos é bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e pela Royal Academy of Dance. É também produtora cultural formada pela Universidade Federal Fluminense.
9 fevereiro 2015

Exames da Royal Academy of Dance

Por

Além da rea­li­za­ção de sonhos, os exa­mes da RAD pro­por­ci­o­nam ao estu­dante de dança o mais reco­nhe­cido sis­tema de pro­fis­si­o­na­li­za­ção do mundo.

Crianças e adul­tos se come­çam nesse momento a inten­si­fi­car a pre­pa­ra­ção para os exa­mes da Royal Academy of Dance, que acon­te­cem no pri­meiro semes­tre desse ano.

IMAGEM 1

Quais são os níveis?

Para cri­an­ças peque­nas, a par­tir dos 2 anos e meio, a RAD desen­vol­veu recen­te­mente o “Dance to Your Own Tune” (Dance no seu pró­prio tempo, conhe­ci­dos aqui como Pré escola) – porém não se trata de um exame, mas de uma aula de apre­sen­ta­ção. As dife­ren­ças bási­cas: não há notas, o pro­fes­sor con­duz a aula e pais podem assis­tir.
A par­tir dos 5 anos de idade, a RAD ofe­rece os níveis Primary e Pre-primary, esses já ava­li­a­dos. Os exa­mes são lúdi­cos e con­vi­dam as cri­an­ças a dan­ça­rem com con­fi­ança, tra­ba­lhando não só habi­li­da­des usa­das na dança, mas em todo pro­cesso de desen­vol­vi­mento das crianças.

IMAGEM 2

Os exa­mes de Grades (graus ou está­gios) vão do 1 ao 8. Para os Grades 1 a 5, a idade mínima é de 7 anos. Porém, mui­tos bai­la­ri­nos adul­tos come­ça­ram nes­ses Grades, que dão uma base incrí­vel para o desen­vol­vi­mento na dança.

11 anos é a idade mínima para os Grades 6 a 8, que já deman­dam certa matu­ri­dade e con­fi­ança. Os High Grades, como são conhe­ci­dos, são inten­sos e deli­ci­o­sos. O bai­la­rino, seja cri­ança ou adulto, verá cres­ci­mento de sua téc­nica e expres­si­vi­dade artís­tica ao rea­li­zar esses exames.

Não coin­ci­den­te­mente, os exa­mes de inter­me­diá­rios e avan­ça­dos come­çam tam­bém aos 11 anos. Anteriormente, esses exa­mes eram dedi­ca­dos àque­les que segui­riam suas car­rei­ras como bai­la­ri­nos e não pro­fes­so­res, hoje essa dis­tin­ção não existe mais e todos os alu­nos são enco­ra­ja­dos a pres­tar esses exames.

Inicialmente, há o Intermediate Foundation (11 anos, no mínimo) e o Intermediate (12). Após esses exa­mes, o AdvancedFoundation (13) e os Advanceds 1 e 2 (14 e 15, respectivamente).

15 tam­bém é a idade mínima per­mi­tida para o Solo Seal Award (Selo Solista), exame de grau máximo da RAD, onde bai­la­ri­nas de alto nível téc­nico apre­sen­tam core­o­gra­fias clás­si­cas e neo-clássicas em um tea­tro, com acom­pa­nha­mento de piano ao vivo.

IMAGEM 3

Qual nível devo prestar?

A única pes­soa que pode auxi­liar nesse pro­cesso é seu pro­fes­sor, que irá veri­fi­car seu nível téc­nico e artís­tico e assim nive­lar de maneira coerente.

Vale lem­brar, nova­mente, que adul­tos pres­tam sim os Grades ini­ci­ais, caso o pro­fes­sor assim deter­mine – assim como as cri­an­ças podem ser nive­la­das, lem­brando sem­pre a idade mínima para rea­li­za­ção dos exames.

Há pré-requisitos?

Sim, para alguns exames.

Para o Advanced Foundation eAd­van­ced, o can­di­dato deve ter sido apro­vado no Intermediate – para Advanced 2, no Advanced.

Para o Solo Seal Award, o can­di­dato deve ter pres­tado o Advanced 2 e sido apro­vado com 75% dos pon­tos, no mínimo.

IMAGEM 4

Como fun­ci­o­nam as notas e certificados?

Cada nível tem uma espe­ci­fi­ca­ção para pon­tu­a­ção. Essa espe­ci­fi­ca­ção está dis­po­ní­vel no site da RAD, para que não haja nenhum tipo de dúvida no que é espe­rado do can­di­dato.
Na mai­o­ria dos cer­ti­fi­ca­dos, o aluno pode rece­ber 3 notas: Pass (40% a 54% da nota total), Merit (55% a 74%) e Distinction (75% a 100%).

O can­di­dato apro­vado recebe um (lindo) cer­ti­fi­cado, uma tabela com as notas espe­ci­fi­ca­das e uma meda­lha com o nível.

A expe­ri­ên­cia de rea­li­zar um exame inter­na­ci­o­nal muda a forma como o bai­la­rino encara a dança, melho­rando não só sua téc­nica mas sua arte.

IMAGEM 5

E você, já fez ou está fazendo os exa­mes da RAD? Conte para nós!

Beijos e arrasem!

Créditos das ima­gens: site ofi­cial da RAD – www.rad.uk

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
2 fevereiro 2015

Autoconfiança, a gente não vê por aí...

Por

Fiz uma aula, dia des­ses, com­ple­ta­mente diferente.

Além da minha Sauer Danças de todos os dias, tenho fre­quen­tado tam­bém a minha vizi­nha Petite Danse, na Tijuca.
E des­co­berto coi­sas incríveis.

A força da ener­gia da dança imanta o pré­dio da escola e pene­tra as salas e os movi­men­tos. Não sei se todo mundo per­cebe, mas vale a pena o exer­cí­cio de sen­tir isso o que chamo de psi­cos­fera da escola.

É como se tudo o que você ten­tar, ali, estará favo­re­cido por essa vibra­ção. A alma da dança tam­bém habita, plena, o número 463 da rua Uruguai.

Imantada por essa sen­sa­ção, fui me apro­xi­mando da sala onde ten­ta­ria fazer a aula da Maria Vakhrusheva, uma pro­fes­sora russa que fala bem o por­tu­guês e tem uma espé­cie de doçura que não cos­tu­ma­mos asso­ciar ao valente povo de lá.

Entro numa sala repleta de jovens. Muitos com cerca de 18 anos, uma ou outra com cerca de 30, mas com 53 anos, com cer­teza, ape­nas eu e o meu sonho de me tor­nar bai­la­rina, mesmo tendo come­çado aos 50.

Olho para a imen­si­dão da sala e penso: nada a pro­var, por­tanto, nada a temer. Procuro a pro­fes­sora, me apre­sento, explico que o meu nível está aquém do nível da turma, mas que gos­ta­ria de ten­tar, mesmo assim. Ela me diz: faz o que você puder.

Mas o aval da exí­mia ex-bailarina do bal­let de Kirov não era só do que eu pre­ci­sava para con­se­guir fazer a aula. Eu pre­ci­sava era de mim. Precisava de cora­gem para enfren­tar a expe­ri­ên­cia. Assim foi e foi assim.

Me aqueço de olhos fecha­dos, no chão, vou fazendo con­tato com o meu corpo e com a minha alma. Vou lem­brando da minha essên­cia e do quanto a vida pode ser curta, ainda mais se des­per­di­çada. Levanto deter­mi­nada e pro­curo um lugar na barra.

Quase não ouvia a pro­fes­sora. Eu estava meio longe. Quase não enxer­gava. Estava sem óculos. Troquei de barra umas três vezes, depois de come­çado o exer­cí­cio, ten­tando me achar. Terminei con­se­guindo ficar entre uma menina e um menino.

Aliás, fazer aula com mui­tos rapa­zes é exce­lente. Quanto vigor! E gen­ti­leza, viu?! Gosto muito dos movi­men­tos mas­cu­li­nos no bal­let. Quero ter a expe­ri­ên­cia de fazer uma aula estri­ta­mente mas­cu­lina, se hou­ver alguma no Rio. Acho que para eles tam­bém é tão difí­cil estar ali, que uma vez lá, dão o melhor de si. Talvez tenha­mos tam­bém essa afi­ni­dade, a supe­ra­ção de mui­tos preconceitos.

Coragem, não saia de casa sem ela!

olhar

Eu me sinto como a con­di­ção de quem se acha fora de con­di­ção. Quando a pes­soa, que está ali no canto, se sen­tindo meio fora do peso ou fora da téc­nica me vê entrar numa dia­go­nal com tanta von­tade, ela ter­mina se per­mi­tindo tam­bém. E vai. E se arrisca. Vi isso algu­mas vezes e fiquei feliz. Sou a con­di­ção dos sem-condição, me sinto na obri­ga­ção de mos­trar, não como se faz, mas como se tenta.

E, que­ri­dos, digo aqui, con­fi­ança é algo que a gente cul­tiva no ser. Não existe aula que dê conta disso. Você pode até estar tec­ni­ca­mente bem, mas nunca vai achar que pode, se não se permitir.

E a vida vai pas­sando. E a fila da dia­go­nal vai andando. E você não apro­vei­tou a chance de errar para apren­der. Coragem é um tipo de humil­dade. E de fra­ter­ni­dade tam­bém. Que a alma da dança nos per­meie, enquanto bus­ca­mos meios de nos permitir.

Beijo.

Como jornalista, Christine White trabalhou em grandes veículos de comunicação, no Brasil e nos Estados Unidos, até decidir, aos 50 anos, realizar um sonho antigo: tornar-se uma bailarina. E de técnica refinada. Aqui, ela relata o dia-a-dia da transformação que tem vivido desde janeiro de 2012. E com o mesmo apetite pela informação que marcou sua vivência como repórter, ora numa CNN, ora numa Rádio Jornal do Brasil; Christine encontra agora novos caminhos para seu aprendizado "tardio" do ballet, e divide conosco seus achados.
26 janeiro 2015

Série grandes nomes - BERTHA ROSANOVA

Por

PARA SEMPRE INESQUECÍVEL

Apesar da ori­gem polo­nesa, do bio­tipo dife­rente e de nunca ter sido muito magra, como a mai­o­ria das bai­la­ri­nas, Bertha Rosanova hip­no­ti­zava o público e dei­xava todos abso­lu­ta­mente des­lum­bra­dos diante do seu enorme talento, de sua forma espe­cial de dan­çar e da carga emo­ci­o­nal que nor­mal­mente tra­zia para o palco junto com seus per­so­na­gens. Como sem­pre bus­cou desen­vol­ver o lado tea­tral de cada papel, em cena, era uma intér­prete que dan­çava e dan­çava lin­da­mente. Inesquecível em todos os sen­ti­dos con­quis­tou o título de prima-ballerina asso­luta, o maior de todos na hie­rar­quia do bal­let e con­ti­nua — até hoje — sendo a única pro­fis­si­o­nal de dança a recebê-lo.

bertha foto 10

Pronta para viver Odete e Odile em “O lago dos cisnes”

Misturando emo­ção e amor ao bal­let, Bertha Rosanova é um nome que será sem­pre lem­brado e reve­ren­ci­ado por mui­tas gera­ções de artis­tas. Para o bai­la­rino Marcelo Misailidis “era a ver­da­deira una­ni­mi­dade entre todos que tive­ram o pri­vi­lé­gio de vê-la dan­çar e a sorte de imor­ta­li­zar um momento que jamais se apa­gará de todos aque­les que, como cole­gas de tra­ba­lho ou público afor­tu­nado, sem­pre comen­tam: um mag­ne­tismo único.” “É uma grande honra ter tido em minha vida pro­fis­si­o­nal o cari­nho, a con­fi­ança e o apoio incon­di­ci­o­nal de Bertha Rosanova”. Ela foi uma das pes­soas que mais con­tri­buiu para meu sucesso pes­soal e pro­fis­si­o­nal”, decla­rou a bai­la­rina Teresa Augusta.

Apesar de ter cons­truído uma car­reira vito­ri­osa, nem sem­pre ela viveu uma rotina de gló­rias fora do palco. Os pais — Eugênia e Jacob Rozenblat – vie­ram para o Brasil fugindo do nazismo. Filha única, Bertha nas­ceu em São Paulo, no dia 31 de agosto de 1930. A famí­lia logo veio para o Rio de Janeiro e um quarto de pen­são na Praça Onze foi o lugar esco­lhido para a futura resi­dên­cia dos Rozenblat.

bertha foto 5

 Em cena, inter­pre­tando a céle­bre Carmem

Mas o dinheiro não dava para nada. As difi­cul­da­des, entre­tanto, ainda que quase intrans­po­ní­veis, nunca tira­ram daquela menina a capa­ci­dade de sonhar. E de sonhar alto, ape­sar do ensino defi­ci­ente da escola pública da época (onde ela já cir­cu­lava dan­çando pelos cor­re­do­res), das sapa­ti­lhas duras e da impos­si­bi­li­dade de com­prar rou­pas novas para as apresentações.

A forma intensa de dan­çar e a expres­si­vi­dade que demons­trava ao com­por cada per­so­na­gem con­quis­ta­ram tanto o público, quanto nomes impor­tan­tes da dança fun­da­men­tais em sua car­reira, como Maria Olenewa, fun­da­dora da Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde, aos sete anos de idade, Bertha ini­ciou seus estu­dos. Mais tarde, a escola cri­a­ria o corpo de baile do Theatro, do qual ela tam­bém fez parte, com doze anos. Olenewa sem­pre acre­di­tou no poten­cial de Bertha e foi sua grande incen­ti­va­dora, alte­rando inclu­sive o sobre­nome da bai­la­rina que pas­sou de Rosemblat para Rosanova Em 1945, o Theatro Municipal pas­sou a viver uma nova fase. Dirigidos pelo russo Igor Schwezoff, conhe­cido por ser extre­ma­mente exi­gente e cui­da­doso, os bai­la­ri­nos pude­ram ver o reper­tó­rio ganhar em diver­si­dade, novos gran­des valo­res e um cres­ci­mento notá­vel. Foi tam­bém quando o talento de Bertha Rosanova bri­lhou em Sílfides, Primeiro Baile, Clair de Lune, Luta Eterna, A Papoula Vermelha, sendo nome­ada solista e, pouco depois, primeira-bailarina, com ape­nas 15 anos.

bertha foto 9

Romeu e Julieta, momen­tos de muita emoção.

Na década de 50 (já casada) mudou-se para o bairro cari­oca de Laranjeiras, onde sem­pre morou. No pri­meiro e ter­ceiro andar, fun­dou a escola de dança, Studio de Ballet Bertha Rosanova. Com a car­reira sem­pre pon­tu­ada por gran­des inter­pre­ta­ções (Dom Quixote, O Quebra-Nozes, O Galo de Ouro, Romeu e Julieta, Bodas de Aurora, Capricho Espanhol, Giselle) suas diver­sas apre­sen­ta­ções só faziam aumen­tar o número de seus admi­ra­do­res. Ao longo de todos os anos, Bertha cons­truiu uma vida pro­fis­si­o­nal sólida, o que lhe ren­deu o con­vite para par­ti­ci­par da pri­meira mon­ta­gem com­pleta do bal­let O Lago dos Cisnes na América Latina em1959, sob o comando de Eugenia Feodorova. No espe­tá­culo, inter­pre­tou Odette e Odile, ao lado de David Dupré e encan­tou o público com a forma que uti­li­zou para des­ta­car as dife­ren­ças entre os dois cis­nes. Neste mesmo ano, dan­çou ao lado de nomes impor­tan­tes como Igor Schwezoff. Mas foi Aldo Lotufo, o part­ner que esteve mais pre­sente na mai­o­ria dos espetáculos.

bertha foto 7

 Leveza e sua­vi­dade sem­pre foram as suas gran­des marcas

Filha única de Bertha, Ava Rosemblat – tam­bém bai­la­rina, pro­fes­sora de bal­let e dire­tora do Estudio Bertha Rosanova — faz ques­tão de lem­brar “Ela sem­pre foi uma estrela. Por onde pas­sava as pes­soas a reve­ren­ci­a­vam. Mas em casa era total­mente dife­rente. Uma pes­soa muito sim­ples, uma mãe muito pre­sente. Ia me bus­car na escola, fazia os tra­ba­lhos esco­la­res comigo. Certa vez, como parte de uma tarefa esco­lar, cada mãe deve­ria rea­li­zar uma ati­vi­dade que sou­besse e apresentá-la. Imagine só. A pri­meira bai­la­rina do Theatro Municipal! Ela sim­ples­mente pegou suas sapa­ti­lhas, colo­cou uma roupa e dan­çou. A escola inteira ficou em êxtase e diziam: “Nossa”! Bertha Rosanova vai dan­çar aqui?” Mas para ela não era a Bertha Rosanova, era ape­nas a mãe da Ava.”

berta foto 6

 Bertha e a filha Ava Rozemblat no espe­tá­culo de final de ano do Studio Bertha Rosanova

Sempre estu­dei — con­ti­nua Ava — com ela e desde os 16 anos tra­ba­lho na escola, dando aulas ou mon­tando espe­tá­cu­los. Pretendo con­ti­nuar o pro­jeto ini­ci­ado pelo Estúdio. Mamãe sem­pre foi muito tran­quila comigo e com as outras alu­nas. Soube como nin­guém mos­trar que o bal­let não pre­cisa estar asso­ci­ado ao sofri­mento, e sim ao pra­zer, prin­ci­pal­mente. Como pro­fes­sora man­ti­nha com todos uma rela­ção de ami­zade e res­peito. Ensinava tudo o que tinha que ser ensi­nado: a téc­nica per­feita, a maneira certa de dan­çar, mas sem ultra­pas­sar os limi­tes do aluno e sem desrespeitá-lo. Na nossa escola, pre­ser­va­mos a todo custo essa rela­ção fami­liar. Outra fator impor­tante que nunca podia ser esque­cido era a neces­si­dade de cada bai­la­rino bus­car a sua forma de dan­çar, de se expres­sar. Existem os movi­men­tos da téc­nica certa. Um braço tem que ser aqui, o outro tem que estar do outro lado. Mas como esse braço vai ser colo­cado aqui, como esse movi­mento vai acon­te­cer é que tem que vir com a emo­ção do aluno. Este sim pre­cisa bus­car a ver­dade do seu pró­prio movi­mento para expres­sar deter­mi­nada emo­ção. A carga emo­ci­o­nal e a força artís­tica é um dos mui­tos legado que Bertha Rosanova vai dei­xar no para o bal­let no Brasil.”

No dia 10 de outu­bro de 2008, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro viveu momen­tos emo­ci­o­nan­tes ao home­na­gear Bertha. Com uma apre­sen­ta­ção de sapa­te­ado, Steven Harper abriu os tra­ba­lhos, seguido pelo samba de Carlinhos de Jesus. “Ela é uma figura impor­tante para todos nós, bai­la­ri­nos, por tudo que nos dei­xou. A minha par­ti­ci­pa­ção aqui vem repre­sen­tar as gran­des mani­fes­ta­ções que pro­ta­go­ni­zou na tele­vi­são, popu­la­ri­zando a arte da dança”. A home­na­gem pros­se­guiu com a apre­sen­ta­ção do Ballet da Cidade de Niterói, na suíte Choro de Pixinguinha. O Corpo de Baile do Theatro Municipal apre­sen­tou Suíte de Dom Quixote, Trio de Chamas de Paris e Valsa das Flores; a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, Mozart. “Para Bertha o impor­tante estava longe de ser o estilo. Ela amava a dança”, era o comen­tá­rio mais repe­tido durante toda a noite.

bertha 11

A grande bai­la­rina em mais uma de suas ines­que­cí­veis interpretações

Em 13 de outu­bro de 2008, três dias depois da home­na­gem que não pode assis­tir por já estar muito doente, Bertha Rosanova mor­reu. Tinha 78 anos e estava inter­nada há dias em uma clí­nica da Zonal Sul para tra­ta­mento de um cân­cer nos brôn­quios e nos pulmões.

Fotos gen­til­mente cedi­das por Ava Rosemblat (Acervo Particular)
Pesquisa: Revista Arte em Dança, outu­bro de 2008.

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
21 janeiro 2015

Disciplina Bailarinística

Por

Algumas suges­tões bási­cas para ser um bai­la­rino (a) exem­plar nas aulas:

3-royal-ballet-school_sunday-times-magazine

1) Não se atrase
Pois caso isso acon­teça per­de­mos uma parte muito impor­tante da aula: o aquecimento.

2) Procure entrar na sala de aula sem­pre antes do pro­fes­sor
Quando ele che­gar esteja pronto e aquecido.

3) Não suba nem se pen­dure na barra
A barra é feita para nos auxi­liar em alguns exercícios.

9

4) Não grite, nem corra na sala de aula
Lá não é o local ideal para brin­ca­dei­ras, den­tro da sala deve­mos estar sem­pre con­cen­tra­dos e dando o nosso melhor.

5) Não con­verse durante a aula
Além de atra­pa­lhar, enquanto você con­versa você pode estar per­dendo alguma expli­ca­ção muito impor­tante do pro­fes­sor. Preste aten­ção nas cor­re­ções fei­tas em seus cole­gas, você poderá estar come­tendo o mesmo erro.

6) Não sente durante a aula
Isso pode ser inter­pre­tado como falta de inte­resse. Só pode­mos nos sen­tar com a auto­ri­za­ção do pro­fes­sor, não é edu­cado escu­tar as expli­ca­ções sen­tado, uma bai­la­rina exem­plar escuta as expli­ca­ções e tenta colocá-las em prática.

7) Não mas­ti­gue chi­cle­tes nem balas durante as aulas
Isto atra­pa­lha nossa con­cen­tra­ção e é peri­goso nos exer­cí­cios de salto.

11 sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele

8) Respeite sem­pre seu colega de sala
Uma bai­la­rina exem­plar é sem­pre muito edu­cada e dis­creta. Evite crí­ti­cas aos cole­gas, dis­cus­sões e risa­das fora de hora.

9) Não desista de nenhum exer­cí­cio ou core­o­gra­fia, todos nós somos capa­zes!
Tente sem­pre ir além do que você con­se­guiu na aula anterior.

10) Procure não fal­tar nas aulas, venha sem­pre uni­for­mi­zado e as meni­nas com coque 
Isso com cer­teza vai fazer de você um aluno exemplar!!!

Espero que essas dicas aju­dem o seu ano a ser ainda mais incrí­vel na dança. Vamos lá!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
← Posts anteriores