26 janeiro 2015

Série grandes nomes - BERTHA ROSANOVA

Por

PARA SEMPRE INESQUECÍVEL

Apesar da ori­gem polo­nesa, do bio­tipo dife­rente e de nunca ter sido muito magra, como a mai­o­ria das bai­la­ri­nas, Bertha Rosanova hip­no­ti­zava o público e dei­xava todos abso­lu­ta­mente des­lum­bra­dos diante do seu enorme talento, de sua forma espe­cial de dan­çar e da carga emo­ci­o­nal que nor­mal­mente tra­zia para o palco junto com seus per­so­na­gens. Como sem­pre bus­cou desen­vol­ver o lado tea­tral de cada papel, em cena, era uma intér­prete que dan­çava e dan­çava lin­da­mente. Inesquecível em todos os sen­ti­dos con­quis­tou o título de prima-ballerina asso­luta, o maior de todos na hie­rar­quia do bal­let e con­ti­nua — até hoje — sendo a única pro­fis­si­o­nal de dança a recebê-lo.

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Pronta para viver Odete e Odile em “O lago dos cisnes”

Misturando emo­ção e amor ao bal­let, Bertha Rosanova é um nome que será sem­pre lem­brado e reve­ren­ci­ado por mui­tas gera­ções de artis­tas. Para o bai­la­rino Marcelo Misailidis “era a ver­da­deira una­ni­mi­dade entre todos que tive­ram o pri­vi­lé­gio de vê-la dan­çar e a sorte de imor­ta­li­zar um momento que jamais se apa­gará de todos aque­les que, como cole­gas de tra­ba­lho ou público afor­tu­nado, sem­pre comen­tam: um mag­ne­tismo único.” “É uma grande honra ter tido em minha vida pro­fis­si­o­nal o cari­nho, a con­fi­ança e o apoio incon­di­ci­o­nal de Bertha Rosanova”. Ela foi uma das pes­soas que mais con­tri­buiu para meu sucesso pes­soal e pro­fis­si­o­nal”, decla­rou a bai­la­rina Teresa Augusta.

Apesar de ter cons­truído uma car­reira vito­ri­osa, nem sem­pre ela viveu uma rotina de gló­rias fora do palco. Os pais — Eugênia e Jacob Rozenblat – vie­ram para o Brasil fugindo do nazismo. Filha única, Bertha nas­ceu em São Paulo, no dia 31 de agosto de 1930. A famí­lia logo veio para o Rio de Janeiro e um quarto de pen­são na Praça Onze foi o lugar esco­lhido para a futura resi­dên­cia dos Rozenblat.

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 Em cena, inter­pre­tando a céle­bre Carmem

Mas o dinheiro não dava para nada. As difi­cul­da­des, entre­tanto, ainda que quase intrans­po­ní­veis, nunca tira­ram daquela menina a capa­ci­dade de sonhar. E de sonhar alto, ape­sar do ensino defi­ci­ente da escola pública da época (onde ela já cir­cu­lava dan­çando pelos cor­re­do­res), das sapa­ti­lhas duras e da impos­si­bi­li­dade de com­prar rou­pas novas para as apresentações.

A forma intensa de dan­çar e a expres­si­vi­dade que demons­trava ao com­por cada per­so­na­gem con­quis­ta­ram tanto o público, quanto nomes impor­tan­tes da dança fun­da­men­tais em sua car­reira, como Maria Olenewa, fun­da­dora da Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde, aos sete anos de idade, Bertha ini­ciou seus estu­dos. Mais tarde, a escola cri­a­ria o corpo de baile do Theatro, do qual ela tam­bém fez parte, com doze anos. Olenewa sem­pre acre­di­tou no poten­cial de Bertha e foi sua grande incen­ti­va­dora, alte­rando inclu­sive o sobre­nome da bai­la­rina que pas­sou de Rosemblat para Rosanova Em 1945, o Theatro Municipal pas­sou a viver uma nova fase. Dirigidos pelo russo Igor Schwezoff, conhe­cido por ser extre­ma­mente exi­gente e cui­da­doso, os bai­la­ri­nos pude­ram ver o reper­tó­rio ganhar em diver­si­dade, novos gran­des valo­res e um cres­ci­mento notá­vel. Foi tam­bém quando o talento de Bertha Rosanova bri­lhou em Sílfides, Primeiro Baile, Clair de Lune, Luta Eterna, A Papoula Vermelha, sendo nome­ada solista e, pouco depois, primeira-bailarina, com ape­nas 15 anos.

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Romeu e Julieta, momen­tos de muita emoção.

Na década de 50 (já casada) mudou-se para o bairro cari­oca de Laranjeiras, onde sem­pre morou. No pri­meiro e ter­ceiro andar, fun­dou a escola de dança, Studio de Ballet Bertha Rosanova. Com a car­reira sem­pre pon­tu­ada por gran­des inter­pre­ta­ções (Dom Quixote, O Quebra-Nozes, O Galo de Ouro, Romeu e Julieta, Bodas de Aurora, Capricho Espanhol, Giselle) suas diver­sas apre­sen­ta­ções só faziam aumen­tar o número de seus admi­ra­do­res. Ao longo de todos os anos, Bertha cons­truiu uma vida pro­fis­si­o­nal sólida, o que lhe ren­deu o con­vite para par­ti­ci­par da pri­meira mon­ta­gem com­pleta do bal­let O Lago dos Cisnes na América Latina em1959, sob o comando de Eugenia Feodorova. No espe­tá­culo, inter­pre­tou Odette e Odile, ao lado de David Dupré e encan­tou o público com a forma que uti­li­zou para des­ta­car as dife­ren­ças entre os dois cis­nes. Neste mesmo ano, dan­çou ao lado de nomes impor­tan­tes como Igor Schwezoff. Mas foi Aldo Lotufo, o part­ner que esteve mais pre­sente na mai­o­ria dos espetáculos.

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 Leveza e sua­vi­dade sem­pre foram as suas gran­des marcas

Filha única de Bertha, Ava Rosemblat – tam­bém bai­la­rina, pro­fes­sora de bal­let e dire­tora do Estudio Bertha Rosanova — faz ques­tão de lem­brar “Ela sem­pre foi uma estrela. Por onde pas­sava as pes­soas a reve­ren­ci­a­vam. Mas em casa era total­mente dife­rente. Uma pes­soa muito sim­ples, uma mãe muito pre­sente. Ia me bus­car na escola, fazia os tra­ba­lhos esco­la­res comigo. Certa vez, como parte de uma tarefa esco­lar, cada mãe deve­ria rea­li­zar uma ati­vi­dade que sou­besse e apresentá-la. Imagine só. A pri­meira bai­la­rina do Theatro Municipal! Ela sim­ples­mente pegou suas sapa­ti­lhas, colo­cou uma roupa e dan­çou. A escola inteira ficou em êxtase e diziam: “Nossa”! Bertha Rosanova vai dan­çar aqui?” Mas para ela não era a Bertha Rosanova, era ape­nas a mãe da Ava.”

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 Bertha e a filha Ava Rozemblat no espe­tá­culo de final de ano do Studio Bertha Rosanova

Sempre estu­dei — con­ti­nua Ava — com ela e desde os 16 anos tra­ba­lho na escola, dando aulas ou mon­tando espe­tá­cu­los. Pretendo con­ti­nuar o pro­jeto ini­ci­ado pelo Estúdio. Mamãe sem­pre foi muito tran­quila comigo e com as outras alu­nas. Soube como nin­guém mos­trar que o bal­let não pre­cisa estar asso­ci­ado ao sofri­mento, e sim ao pra­zer, prin­ci­pal­mente. Como pro­fes­sora man­ti­nha com todos uma rela­ção de ami­zade e res­peito. Ensinava tudo o que tinha que ser ensi­nado: a téc­nica per­feita, a maneira certa de dan­çar, mas sem ultra­pas­sar os limi­tes do aluno e sem desrespeitá-lo. Na nossa escola, pre­ser­va­mos a todo custo essa rela­ção fami­liar. Outra fator impor­tante que nunca podia ser esque­cido era a neces­si­dade de cada bai­la­rino bus­car a sua forma de dan­çar, de se expres­sar. Existem os movi­men­tos da téc­nica certa. Um braço tem que ser aqui, o outro tem que estar do outro lado. Mas como esse braço vai ser colo­cado aqui, como esse movi­mento vai acon­te­cer é que tem que vir com a emo­ção do aluno. Este sim pre­cisa bus­car a ver­dade do seu pró­prio movi­mento para expres­sar deter­mi­nada emo­ção. A carga emo­ci­o­nal e a força artís­tica é um dos mui­tos legado que Bertha Rosanova vai dei­xar no para o bal­let no Brasil.”

No dia 10 de outu­bro de 2008, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro viveu momen­tos emo­ci­o­nan­tes ao home­na­gear Bertha. Com uma apre­sen­ta­ção de sapa­te­ado, Steven Harper abriu os tra­ba­lhos, seguido pelo samba de Carlinhos de Jesus. “Ela é uma figura impor­tante para todos nós, bai­la­ri­nos, por tudo que nos dei­xou. A minha par­ti­ci­pa­ção aqui vem repre­sen­tar as gran­des mani­fes­ta­ções que pro­ta­go­ni­zou na tele­vi­são, popu­la­ri­zando a arte da dança”. A home­na­gem pros­se­guiu com a apre­sen­ta­ção do Ballet da Cidade de Niterói, na suíte Choro de Pixinguinha. O Corpo de Baile do Theatro Municipal apre­sen­tou Suíte de Dom Quixote, Trio de Chamas de Paris e Valsa das Flores; a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, Mozart. “Para Bertha o impor­tante estava longe de ser o estilo. Ela amava a dança”, era o comen­tá­rio mais repe­tido durante toda a noite.

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A grande bai­la­rina em mais uma de suas ines­que­cí­veis interpretações

Em 13 de outu­bro de 2008, três dias depois da home­na­gem que não pode assis­tir por já estar muito doente, Bertha Rosanova mor­reu. Tinha 78 anos e estava inter­nada há dias em uma clí­nica da Zonal Sul para tra­ta­mento de um cân­cer nos brôn­quios e nos pulmões.

Fotos gen­til­mente cedi­das por Ava Rosemblat (Acervo Particular)
Pesquisa: Revista Arte em Dança, outu­bro de 2008.

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
21 janeiro 2015

Disciplina Bailarinística

Por

Algumas suges­tões bási­cas para ser um bai­la­rino (a) exem­plar nas aulas:

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1) Não se atrase
Pois caso isso acon­teça per­de­mos uma parte muito impor­tante da aula: o aquecimento.

2) Procure entrar na sala de aula sem­pre antes do pro­fes­sor
Quando ele che­gar esteja pronto e aquecido.

3) Não suba nem se pen­dure na barra
A barra é feita para nos auxi­liar em alguns exercícios.

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4) Não grite, nem corra na sala de aula
Lá não é o local ideal para brin­ca­dei­ras, den­tro da sala deve­mos estar sem­pre con­cen­tra­dos e dando o nosso melhor.

5) Não con­verse durante a aula
Além de atra­pa­lhar, enquanto você con­versa você pode estar per­dendo alguma expli­ca­ção muito impor­tante do pro­fes­sor. Preste aten­ção nas cor­re­ções fei­tas em seus cole­gas, você poderá estar come­tendo o mesmo erro.

6) Não sente durante a aula
Isso pode ser inter­pre­tado como falta de inte­resse. Só pode­mos nos sen­tar com a auto­ri­za­ção do pro­fes­sor, não é edu­cado escu­tar as expli­ca­ções sen­tado, uma bai­la­rina exem­plar escuta as expli­ca­ções e tenta colocá-las em prática.

7) Não mas­ti­gue chi­cle­tes nem balas durante as aulas
Isto atra­pa­lha nossa con­cen­tra­ção e é peri­goso nos exer­cí­cios de salto.

11 sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele

8) Respeite sem­pre seu colega de sala
Uma bai­la­rina exem­plar é sem­pre muito edu­cada e dis­creta. Evite crí­ti­cas aos cole­gas, dis­cus­sões e risa­das fora de hora.

9) Não desista de nenhum exer­cí­cio ou core­o­gra­fia, todos nós somos capa­zes!
Tente sem­pre ir além do que você con­se­guiu na aula anterior.

10) Procure não fal­tar nas aulas, venha sem­pre uni­for­mi­zado e as meni­nas com coque 
Isso com cer­teza vai fazer de você um aluno exemplar!!!

Espero que essas dicas aju­dem o seu ano a ser ainda mais incrí­vel na dança. Vamos lá!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
12 janeiro 2015

A história de Rosana Cristianne

Por

Quem assiste a uma linda bai­la­rina dan­çando, des­te­mida em cima de um palco, não ima­gina toda a his­tó­ria que ela tem para contar.

Nem sem­pre os cami­nhos estão aber­tos em uma soci­e­dade que pouco valo­riza as artes. Mas, para quem tem com­pe­tên­cia para supe­rar desa­fios, tudo é possível.

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Superação deve­ria ser o sobre­nome da bai­la­rina Rosana Cristianne, de 14 anos. Iniciou as aulas de bal­let aos 5 anos de idade, pas­sou por diver­sas esco­las e sem­pre foi assí­dua nas aulas: com o tempo apren­deu a con­ci­liar os estu­dos e a dança.

Talentosa como só ela, foi con­vi­dada para um fes­ti­val de dança em Lyon, na França. A falta de recur­sos e o sonho de dan­çar em solo fran­cês fez a bai­la­rina pen­sar em uma opção para anga­riar fun­dos. A solu­ção: dan­çar na rua, mais pre­ci­sa­mente na famosa Avenida Paulista, em São Paulo, onde pas­sam mais de um milhão de pes­soas dia­ri­a­mente. Convenceu seus pais e outras três ami­gas: Bianca Ramos (15 anos), Julia Togni (13) e Giovanna Furlan (13).

Foi aí que nas­ceu o “Ballet na Paulista”. As qua­tro meni­nas supe­ra­ram o medo e a ver­go­nha de dan­çar na rua e em sua pri­meira apre­sen­ta­ção se depa­ra­ram com um público recep­tivo e emo­ci­o­nado. Muitas pes­soas nunca haviam visto bai­la­ri­nas, mui­tas cri­an­ças entra­ram na dança junto com as meni­nas e até mora­do­res de rua cede­ram suas moe­das para dar vida ao sonho.

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As meni­nas do Ballet na Paulista

Os pais de Rosana, José Roberto e Marta, já esta­vam quase ven­dendo o carro da famí­lia para aju­dar a via­gem – não foi pre­ciso. A expe­ri­ên­cia ren­deu não só o dinheiro para a via­gem como uma expe­ri­ên­cia que mudou a forma como Rosana vê a dança.
A famí­lia, aliás, foi essen­cial para o pro­jeto dar certo. De segu­ran­ças a moto­ris­tas, de sono­plas­tas a figu­ri­nis­tas, os pais da bai­la­rina esti­ve­ram pre­sen­tes em todos os momen­tos, em todas as apre­sen­ta­ções e ensaios. É a prova de que amor é mais impor­tante que dinheiro.

Esse ano, ingres­sou no Studio Dança Tamara Lisa em São Paulo. Além de um exame da Royal Academy of Dance de Londres (que foi rea­li­zado em maio), pre­pa­rou tam­bém uma vari­a­ção do reper­tó­rio Coppélia, dan­çou em diver­sos fes­ti­vais de dança e para sua sur­presa foi aceita no Festival de Dança de Joinville, o mais impor­tante do país.

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Variação de Swanilda, 1º Ato — Repertório “Coppélia“
IV Pariz Summer Festival

Quando soube da notí­cia, saiu pulando pela escola com um sor­riso de ore­lha a orelha.

Os resul­ta­dos dessa car­reira real­mente são incer­tos, porém em ter­mos de mere­ci­mento, Rosana já é campeã.

Nossos gran­des agra­de­ci­men­tos a Rosana, sua famí­lia e ao Studio Dança Tamara Lisa por com­par­ti­lhar conosco essa linda história.

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
3 janeiro 2015

Tarde de autógrafos

Por

Está che­gando o dia, venha pas­sar uma tarde linda com a gente e ainda par­ti­ci­par da ses­são de autó­gra­fos com Ana Botafogo!

10868278_635344903261694_3915253351327979097_nTe espe­ra­mos!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
31 dezembro 2014

Feliz 2015!

Por

Toda a nossa equipe deseja que 2015 seja espe­cial para você.

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Amor, saúde, pros­pe­ri­dade, paz, sucesso, har­mo­nia, deter­mi­na­ção… e que nos­sos cora­ções se encham de ale­gria na hora da virada!

Um grande beijo e feliz ano novo!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
26 dezembro 2014

De casa nova!

Por

É tempo de renovação!

Avisamos que a loja Ana Botafogo fechará hoje às 19h e rea­brirá dia 2/1/2015 de casa nova!

Anote o novo ende­reço: Rua Barata Ribeiro, 370 — loja 111 — Copacabana — RJ
10891794_635237993272385_1599023356468814081_nE em breve tere­mos uma tarde de autó­grafo com a nossa musa Ana Botafogo.

Nos vemos na nova casa!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
24 dezembro 2014

Feliz Natal e próspero Ano Novo!

Por

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22 dezembro 2014

Renata Tubarão - nasce uma nova estrela

Por

Não posso, tenho ensaio.”

A moça com uma mochila “estou­rando” de tão cheia pen­du­rada nas cos­tas, que entra apres­sada (e cami­nha de forma de forma incon­fun­dí­vel) pela entrada late­ral do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cer­ta­mente já repe­tiu esta frase um milhão de vezes desde que — aos 11 anos — deci­diu ser bai­la­rina pro­fis­si­o­nal. Mas ela jura que não se arre­pende e que faria tudo de novo. Coisas de gente que – mesmo não sabendo desde cedo — nas­ceu para dançar.

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Atualmente Renata Tubarão tem 33 (jeito de 25 e assim mesmo com muita má von­tade), é linda como uma prin­cesa, tem um sor­riso ilu­mi­nado, um carisma ine­gá­vel e talento, muito talento. Tanto que logo assu­miu o posto de pri­meira solista do corpo de baile do tea­tro. Mas enganam-se os que pen­sam que esta­mos diante de um caso de amor antigo. “Fui me apai­xo­nando com o tempo. Meu encon­tro com o bal­let acon­te­ceu de repente, nunca foi um sonho de cri­ança. Na ver­dade eu que­ria ser pedi­a­tra, mas a vida aca­bou me levando nessa dire­ção e foi muito bom”.

Renatinha come­çou a fazer aulas de bal­let — segundo suas pró­prias pala­vras — “muito tarde”, na Escola de Dança Alice Arja. “Mas eu dan­çava jazz desde os 7 anos e lem­bro que ado­rava. Para falar a ver­dade, sem­pre gos­tei. E acho que isso tem muito a ver com o fato de ado­rar música. Posso come­çar o dia cheia de dor, mas se o pia­nista esti­ver ins­pi­rado, tudo passa. O efeito da música em mim é abso­lu­ta­mente arrebatador”.

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E assim che­ga­mos aos pliès, rele­vés, cam­brés, grand-jetés, sison­nes e mui­tos outros pas­sos. São tan­tos que nem dá para fazer uma lista. Mas dá pra con­tar que quando a melhor amiga foi reno­var a matrí­cula numa aca­de­mia de bal­let, da con­versa entre as mães das duas moças nas­ceu uma grande ideia. E num pis­car de olhos, Renata já estava matri­cu­lada tam­bém. “Dai em diante foi tudo muito rápido, aulas de ponta, fes­ti­vais, con­cur­sos, exa­mes para o Royal Academy, até me pro­fis­si­o­na­li­zar pelo Ballet Dalal Achcar, ir para o Teatro Municipal e para o Zurich Ballet, onde tra­ba­lhei por um ano. Enfim, nunca mais parei. Por isso digo que o amor pela dança veio aos pou­cos, não dese­jei, não fui lá bus­car. Mesmo assim foi tudo tão intenso como se eu tivesse dese­jado muito”.

Fez prova para o Royal Academy, onde uma pro­fes­sora do pró­prio Royal Ballet (Londres) ava­li­ava as can­di­da­tas e depois dis­tri­buía cer­ti­fi­ca­dos com a gra­du­a­ção alcan­çada. “Não lem­bro bem por quan­tas pro­vas pas­sei, mas em duas delas recebi o Honors e o Higly Commended, o que é muito gra­ti­fi­cante. No mais foi meu período de pro­fis­si­o­na­li­za­ção mesmo, na Alice Arja e na Dalal”.

Renata con­fessa que sem­pre gos­tou da rotina pra lá de rígida, da vida de ensaios, de dedi­ca­ção inte­gral, de par­ti­ci­par de con­cur­sos. Depois de for­mada come­çou a tra­ba­lhar e a rece­ber pelo pró­prio tra­ba­lho. “Mas só no musi­cal Branca de Neve, de Dalal Achcar. Quando a tem­po­rada aca­bou não tinha mais nada em vista. Na minha cabeça era um absurdo ter 18 anos e ainda pre­ci­sar pedir dinheiro a meu pai para fazer aulas de bal­let. Eu achava que já deve­ria estar tra­ba­lhando e sendo remu­ne­rada por isso. Ganhando meu pró­prio salá­rio. Afinal estava for­mada! E não que­ria dar aulas, que­ria dan­çar! Foi quando – con­tra­ri­ando tudo — come­cei um cur­si­nho pré-vestibular.”

O des­tino, entre­tanto, tra­tou de dar um “sacode” nes­tes pla­nos e resol­veu encaminhá-la de novo para o bal­let (ben­dita deci­são) e mesmo diante de todas as adver­si­da­des nunca desa­ni­mou. A tran­si­ção para a vida pro­fis­si­o­nal não foi lá muito sim­ples. “Naquela época não tive mui­tas opções. Eu não que­ria outro tipo de dança, nem dar aula em aca­de­mia, que­ria dan­çar, então me senti limi­tada. Em junho de 1999, fiz uma audi­ção – junto com mui­tos outros can­di­da­tos — para tra­ba­lhar como con­tra­tada nas tem­po­ra­das do Corpo de Baile. A pri­meira vez em que as sapa­ti­lhas de ponta de Renata pisa­ram no palco sagrado do Municipal foi para dan­çar uma das cam­po­ne­sas em Coppélia. (vol­tou recen­te­mente no mesmo bal­let, só que desta vez como pro­ta­go­nista.) Em 2002, pas­sou por outra audi­ção, desta vez para ser efe­ti­vada. “E ainda sem foco dei­xei mais uma vez que a vida me levasse”.

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E como vida de bai­la­rina pode até ser gla­mu­rosa, mas de sim­ples não tem nada, em 2013, Renata pre­ci­sou se afas­tar para pas­sar por um pro­ce­di­mento cirúr­gico que cor­ri­gi­ria a lesão no ace­tá­bulo (estru­tura óssea exis­tente no qua­dril que se arti­cula com a cabeça do fêmur) sofrida há alguns anos e que aca­bou por retirá-la de cir­cu­la­ção. O momento foi muito difí­cil e deli­cado “por­que me vi obri­gada a lidar com a ideia de fini­tude. Isso é um cho­que para alguém que só sabe fazer aquilo e que se dedi­cou inte­gral­mente durante uma vida inteira para con­se­guir fazer bem feito. É um para­doxo… o que te faz melhor como bai­la­rina, tam­bém é o que pode te levar ao final da linha. Um bai­la­rino nunca pensa no fim, pelo menos não na minha idade. A lesão me colo­cou diante desse con­fronto. Outro aspecto ruim foi o medo de não con­se­guir vol­tar a ser o que eu era, de não dan­çar como antes. Mas como sem­pre busco o que existe de posi­tivo numa adver­si­dade, aca­bei encontrando.”

Em outu­bro de 2013, final­mente, ela vol­tou ao Municipal como a Ninfa em L’après midi d’un faune, na remon­ta­gem de Tatiana Leskova, para a core­o­gra­fia de Vaslav Nijinsky com música de Claude Debussy. Um super-sucesso. A par­tir daí, reco­me­çava tam­bém a rotina de aulas e ensaios inter­mi­ná­veis. “Fora de tem­po­rada tra­ba­lho de segunda à sexta, das 10 às 16h. Tenho aula de 10 às 11h15 todos os dias, e a par­tir das 11h45 come­çam os ensaios que só ter­mi­nam às 16h. De noite faço facul­dade, tenho uma Shih tzu que é como um filho e me dá um mega tra­ba­lho para comer, faço ses­sões de fisi­o­te­ra­pia, aca­de­mia, uma cor­re­ria só. Quando estou dan­çando mesmo, minha vida se volta intei­ra­mente para o bal­let, dou um tempo com tudo e foco nos espe­tá­cu­los, prin­ci­pal­mente depois da lesão”.

Segundo ela não existe prova para um bai­la­rino ascen­der na car­reira den­tro do Teatro. A nome­a­ção é sub­je­tiva, se não for mera­mente rela­ci­o­nal. “Acredito que em deter­mi­nada época tenha sido por mérito, ou até mesmo pelo tempo em que o bai­la­rino desem­pe­nhara na fun­ção acima da que ele ocu­pava naquele momento. Falando da minha expe­ri­ên­cia, entre­tanto, ao longo des­ses nove anos, vi que os papéis repre­sen­ta­dos ou a qua­li­dade téc­nica e artís­tica empre­ga­das não são tão fun­da­men­tais assim. É pre­ciso, não me per­gunte como, trans­cen­der a esfera do tra­ba­lho. Eu entrei no Corpo de Baile em Junho de 1999, algum tempo depois come­cei a ser esca­lada para solos e em 2005 fui esco­lhida para inter­pre­tar Aurora, em A Bela Adormecida, minha estreia em pri­mei­ros papéis. Na mai­o­ria das vezes as nome­a­ções acom­pa­nham esse cres­ci­mento do bai­la­rino. São for­mas de reco­nhe­cer o seu tra­ba­lho. No meu caso, o único reco­nhe­ci­mento que tive até hoje nesse sen­tido foi do meu público, e sin­ce­ra­mente, depois de ter vivido tudo que vivi para mim não há termô­me­tro melhor.”

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Uma artista cons­ci­ente e conec­tada com o seu tempo, Renata Tubarão cer­ta­mente dedica a maior parte do dia ao bal­let. Mas em nenhum momento esquece que existe um mundo em volta, está sem­pre pronta a defen­der uma causa, indignar-se diante de uma injus­tiça e levan­tar a pró­pria voz, quando se faz neces­sá­rio A ati­vi­dade que exerce, por exem­plo, está sem­pre em pauta. E ela faz ques­tão de afir­mar que ainda esta­mos muito longe de ver um bai­la­rino rece­bendo o reco­nhe­ci­mento mere­cido. “Nossa pro­fis­são engloba duas dimen­sões: a atlé­tica e a artís­tica. Mas é tudo tão belo no bal­let que a parte atlé­tica fica esque­cida e com isso per­de­mos muito em direi­tos, por exem­plo. O ins­tru­mento de tra­ba­lho do bai­la­rino é o corpo que deve estar pro­te­gido, asse­gu­rado, assim como o do atleta. Ambos come­çam e ter­mi­nam cedo. Muitos ficam pelo cami­nho por conta de lesões. O bai­la­rino, entre­tanto, não tem nem um terço dos direi­tos que os atle­tas já con­quis­ta­ram. A classe tem culpa nisso na medida em que se man­tém dis­tante de tais dis­cus­sões, tal­vez por­que o lado artista fale mais alto. A men­ta­li­dade polí­tica como um todo deve­ria mudar. Nosso país é muito carente de valo­res sóli­dos, e a arte tem um papel extre­ma­mente rele­vante na trans­for­ma­ção da soci­e­dade. A arte é o ali­mento da alma, ela mexe com as pes­soas, nos faz refle­tir cri­ti­ca­mente. É pre­ciso que haja mais inves­ti­mento, polí­ti­cas sérias, e que abranja todos os níveis soci­ais, cri­an­ças e jovens. É pre­ciso dar a arte o valor que ela merece e valo­ri­zar ainda mais os seus artistas.”

Depois de L’après midi d’un faune, veio La Balaydère e uma Nikia esplen­do­rosa e linda que voava com deli­ca­deza e téc­nica apu­rada pelo palco do Municipal. E a menina (sim, ela parece uma menina) que sonha em dan­çar Gisele e Les Shylphides, tem Mikhail Baryshnikov, Aurélie Dupont, Polina Semionova e Diana Vishneva como ídolos, acre­dita que a prin­cí­pio, a idade ideal para come­çar seja por volta dos sete anos. Mas isso tam­bém depende por­que ela come­çou tarde e mesmo assim con­se­guiu cons­truir uma car­reira pro­fis­si­o­nal. “Entendo que seja uma ati­vi­dade que demanda muito da pes­soa e, por­tanto, o quanto antes come­çar, melhor. Mas essa está longe de ser uma regra. Além disso, é essen­cial que se goste muito de bal­let. Importante tam­bém é ter sem­pre a si mesmo como refe­rên­cia. Isso sig­ni­fica que se você tiver que com­pe­tir, que o faça com você mesmo. Queira sem­pre ser melhor do que é, esqueça o outro. A ver­da­deira arte vem de den­tro. Apesar de o bal­let ser uma pro­fis­são ingrata, o que vive­mos no decor­rer da car­reira é tão enri­que­ce­dor e intenso que pode­mos até nos dar ao luxo de não ficar pre­o­cu­pa­dos por ter­mi­nar tão cedo. Outra coisa super impor­tante: estu­dar. É essen­cial ter uma segunda opção quando esco­lhe­mos o bal­let como car­reira. Sei que é difí­cil con­ci­liar as duas coi­sas, mas uma dica bacana é fazer algo que tam­bém seja prazeroso.”

Devemos ser a mudança que que­re­mos ver no mundo”. A frase de Gandhi é aquela que está sem­pre no cora­ção de Renata Tubarão. Uma pes­soa rara, uma menina que é um ver­da­deiro pre­sente para o bal­let, para o público, para quem tem o pri­vi­lé­gio de conhecê-la mais de perto; e que se define com uma sin­ce­ri­dade des­con­cer­tante. “Vivo nos extre­mos (sou capaz de sor­rir cho­rando), adoro apren­der com a minha vida, detesto metas, impo­si­ções, tudo que é muito padro­ni­zado me inco­moda, aliás, até me faz ir na con­tra­mão do que é ditado. Prefiro ser livre… ter mais amo­res do que coi­sas, por­que amo demais, sou sen­sí­vel demais e não me entre­ga­ria de peito aberto a nada que não valesse a pena.”

Fotos: Acerto par­ti­cu­lar de Renata Tubarão

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
16 dezembro 2014

Dicas de presentes para as bailarinas

Por

Natal é tempo de união, amor, paz, e mui­tas trocas.

Entre elas as de pre­sen­ti­nhos espe­ci­ais! E você quer acer­tar na lem­brança para a sua bai­la­rina? Veja as nos­sas dicas!ad01afd960caa770f357b7d6e8a75f1d

Na Loja Ana Botafogo, temos vários mode­los de blu­sas com dese­nhos ins­pi­ra­do­res. Confira:

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Blusa Unissex, diver­sos tama­nhos R$59;00

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– Blusa Lu, estampa 5 posi­ções, tama­nho único, R$69,00

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– Blusa lu, estampa não posso…, tama­nho unico, R$69,00

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– Chaveiro ponta, diver­sas cores, R$15,00

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– Sapatilhas meia ponta estam­pada, vários tama­nhos, R$69,00

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– Macaquinho Mary, tama­nho unico nas cores preto, cinza e roxo, R$109,00

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– Porta sapa­ti­lhas, diver­sas estam­pas, R$49,00

Curtiu? Aproveite que neste fim de ano nossa loja está aberta até dia 27/12, sábado! (Aos sába­dos, nosso horá­rio de aten­di­mento é de 10:30 às 14h, ok?).

Boas com­pras e FELIZ NATAL!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
9 dezembro 2014

10 sinais de que você é apaixonado por dança:

Por

Você anda dan­çando, toma banho dan­çando, faz super­mer­cado dan­çando… Enfim, nem pre­cisa de música!

foto 1Seu guarda-roupa é basi­ca­mente com­posto de col­lants, meias-calças (90% estão ras­ga­das), sapa­ti­lhas, sapa­tos de dança. O resto é resto.

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Você tem habi­li­da­des incrí­veis como fazer um coque em 3 minu­tos e colar cílios pos­ti­ços rapidinho.

foto 3Suas ami­gas já per­gun­tam se você tem ensaio ANTES de te cha­ma­rem para sair.

foto 4Pegar algo no chão é sem­pre opor­tu­ni­dade para fazer um grand plié, um pen­ché… Aliás, você con­se­gue pegar coi­sas com os dedos dos seus pés.

foto 5Você apren­deu a cos­tu­rar desde o dia que sua mãe desis­tiu de cos­tu­rar suas sapatilhas.

foto 6Se você entra em uma loja ou site de dança, para com­prar um col­lant, sai com a loja inteira e mais um pouco.

foto 7Você acha gram­pos no cabelo per­di­dos por dias depois das apresentações.

foto 8Ao entrar na far­má­cia, você vai ime­di­a­ta­mente para onde está o remé­dio para dor, mesmo que esteja pro­cu­rando outra coisa.

Cold and flu products are pictured on shelving at grand opening of drugstore chain Walgreens newest flagship store in HollywoodVocê ama o que faz, e só isso importa!

foto 10E você, é um apai­xo­nado? Esperamos que sua his­tó­ria de amor com a dança tam­bém seja linda!

Beijo e arrase!

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
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