22 setembro 2014

Série Grandes Nomes - JOHNNY FRANKLIN

Por

RETRATO DE UM GRANDE MESTRE
Por Claudia Richer

Dançar é con­ver­sar com Deus e con­ver­sar com Deus é uma coisa muito séria. Portanto, dan­çar é uma coisa muito séria”. Assim come­çava, em junho de 1990, a última entre­vista de Johnny Franklin, bai­la­rino, pro­fes­sor, coreó­grafo e per­so­na­gem insubs­ti­tuí­vel da his­tó­ria do bal­let bra­si­leiro, para a repór­ter Andrea Maltarolli, da revista Mulher de Hoje, diri­gida por mim e publi­cada — na época — por Bloch Editores. Assisti a tudo bem de perto, mas não ima­gi­nei (estava tão ale­gre e ani­mado), que aquele seria um dos nos­sos últi­mos encontros.

Conversar com Deus”. Foram essas as pala­vras que ele esco­lheu para defi­nir a grande pai­xão de sua vida. Para quem foi pri­meiro bai­la­rino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, dan­çou com os mai­o­res part­ners da época, criou os gru­pos expe­ri­men­tais Ballet Society e Ballet da Juventude, core­o­gra­fou mitos e len­das bra­si­lei­ras, além dos espe­tá­cu­los My Fair Lady, The Sound of Music, Vamos brin­car de amor em Cabo Frio e Evita, não exis­tia a pos­si­bi­li­dade de não dar certo. Ele tinha que se dedi­car à dança.

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Foi um dos mais talen­to­sos Maîtres de Ballet do nosso tempo. Seu cur­rí­culo é por demais extenso. Começou a estu­dar na escola de Maria Olenewa, pas­sou por cur­sos no American Ballet School, na escola de Martha Graham e no Conservatório Coreográfico de Paris, diri­gido por Serge Lifar.
Nada esca­pava aos olhos sem­pre aten­tos do pro­fes­sor Johnny Franklin. Nada mesmo. De um “ali­nhavo” feito às pres­sas no ves­tiá­rio para que a meia não desa­pa­re­cesse antes da metade da aula, ao tra­di­ci­o­nal coque que não podia “dan­çar” no elás­tico frouxo e em gram­pos mal colo­ca­dos, pas­sando pelo col­lant e pela fita cuja cor cor­res­pon­dia à turma que cada aluna cur­sava.… todos os deta­lhes – gran­des ou peque­nos — pas­sa­vam por sua ins­pe­ção rigo­rosa. Atrasos, por exem­plo, eram inad­mis­sí­veis. Faltas, idem. Mas nin­guém ousava ques­ti­o­nar tan­tas regras de dis­ci­plina. Simplesmente obe­de­cia e res­pei­tava. Desde cedo, por­tanto, os alu­nos apren­diam os “porquês” de tanta impor­tân­cia. Mais que isso, cer­ta­mente, apren­diam que dis­ci­plina era um dos pila­res mais for­tes para quem pre­ten­dia levar a dança a sério.
A Academia de Ballet Johnny Franklin sem­pre teve por obje­tivo unir dança e edu­ca­ção. Além disso, rea­li­zava anu­al­mente um curso de férias e pre­pa­rava tam­bém para o exame da Royal Academy of Dancing, de Londres. Nos cur­sos regu­la­res (regido por regras e pela ori­en­ta­ção da Royal Academy), as pro­mo­ções de uma turma para a outra acon­te­ciam atra­vés de exa­mes rea­li­za­dos geral­mente no mês de dezem­bro.
Embora fosse aluna da Academia que durante anos levou o seu nome, con­vivi pouco com ele. Posso dizer, entre­tanto, que conheci dois Johnny Franklin. O pri­meiro era severo, rigo­roso, meti­cu­loso, zan­gado e per­fec­ci­o­nista ao extremo.… me fez tre­mer e desis­tir em menos de um mês das aulas do curso de férias, dei­xando para trás grand-jetès e piru­e­tas que nunca con­se­gui fazer para total deses­pero dele. O segundo, doce e cari­nhoso. Quando a entre­vista que citei no iní­cio foi para as ban­cas, diante de uma turma lotada, que mal con­se­guia dis­far­çar o espanto, fui rece­bida de bra­ços aber­tos por um homem com os olhos mare­ja­dos de lágri­mas, que me cha­mou de prin­cesa e disse ter res­ga­tado atra­vés de mim e de Andrea a con­fi­ança per­dida em nos­sos cole­gas de profissão.

Tânia Fonseca, bai­la­rina e pro­fes­sora de bal­let no Centro de Movimento Deborah Colker con­vi­veu com ele dia­ri­a­mente durante mui­tos anos. E nem tenta dis­far­çar a emo­ção quando se refere ao “professor”.

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Tânia Fonseca e a filha Tíncia, tam­bém bai­la­rina, no cama­rim do Teatro João Caetano, aguar­dando o iní­cio de mais um espetáculo.

Em 1985 par­ti­ci­pei do espe­tá­culo de fim de ano da Academia como bai­la­rina con­vi­dada. Tinha aca­bado de dei­xar o Corpo de Baile do Teatro Municipal e não dá para negar que fiquei bem assus­tada com o tama­nho do con­traste. Ao mesmo tempo posso dizer que aca­bei apren­dendo muito com ele, sem­pre um grande mes­tre. Dono de um carisma ini­gua­lá­vel, sabia se fazer res­pei­tar como nin­guém. Era enér­gico, sim. Muito. Mas — ao mesmo tempo – dócil demais, um ver­da­deiro “pai” para todos. No ano seguinte come­cei a tra­ba­lhar como pro­fes­sora e lá fiquei durante mui­tos anos. Sem dúvida alguma foi uma grande perda para o mundo da dança. Suas lições foram pre­ci­o­sas e faço ques­tão de guarda-las até hoje no tra­ba­lho e na vida pes­soal. A sau­dade é enorme e só tenho a agra­de­cer por ter rece­bido um tesouro tão grande.”

Com Camile Salles, bai­la­rina e pro­fes­sora de bal­let tam­bém no Centro de Movimento Deborah Colker, não foi diferente.

CamilleCamile Salles e uma de suas tur­mas de futu­ras estre­las do CMDC.

Conheci Johnny Franklin ao mesmo tempo em que conheci o bal­let. Foi meu pri­meiro, e durante lon­gos anos, único mes­tre. Na época, aos sete, oito anos, não pode­ria ter noção do quão impor­tante aquele senhor dis­tinto e ele­gante seria para o resto da minha vida. Digo isso por­que sei hoje do alto dos meus 37 anos, mãe, pro­fes­sora, que devo muito não só do que sou no bal­let, mas do que sou na vida, a ele. Além de grande pro­fes­sor, era acima de tudo, edu­ca­dor. Ensinava como nin­guém noções de res­peito, cida­da­nia e amor à arte. Não esqueço as vezes que mesmo de uni­forme do colé­gio e tênis eu fazia uma reve­rên­cia em plena Rua do Catete ao cru­zar com ele. Johnny Franklin me ensi­nou muito mais do que pliés e jetés. Ensinou o que é se fazer res­pei­tar, a admi­rar os mais expe­ri­en­tes, a acei­tar divi­dir espa­ços, a dar tudo de mim da mesma maneira inde­pen­dente de estar no corpo de baile ou no papel prin­ci­pal.”
Quando fale­ceu em 1991, vítima de um cân­cer no sis­tema lin­fá­tico, Johnny Franklin dei­xou tam­bém uma enorme sau­dade no cora­ção de todos e um vazio imenso, quase impos­sí­vel de ser pre­en­chido. Agora mais do que nunca deve estar con­ver­sando com Deus e dan­çando, dan­çando sempre.

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
15 setembro 2014

Por entre coreografias e livros...

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8º Seminários de Dança de Joinville 2014

No mês de julho deste ano, como todos já sabem, acon­te­ceu o 32º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina. O evento reu­niu mui­tas esco­las de dança de todo o País além de fãs e apre­ci­a­do­res da arte no Centreventos Cau Hansen. As noi­tes do fes­ti­val esta­vam belís­si­mas, reche­a­das de apre­sen­ta­ções de alta qua­li­dade téc­nica e artís­tica que fize­ram o público se deli­ciar ainda mais com a atmos­fera mágica que o evento pro­por­ci­ona. Entretanto, o que nem todos sabem é que, em con­co­mi­tân­cia com o fes­ti­val de dança, outro evento de igual impor­tân­cia acon­tece em Joinville nesta mesma época do ano: os Seminários de Dança de Joinville, no Teatro Juarez Machado (anexo ao Centreventos Cau Hansen), os quais reú­nem bai­la­ri­nos, coreó­gra­fos e pes­qui­sa­do­res que aliam a teo­ria e a prá­tica no campo da dança.

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Em 2014, em sua 8ª edi­ção, o evento apre­sen­tou o tema Deixa a Rua me Levar reser­vando um espaço para refle­xão sobre os cami­nhos da dança em suas rela­ções com a rua. Ao con­trá­rio do que o título desta edi­ção suge­ria, não foram expos­tos tra­ba­lhos com temá­ti­cas exclu­si­vas das Danças Urbanas. Tivemos con­tato com ideias, pro­je­tos e prá­ti­cas den­tro das Danças Folclóricas, Danças Populares, Danças Contemporâneas e todas as mani­fes­ta­ções que bus­cam na rua um lugar pro­pí­cio à criação.

“No con­texto do Seminário, a rua não nomeia um gênero de dança, mas uma von­tade de inter­ro­gar os trân­si­tos da dança de con­tex­tos espe­cí­fi­cos à cena e vice-versa: da rua ao palco, do palco de volta à rua. O obje­tivo prin­ci­pal é ques­ti­o­nar a polí­tica de ence­na­ção da dança em meio ao con­texto for­ma­tivo que o semi­ná­rio enseja na pro­gra­ma­ção do fes­ti­val.” (Trecho extraído do texto de apre­sen­ta­ção do 8º Seminário de Dança na web­site do festival).

Com a coor­de­na­ção da Profª Drª Thereza Rocha, esta edi­ção dos semi­ná­rios con­tou com con­fe­rên­cias, con­ver­sas, espe­tá­cu­los, demons­tra­ções de pro­ces­sos, con­fe­rên­cias dan­ça­das, cor­te­jos, rodas de rua e apre­sen­ta­ções de tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos. Em três dias de apre­sen­ta­ções, mui­tos nomes impor­tan­tes esti­ve­ram pre­sen­tes para con­tri­buí­rem e enri­que­ce­rem as dis­cus­sões acerca do tema.

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O evento teve iní­cio com uma rica entre­vista com Nelson Triunfo e sua his­tó­ria e con­tri­bui­ções no campo da cul­tura Black em nosso País. As con­fe­rên­cias con­ta­ram com a pre­sença e a troca de expe­ri­ên­cias de Fátima Costa de Lima, falando sobre o corpo que dança nas esco­las de samba, e Pablo Assumpção, com um tema envol­vendo a arte, a vida e a mís­tica que se mani­fes­tam na rua.

As con­ver­sas de dança tive­ram impor­tan­tes pati­ci­pan­tes, como Alexandre Snoop, Eleonora Gabriel, José Clerton Martins, Gilberto Yoshinaga, Rafael Guarato e Thiago Amorim. Ainda tive­mos a apre­sen­ta­ção do espe­tá­culo MONO-BLOCOS e do espe­tá­culo GRAÇA.

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Além das con­fe­rên­cias, das con­ver­sas de dan­ças e das apre­sen­ta­ções artís­ti­cas, uma das par­tes mais inte­res­san­tes do evento foram as apre­sen­ta­ções e dis­cus­sões de tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos. As pro­du­ções de alu­nos de cur­sos de gra­du­a­ção e pós-graduação se tor­na­ram parte essen­cial e de grande rele­vân­cia no con­texto do evento. Divididos em apre­sen­ta­ções de pôs­ters e comu­ni­ca­ções orais, os tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos con­tri­buí­ram para o sucesso dos semi­ná­rios, bem como para o desen­vol­vi­mento do campo teó­rico da dança em nosso País.

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Este ano, eu tive a opor­tu­ni­dade e a ale­gria de apre­sen­tar uma de minhas pes­qui­sas na moda­li­dade comu­ni­ca­ção oral. Com o resumo expan­dido inti­tu­lado Desterritorialização e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção da dança em seu espaço pri­meiro: a rua, pude desen­vol­ver duas ideias filo­só­fi­cas que me aju­dam, no âmbito sub­je­tivo de enten­di­mento das mani­fes­ta­ções dan­ça­das, a com­pre­en­der algu­mas ques­tões com as quais eu me deparo dia­ri­a­mente. Pensando a dança desde a anti­gui­dade, onde as mani­fes­ta­ções artís­ti­cas como um todo acon­te­ciam nos espa­ços aber­tos das cida­des, eu me questionei:

“A dança atu­al­mente neces­sita ‘inva­dir’ um espaço urbano que pos­si­vel­mente já lhe per­tence? As dife­ren­tes expres­sões core­o­grá­fi­cas neces­si­tam do lugar espe­cí­fico e ’iso­lado’ do palco para se desen­vol­ve­rem mesmo fazendo parte do coti­di­ano da cidade, da soci­e­dade? Quais são as pos­si­bi­li­da­des do campo da dança hoje?” (Trecho extraído do tra­ba­lho apre­sen­tado em 27/07/2014) .

A par­tir des­ses ques­ti­o­na­men­tos, desen­volvi duas ideias rele­van­tes para a dis­cus­são: a deter­ri­to­ri­a­li­za­ção e a reter­ri­to­ri­a­li­za­ção base­ada nas obras de Guilles Deleuze e Félix Guattari. Assim, resu­mi­da­mente, desen­volvi a seguinte hipótese:

“O espaço da dança, na atu­a­li­dade, se encon­tra em des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção cons­tante. O tea­tro não se con­fi­gura mais como seu ter­ri­tó­rio exclu­sivo. Na rua, a dança, uma vez des­ter­ri­to­ri­a­li­zada, encon­tra uma pos­si­bi­li­dade de reter­ri­to­ri­a­li­za­ção. Esse ter­ri­tó­rio urbano reter­ri­to­ri­a­li­zado, des­ter­ri­to­ri­a­liza o espaço cênico ins­ti­tu­ci­o­na­li­zado do palco, mas a dança, que para ele retorna, pro­move sua reter­ri­to­ri­a­li­za­ção. A dança, por sua vez, des­ter­ri­to­ri­a­li­zada pela dinâ­mica coti­di­ana e cul­tu­ral imposta pela lógica e razão capi­ta­lista, se reter­ri­to­ri­a­liza atra­vés do sen­tido, da emo­ção, do ges­tual e do movi­mento que pro­voca na soci­e­dade des­ter­ri­to­ri­a­li­zada pela imu­ta­bi­li­dade e nor­ma­ti­za­ção dos cor­pos desa­cos­tu­ma­dos a con­vi­ver com sua intensidade.

A rua é des­ter­ri­to­ri­a­li­zada e reter­ri­to­ri­a­li­zada pela dança, e vice versa, em um movi­mento cons­tante e recí­proco. Suas pos­si­bi­li­da­des são incal­cu­lá­veis. O palco neces­sita da dança; a rua ‘res­pira’ sons, ges­tos e movi­men­tos. O meio social e urbano demons­tra pos­suir uma carên­cia por expres­sões iné­di­tas que trans­bor­dem vida e inten­si­dade. Assim, ousa­mos dizer tam­bém que a dança des­ter­ri­to­ri­a­liza a moral e os valo­res cas­tra­do­res vigen­tes. Com isso, os movi­men­tos, as sen­sa­ções e o ritmo core­o­gra­fado reter­ri­to­ri­a­li­zam a vida.” (Trecho extraído do tra­ba­lho apre­sen­tado em 27/07/2014).

Foi um momento único. Poder falar sobre o que penso, ques­ti­ono e pes­quiso com outros pes­qui­sa­do­res que tam­bém se empe­nham em ampliar o campo teó­rico da dança em nosso País me deu mais moti­va­ção para con­ti­nuar nessa mili­tân­cia em defesa da dança, não somente como pro­fis­são ou entre­te­ni­mento, mas como expe­ri­ên­cia de vida afir­ma­tiva. Sou uma defen­sora incan­sá­vel da dança como cul­tura, como filo­so­fia de vida, como voca­ção. Tenho na dança fonte ines­go­tá­vel de ins­pi­ra­ção. Esse é um campo que muito me fas­cina e pelo qual me apai­xono cada vez mais!

“Não nos basta um palco, uma exclu­siva pla­teia, um espaço deli­mi­tado de um tea­tro. O pro­cesso cons­tante e con­co­mi­tante de des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção da dança vai além da arte de dan­çar. ambas as ver­ten­tes se encon­tram em nós mes­mos, bai­la­ri­nos, cida­dãos, seres huma­nos. Estamos influ­en­ci­a­dos pela des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção de nos­sos cor­pos por ges­tos, movi­men­tos e sen­sa­ções, repe­ti­dos e iné­di­tos. Exprimimos tudo atra­vés da dança fazendo da rua, do palco e dos nos­sos cor­pos, espa­ços de rela­ções polí­ti­cas, soci­ais e cul­tu­rais. A rua é o espaço por exce­lên­cia da dança, não o antigo, mas, sim, o novo espaço da rua antes des­ter­ri­to­ri­a­li­zado e agora reter­ri­to­ri­a­li­zado pela inten­si­dade da vida.”

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Assim con­cluí meu tra­ba­lho… E assim con­cluo meu artigo.

Esse é o link do vídeo de minha apre­sen­ta­ção no youtube:

Imagem de Amostra do You Tube

Até breve, que­ri­dos leitores!

Daney Bentin é bailarina e pedagoga de ballet clássico, assistente direta do mestre Fábio Matheus, mestranda em Memória Social com pesquisa em Filosofia da Dança e bolsista CAPES - UNIRIO.
10 setembro 2014

Repertório Cultural

Por
Foto por: KCBalletMedia

Muitas vezes nos depa­ra­mos com situ­a­ções em que nosso conhe­ci­mento sobre dança é posto a prova,

seja por per­gun­tas de alu­nos inte­res­sa­dos ou por nos­sas pró­prias dúvi­das diante do uni­verso vasto que é a dança.

Todo artista pre­cisa ter um reper­tó­rio cul­tu­ral vasto, e para tal, a pes­quisa e a curi­o­si­dade na área em que atua é pri­mor­dial. Cabe a cada pro­fis­si­o­nal agre­gar cul­tura a seu trabalho!

Já foi a era em que se acre­di­tava que o bai­la­rino é somente um repro­du­tor de algo pronto, enges­sado. Não mais. Somos cri­a­do­res de con­teúdo, de cul­tura, auto­res de nosso pró­prio tra­ba­lho – mesmo que este­ja­mos dan­çando ou mon­tando um Ballet de Repertório do século passado.

Então, aqui seguem algu­mas ideias para aumen­tar seu reper­tó­rio cul­tu­ral e se tor­nar um pro­fis­si­o­nal mais expe­ri­ente e feliz:

1)     UM BOM LIVRO

A lite­ra­tura nos traz diver­sas obras sobre dança: teo­ria, his­tó­rias, roman­ces – tudo vale. Existem tam­bém diver­sos dici­o­ná­rios de dança, com infor­ma­ções com­ple­tas e segu­ras. E o melhor, em por­tu­guês. Temos, por exem­plo, o dici­o­ná­rio de dança Oxford – tra­du­zido e a preço acessível.

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2)     UMA MODALIDADE?

Do bal­let a Bollywood: não pre­ci­sa­mos ser espe­ci­a­lis­tas em tudo, mas conhe­cer é essen­cial, e aumenta seu leque de ins­pi­ra­ções artís­ti­cas. Para quem mora em locais que não há acesso, a inter­net é a melhor fonte para pro­cu­rar. Grandes gru­pos de dança têm seus tra­ba­lhos divul­ga­dos em sites de vídeos, ao alcance de todos.

3)    NA PONTA DA LINGUA

Quem vive dan­çando vive rode­ado de gente que tam­bém dança. Vale muito a pena sepa­rar um tempo para con­ver­sar com seus alu­nos, cole­gas e pro­fes­so­res sobre os temas da dança, novas moda­li­da­des, core­o­gra­fias, mate­rial e tudo mais.

4)     REPASSE CULTURA

Nossas esco­las estão abar­ro­ta­das de pes­soas que nem sem­pre têm von­tade de bus­car conhe­ci­mento, por vários moti­vos. Motivar pes­soas tam­bém é parte do tra­ba­lho do pro­fes­sor, não se esqueça. Conte para seus alu­nos a his­tó­ria da core­o­gra­fia que estão dan­çando, do bal­let que irão apre­sen­tar! Ajudar seus alu­nos a ir além é o motivo de você fazer o que faz. Então, faça inteiramente!

5)     DE TUDO UM POUCO

Por fim, vale lem­brar que cul­tura é tudo que está a nossa volta e deve­mos buscá-la em todas as for­mas pos­sí­veis. Do cinema à degus­ta­ção, do reper­tó­rio ao con­tem­po­râ­neo, vale tudo. Quanto mais cul­tura se ganha, mais se quer ganhar.

Para quem ama o que faz, essa é só mais uma maneira de ficar ainda mais em con­tato com a dança. Para quem pro­cura ser um ser humano mais com­pleto, é uma forma de tornar-se mais pen­sante, mais ques­ti­o­na­dor, mais dono da pró­pria arte.

Beijos e arrasem!

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
5 setembro 2014

Ballet ao vivo nos Cinemas e na Internet

Por

Quem de nós nunca dese­jou via­jar pelo mundo para acom­pa­nhar as estreias dos novos bal­lets ou das remon­ta­gens dos gran­des clás­si­cos, ence­na­das pelas melho­res e mais tra­di­ci­o­nais com­pa­nhias do mundo?

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Nicolas Le Riche no “Bolero” de Maurice Béjart, durante a sua des­pe­dida do Teatro do Ópera de Paris, no último dia 9 de julho.

Quem nunca amar­gou uma pon­ti­nha de tris­teza ao ver, nos cader­nos de cul­tura, a estreia do seu bal­let favo­rito, estre­lado por alguém que você adora, a milha­res de milhas de dis­tân­cia te fazendo sen­tir “excluído”…

No que diz res­peito às artes cêni­cas: o ama­du­re­ci­mento da tec­no­lo­gia wire­less; o aumento da capa­ci­dade de trans­mis­são e recep­ção de dados pela inter­net e a digi­ta­li­za­ção dos equi­pa­men­tos nas salas de cinema, que per­mi­ti­ram a recep­ção e a exi­bi­ção quase em tempo realde som e ima­gem com alta qua­li­dade, via saté­lite ou “stre­a­ming”, via­bi­li­za­ram ações de difu­são e de pro­mo­ção impen­sá­veis até bem pouco tempo atrás.

Embora não seja mais uma novi­dade, a trans­mis­são de espe­tá­cu­los ao vivo, pela inter­net ou para o cinema, criou pos­si­bi­li­da­des iné­di­tas de apro­xi­ma­ção e inte­ra­ção, entre as com­pa­nhias, seus inte­gran­tes e admi­ra­do­res e vêm con­quis­tando um público fiel e maior a cada temporada.

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Para quem não sabe, a ino­va­ção das trans­mis­sões para as salas de cinema foi de Peter Gelb, ex-diretor geral do Metropolitan Opera House, de Nova Iorque.

Segundo ele, as trans­mis­sões para os cine­mas foram ide­a­li­za­das para revi­ta­li­zar pla­teias e fomen­tar novos públi­cos para as mon­ta­gens do Met Opera.

Para Gelb, elas pare­ciam a coisa mais lógica a fazer para dar con­ti­nui­dade ao his­tó­rico da par­ce­ria de esta­be­le­ci­dahá mais de 80 anos, entre o Met e as cha­ma­das “mídias de massa”. (Em 1930, as mati­nês de domingo do Met Opera pas­sa­ram a ser trans­mi­ti­das pelo rádio, o meio mais “moderno” da época.)

Outra ques­tão apon­tada por Gelb na defesa das trans­mis­sões está rela­ci­o­nada aos custos:

Os cus­tos para se ope­ra­ci­o­na­li­zar uma mon­ta­gem e man­ter uma com­pa­nhia nos mol­des e padrões téc­ni­cos e artís­ti­cos do Metropolitan Opera House nunca decres­cem e a única alter­na­tiva para atin­gir­mos o fatu­ra­mento neces­sá­rio para man­ter a com­pa­nhia é um mix balan­ce­ado de recei­tas pro­ve­ni­en­tes: da venda de ingres­sos, das doa­ções e de novas for­mas de faturamento”.

A ini­ci­a­tiva deu tão certo que, em pouco tempo, atraiu a aten­ção de outras moda­li­da­des de artes cênicas.

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Companhias de tea­tro e de dança come­ça­ram a trans­mi­tir algu­mas das mon­ta­gens da tem­po­rada para o público mun­dial, pre­sente nos cine­mas ou aces­sí­vel pela internet.

Assim sur­gi­ram as tem­po­ra­das para os cine­mas do Royal Opera House, do Ballet Bolshoi, do Ballet da Ópera de Paris e de outras com­pa­nhias de dança.

Cada uma é via­bi­li­zada por con­trato espe­cí­fico de trans­mis­são e exi­bida por uma rede dife­rente de cine­mas. No Brasil, por exem­plo, a tem­po­rada do Royal Opera House (que inclui as mon­ta­gens do Royal Ballet) são exi­bi­das em salas da rede Cinemark e as do Teatro Bolshoi, pela rede UCI Cinemas.

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Recentemente tanto o Bolshoi quanto o ROH (Royal Opera House) divul­ga­ram as tem­po­ra­das 2014–2015 de dança nos cinemas.

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Royal Opera House

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Bolshoi Ballet

Seguindo a ten­dên­cia de trans­for­mar even­tos locais em acon­te­ci­men­tos para públi­cos mun­di­ais, a noite de des­pe­dida do bai­la­rino Nicolas Le Riche, do Ballet da Ópera de Paris, foi trans­mi­tida, ao vivo pela inter­net para o mundo todo.

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Nicolas Le Riche sendo ova­ci­o­nado no final sua noite de des­pe­dida do Ballet da Ópera de Paris.

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Este link para visu­a­li­za­ção per­ma­ne­cerá ativo até janeiro de 2015 para quem qui­ser rever este momento espe­cial de encer­ra­mento de uma car­reira admirável.

Novos lan­ça­men­tos

Outros efei­tos bené­fi­cos das trans­mis­sões foram: o aumento da velo­ci­dade com a qual novos títu­los são lan­ça­dos no mer­cado de home video (DVD e Blue Ray) e o sur­gi­mento de vários ser­vi­ços de “assi­na­tu­ras digi­tais” para acesso des­tes conteúdos.

O Ballet Bolshoi lan­çou nos últi­mos anos vários títu­los novos em DVD ou Blu Ray. Todos eles “rea­pro­vei­ta­men­tos” das cap­ta­ções fei­tas para as trans­mis­sões para os cinemas.

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O mesmo acon­te­ceu com o Royal Opera House, que che­gou ao ponto de com­prar o selo “Opus Arte”, para oti­mi­zar os cus­tos de cap­ta­ção e dis­tri­bui­ção das gravações.

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Assinaturas Digitais

Hoje há tam­bém canais de “TV online” dedi­ca­dos exclu­si­va­mente às artes.

Baseados em um sis­tema de assi­na­tura, esses canais dis­po­ni­bi­li­zam espe­tá­cu­los gra­va­dos e ao vivo, a par­tir de tea­tros e salas de con­cer­tos de todo o mundo. MEDICI TV, ARTE CONCERT e CLASSICAL TV e CULTURE BOX são alguns exemplos.

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No Brasil, a Osesp (SP) e a OSB (RJ) têm trans­mi­tido alguns de seus con­cer­tos pela inter­net, dis­po­ni­bi­li­zando os aces­sos a par­tir do pró­prio site, ou a par­tir de canais como o Medici TV.

A tec­no­lo­gia está per­mi­tindo que nós, os aman­tes de bal­lets, con­cer­tos ou óperas enfren­te­mos bar­rei­ras cada vez meno­res para acom­pa­nhar, viven­ciar e cole­ci­o­nar os lan­ça­men­tos deste universo.

Possibilitam a inte­ra­ção e o for­ta­le­ci­mento dos vín­cu­los entre as com­pa­nhias e seu público, mantendo-as “pre­sen­tes” de várias for­mas, com a maior cons­tân­cia pos­sí­vel, na mente de seus apreciadores;

Por último e não menos impor­tante: elas pos­si­bi­li­tam que, a par­tir de uma mesma cap­ta­ção, seja feita a distribuição/comercialização nos mais vari­a­dos for­ma­tos e supor­tes, cons­ti­tuindo várias fon­tes de fatu­ra­mento que cola­bo­ram para cobrir os cus­tos cres­cen­tes das pro­du­ções e asse­gu­rar a con­ti­nui­dade da oferta das mon­ta­gens de bal­lets, con­cer­tos e óperas, em padrões cada vez mais altos, de encenação.

É claro tam­bém que NADA subs­ti­tui o pra­zer de “cum­prir o ritual” de ir ao tea­tro, pro­cu­rar o seu assento e des­fru­tar da atmos­fera mágica que envolve uma apre­sen­ta­ção pre­sen­cial. É uma emo­ção única a cada espetáculo!

É ine­gá­vel porém que, para quem gosta e está impos­si­bi­li­tado de com­pa­re­cer fisi­ca­mente por ques­tões finan­cei­ras ou geo­grá­fi­cas, estas novas for­mas de acesso são úteis, váli­das e per­mi­tem, a sua maneira, uma expe­ri­ên­cia genuína e emo­ci­o­nante do que acon­tece nas artes mundo afora!

Eu sou super a favor. Vou sem­pre que posso! E você ? Já viu alguma trans­mis­são nos cine­mas ou na inter­net? O que achou?

Links úteis:

Informações sobre a tem­po­rada 2014–2015 do ROH nos cine­mas
http://www.roh.org.uk/news/royal-opera-house-live-cinema-season-201415

Informações sobre a tem­po­rada 2014–2015 do Ballet Bolshoi nos cine­mas: http://www.pathelive.com/fr/saisons/bolshoi-2014–2015

Despedida do Nicolas Le Riche

http://www.youtube.com/watch?v=nBucdEPLjWg

Entrevista de Peter Gelb para o Los Angeles Times sobre o Met Live in HD:

http://latimesblogs.latimes.com/culturemonster/2010/10/the-metropolitan-operas-movie-screenings-turns-5-despite-early-skepticism.html

Tânia Kury é publicitária, com especialização em comunicação e semiótica. Sempre de olho no que acontece no mundo do ballet, divide seus achados no blog Passo a Passo.
29 agosto 2014

Só Dança e a meia ponta perfeita!

Por

A Loja Ana Botafogo con­ver­sou com a Só Dança sobre um assusto que é inte­resse de todos: meia ponta.

LOGOTIPO

Muitas vezes nos con­cen­tra­mos tanto em encon­trar as sapa­ti­lhas de pon­tas per­fei­tas que esque­ce­mos nos­sas com­pa­nhei­ras mais anti­gas e essen­ci­ais: é com a meia ponta que pode­mos rea­li­zar um tra­ba­lho efi­ci­ente que trará resul­ta­dos mais rápi­dos e bene­fí­cios a longo prazo.

Quem conhece o enorme catá­logo da Só Dança sabe que exis­tem diver­sos mode­los, amor­te­ce­do­res, etc. Nosso agra­de­ci­mento a Sra. Glória Regina Sala, que nos aju­dou com as respostas:

• Como são desen­vol­vi­dos os mode­los de sapa­ti­lhas de meia ponta?
Todos os pro­du­tos da Só Dança são pen­sa­dos em aten­der o público da Dança, por isso, nosso depar­ta­mento de cri­a­ção é com­posto por pes­soas que hoje desen­vol­vem pro­du­tos, mas que já viven­ci­a­ram a Dança em algum de seus esti­los.
Além disso, temos con­sul­to­res que são bai­la­ri­nos e/ou pro­fes­so­res de refe­rên­cia em suas áreas e que par­ti­ci­pam do desen­vol­vi­mento de nos­sos pro­du­tos com suas con­sul­to­rias téc­ni­cas desde o desen­vol­vi­mento até a fina­li­za­ção.
Assim, para desen­vol­ver um modelo de sapa­ti­lha pas­sa­mos por várias eta­pas, que vão desde a veri­fi­ca­ção da neces­si­dade do mer­cado, atra­vés de várias fon­tes de pes­quisa, como fes­ti­vais de dança, pro­fes­so­res, dis­tri­bui­do­res, pro­fis­si­o­nais de dança/parceiros, pas­sando pelo desen­vol­vi­mento das fôr­mas, pes­quisa de mate­ri­ais, desen­vol­vi­mento da mode­la­gem, tes­tes de mate­ri­ais e de cal­ça­bi­li­dade em vários mer­ca­dos (naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais), com acom­pa­nha­mento de pro­fis­si­o­nais par­cei­ros, até che­gar à con­fec­ção do catá­logo e mate­rial de divul­ga­ção e à efe­tiva venda do produto.

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• Quais são os mode­los mais vendidos/pedidos?
Fabricamos sapa­ti­lhas meia-ponta para estu­dan­tes e pro­fis­si­o­nais. Os mode­los mais ven­di­dos para pro­fis­si­o­nais são F 43, F 44 e desde seu lan­ça­mento, a SD 16 — que é uma sapa­ti­lha em lona stretch — está tendo uma exce­lente aceitação.

• Como/onde é feita a pro­du­ção das sapa­ti­lhas?
Sapatilha de dança exige uma mão-de-obra bem trei­nada, por­que trata-se de um pro­duto semi manu­fa­tu­rado, sendo que os pro­ces­sos se divi­dem em: corte, cos­tura, mon­ta­gem, revi­são, acon­di­ci­o­na­mento em emba­la­gem e con­trole de qua­li­dade. Atualmente, a fabri­ca­çãoé feita em nos­sas 4 uni­da­des de pro­du­ção, sendo 3 no Brasil e 1 na República Dominicana.

• Quais os dife­ren­ci­ais dos pro­du­tos da marca?
Sem dúvida é a qua­li­dade de fabri­ca­ção, o que torna nos­sos pro­du­tos não só expor­tá­veis, mas tam­bém bem acei­tos nos mer­ca­dos mais com­pe­ti­ti­vos. Outro fator de des­ta­que é nossa pre­o­cu­pa­ção com a cal­ça­bi­li­dade das sapa­ti­lhas e sapa­tos que são ofe­re­ci­dos com vari­a­ções de lar­gura e nume­ra­ção de meio em meio numero, pro­por­ci­o­nando um con­forto superior.

• É pos­sí­vel rea­li­zar pedi­dos por enco­menda (que cores/materiais)?
Atendemos pedi­dos espe­ci­ais para con­fec­ção de figu­ri­nos para apre­sen­ta­ções em várias cores medi­ante con­sulta ao nosso esto­que de matérias-primas dis­po­ní­veis.
• Qual a rela­ção da marca bra­si­leira com as lojas inter­na­ci­o­nais da Só Dança?
A Só Dança é uma marca genui­na­mente bra­si­leira que man­tem dis­tri­bui­do­res — com esto­que e equipe de ven­das para aten­der lojis­ta­sem vários paí­ses, como Estados Unidos, Canadá, Portugal, Alemanha, Inglaterra, Austrália, África do Sul, México, Chile, Argentina e Paraguai. Enfim, pode­mos afir­mar que os pro­du­tos Só Dança são encon­tra­dos em mais de 40 paí­ses e em mais de 1.500 lojas especializadas.

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• Vocês tem algum tipo de ação de estrei­ta­mento de rela­ci­o­na­mento com o cli­ente?
Nos even­tos, tanto no Brasil quanto em diver­sos outros paí­ses, bus­ca­mos mais efe­ti­va­mente esse estrei­ta­mento. Para isso, con­ta­mos com equi­pes alta­mente trei­na­das no aten­di­mento e ori­en­ta­ção para a esco­lha do modelo indi­cado a cada tipo de pé e pro­fis­si­o­nais como o fisi­o­te­ra­peuta Dr. José Luiz de Bastos Melo — espe­ci­a­li­zado em lesões decor­ren­tes da dança — que atua como con­sul­tor e pales­trante sobre sapa­ti­lhas de ponta nos even­tos e em vídeos que a só Dança pro­duz e dis­tri­bui com abor­da­gens espe­cí­fi­cas para lojis­tas e outros com dicas para bai­la­ri­nos que são vei­cu­la­dos no site da marca.
Além disso, as ex-bailarinas pro­fis­si­o­nais Anne Polajenko, nos Estados Unidos e Canadá, e Claudia Zaccari, na Itália, desen­vol­vem um tra­ba­lho em even­tos e junto a Companhias e esco­las de dança ori­en­tando na esco­lha e apre­sen­tando os resul­ta­dos do uso de mode­los que ofe­re­çam cal­ça­bi­li­dade ideal para cada tipo de pé.
Essa mesma pre­o­cu­pa­ção com a rela­ção entre cal­ça­bi­li­dade e saúde dos pés de cada con­su­mi­dor é dada no desen­vol­vi­mento de pro­du­tos para outros esti­los de dança, como o sapa­te­ado, onde con­ta­mos com a expe­ri­ên­cia e asses­so­ria de pro­fis­si­o­nais como Chris Matallo, por exemplo.

Para quem nunca expe­ri­men­tou uma meia ponta da Só Dança, fica nosso con­vite para ten­tar e enten­der por­que a marca é refe­rên­cia em con­forto e desem­pe­nho!
Beijos e arrasem!

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
26 agosto 2014

Dicas infalíveis pra sua aula de ballet

Por

Olá, hoje trago algu­mas dicas para sua aula ser perfeita!

1– Faça um coque bem feito!
A coisa mais impor­tante é que seu cabelo não cair. Se você tiver franja prenda-a para trás com uma faixa de cabeça ou com um tic-tac.

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2– Acessórios
Não vá para aula com brin­cos grande, pul­sei­ras, reló­gio, unhas gran­des, cola­res e demais aces­só­rios que pos­sam atra­pa­lhar você e suas ami­gas durante a aula.

3– Uniforme
Atente-se aos itens do seu uni­forme, vá ao bal­let de meia, col­lant, sapa­ti­lha e qual­quer outro item que seja exi­gido ou suge­rido pela sua escola ou professor.

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4– Desligue o celu­lar
Hora da aula não é hora de aten­der o celu­lar, ou aces­sar a Internet. Sua aten­ção deve ser vol­tada à aula.

5– Bolsa
Deixe sua bolsa arru­mada com tudo que você pre­cisa e o que pode pre­ci­sar. Nunca se sabe o que vai acon­te­cer, é bom se pre­ve­nir e ter uma bolsa completa.

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6– Chegue mais cedo
Você deve che­gar à aula de dança pelo menos 15 minu­tos mais cedo. Isso lhe dá tempo para se aque­cer, con­ver­sar com seus ami­gos e estar pronto para a aula no tempo.

7– Aquecimento
Aproveite que che­gou mais cedo para se aque­cer e garan­tir que não se machuque.

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Tenham todos uma ótima aula!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
21 agosto 2014

Festival de Dança de Joinville

Por

Como assim já aca­bou, gente?

O 32º Festival de Dança de Joinville bom­bo­oou! E adi­vi­nhem quem apa­re­ceu por aqui? Sim, foi a nossa que­rida Ana Botafogo e quem esteve na Feira da Sapatilha teve a honra de encontrá-la! Ana, sem­pre muito cari­nhosa e edu­cada, foi super aten­ci­osa com todos os admi­ra­do­res de sua arte, auto­gra­fou a sapa­ti­lha da galera e os sor­tu­dos que esta­vam por lá ainda tive­ram direito a selfie!

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 Foto: Sofia Araldi

Aqui, durante o inverno de Santa Catarina, rolou o 32º Festival de Dança de Joinville. A galera par­ti­ci­pou da Mostra Competitiva, apresentou-se nos Palcos Abertos, nas pra­ças, shop­pings e até em hos­pi­tais! Na noite de aber­tura, a com­pa­nhia mineira Grupo Corpo foi a res­pon­sá­vel por lotar o Centreventos Cau Hansen, e na noite de Gala, foi a vez do Balé da Cidade de São Paulo.

Com uma média de 170 horas de espe­tá­culo, o Festival de Dança de Joinville atrai público supe­rior a 200 mil pes­soas, sim, eu disse 200 mil pes­soas! Cês têm noção do que é isso? É gente pra dedéu! Agora ficou fácil enten­der por­que esse é con­si­de­rado o Maior Festival de Dança do Mundo pelo Guiness Book desde 2005!

Teve tam­bém audi­ção na Escola do Teatro Bolshoi. No total, 559 can­di­da­tos de diver­sas par­tes do Brasil e do exte­rior con­cor­re­ram para ingres­sar na ins­ti­tui­ção: 467 para dança clás­sica e 92 para dança con­tem­po­râ­nea. Foram apro­va­dos 15 can­di­da­tos. Para mais infor­ma­ções, aces­sem o site: http://migre.me/kX17O

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Foto: Vanderleia Macalossi

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Foto: Vanderleia Macalossi

E pen­sar que há quase qua­tro anos era eu quem sen­tia aquele fri­o­zi­nho na bar­riga, era eu quem ficava aper­tando F5 sem parar com a página do Bolshoi aberta…  E eis que a lista surge com o meu nome. Beijo, até a próxima!!

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Foto: Marcelo Elo

Minha irmã Vitória — a bai­la­rina caçula da família-“se achando” ao lado da Ana.

Sofia Araldi é natural do Rio de Janeiro, estudante da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, apaixonada por dança e filmes antigos.
20 agosto 2014

Pesquisa

Por

Atenção, bai­la­ri­nas!

cartaz ballet v3 As ava­li­a­ções acon­te­cem de segunda a sexta, das 8h as 20h, até Dezembro.

Aproveite para par­ti­ci­par e aju­dar nesta pes­quisa super impor­tante para nós!

 

Mariana é jornalista, adora escrever e acompanha tudo relacionado às artes!
19 agosto 2014

Primeiros passos

Por
Foto por: KCBalletMedia

Uma tra­je­tó­ria de mil pas­sos começa com o primeiro.

Não sei com quan­tos pas­sos se faz uma bai­la­rina, mas sei que o mais difí­cil deles é o primeiro.

E quanto mais a gente adia, mais difí­cil ele se torna. A minha pai­xão pelo bal­let foi adi­ada pela dita­dura. Aos treze anos, quando ensai­ava o meu pri­meiro passo, fui vio­len­ta­mente des­per­tada por uma rea­li­dade que não dei­xava dúvida: sobre­vi­ver, ape­nas, já era um grande sonho.E sobre­vi­ve­mos. Sobrevivemos à expul­são do meu pai, acu­sado de sub­ver­são pela Marinha. Sobrevivemos ao cho­que de rea­li­dade, que devo­rava com per­ver­si­dade uma alma de bailarina.

Por outro lado, caso não fosse essa a minha his­tó­ria, não esta­ria, hoje, podendo ins­pi­rar pes­soas na busca de suas rea­li­za­ções igual­mente tar­dias. Deus escreve certo por pas­sos tortos.

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Não sei de quan­tos pas­sos será a minha tra­je­tó­ria, mas quero poder olhar para o pas­sado ali­vi­ada por ter dado o pri­meiro, que vai ficando cada vez mais dis­tante, enquanto o esforço do dia-a-dia vai desa­bro­chando uma ines­pe­rada bai­la­rina. E a espe­rança de que vai haver um “depois” nos ajuda a acei­tar um frus­trante “antes”.

Passo a passo, venho me equi­li­brando nesse sonho, que não exis­ti­ria se não fosse o pri­meiro. Olho para este vídeo, gra­vado em janeiro de 2012, e ao invés de sen­tir ver­go­nha pelas defi­ci­ên­cias que hoje enxergo tão cla­ra­mente, sinto é um alí­vio enorme de já ter supe­rado algu­mas delas. E isso é de uma feli­ci­dade imensa, a feli­ci­dade de reco­nhe­cer que, como já aler­tava Fernando Pessoa, tudo vale a pena, quando a alma não se apequena.

Imagem de Amostra do You Tube
Como jornalista, Christine White trabalhou em grandes veículos de comunicação, no Brasil e nos Estados Unidos, até decidir, aos 50 anos, realizar um sonho antigo: tornar-se uma bailarina. E de técnica refinada. Aqui, ela relata o dia-a-dia da transformação que tem vivido desde janeiro de 2012. E com o mesmo apetite pela informação que marcou sua vivência como repórter, ora numa CNN, ora numa Rádio Jornal do Brasil; Christine encontra agora novos caminhos para seu aprendizado "tardio" do ballet, e divide conosco seus achados. Espero q esteja a contento e seja útil para o público. Obrigada pela oportunidade! Bjs,
12 agosto 2014

A bailarina que dança com a alma

Por

Tombé, pas de bour­rée, glis­sade, pas de chat! Tombé, pas de bour­rée, glis­sade, pas de chat! Tombé, pas de bour­rée, glis­sade, pas de chat.

A voz da pro­fes­sora é enér­gica. As alu­nas evo­luem na dia­go­nal da sala, repe­tindo, com­pas­sa­da­mente, a sequên­cia de movi­men­tos. Repetem uma, duas, três, vinte vezes. O can­saço é visí­vel, mas elas não param. Só mesmo quando a música chega ao fim e a pro­fes­sora troca de passo. Baterias e gran­des sal­tos reve­lam que está quase no final. A reve­rence sina­liza que a aula aca­bou. Pelo menos aquela, acabou.

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A turma parece exausta. O suor escorre pelo corpo, marca o chão de tábuas cor­ri­das, deixa no ar uma atmos­fera tensa, de tra­ba­lho duro e sofrido. Pés esfo­la­dos, cale­ja­dos, incha­dos, mús­cu­los dolo­ri­dos, abso­lu­ta­mente esgo­ta­dos por fou­ettès e bat­te­ments inter­mi­ná­veis. Ao con­trá­rio do que se possa ima­gi­nar, entre­tanto, tudo isso sig­ni­fica feli­ci­dade, bem-estar, rea­li­za­ção. A cena — que pode até pare­cer estra­nha para alguns — na ver­dade é mais uma etapa na exaus­tiva rotina de bai­la­ri­nas e bailarinos.

Uma das alu­nas, a mineira Clara Spinelli Bittencourt, 25 anos (em nada mesmo parece dife­rente das outras), mas – acre­di­tem – é defi­ci­ente audi­tiva. Apesar disso, dança e dança lin­da­mente. “Minha mãe era pro­fes­sora de bal­let e tinha uma aca­de­mia na pequena cidade onde morá­va­mos em Além Paraíba. Cresci nesse meio. Assim – aos qua­tro anos — o bal­let che­gou até mim, atra­vés de minha mãe. Já dan­çava den­tro da bar­riga dela, acredito!”

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Aliás, esta é a vida de Clarinha que adora dan­çar em qual­quer tempo ou lugar. “Comecei a fazer aulas cedo e não parei mais. Sinto a música atra­vés da vibra­ção do som, fun­ci­ona mais ou menos como se fosse tele­pa­tia. A con­ta­gem e o ritmo come­çam ao mesmo tempo, sem­pre, claro, com a ajuda dos pro­fes­so­res. Desta forma a ener­gia da música entra no meu corpo pelos pés, pelos bra­ços e pela mente. Fiz tra­ta­mento com uma fono­au­dió­loga para apren­der a lin­gua­gem oral falada. Em fun­ção disso não tenho pro­ble­mas nessa área. Quanto a ouvir as res­tri­ções são mai­o­res já que minha audi­ção é resi­dual. Infelizmente não uso nenhum tipo de apa­re­lho. São todos muito caros e não temos – minha famí­lia e eu – renda sufi­ci­ente para comprá-los.”

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Guardar a sequên­cia dos pas­sos durante as aulas é bem mais fácil para ela. “A grande difi­cul­dade é quando – sem que­rer – a pro­fes­sora fica de cos­tas, e não dá para acom­pa­nhar a lin­gua­gem labial. Assim me perco mesmo e fico sem saber real­mente qual é o passo que vem a seguir. Quando danço, sinto uma feli­ci­dade e um orgu­lho tão grande que me vem a cer­teza de que nada é impos­sí­vel. Basta que­rer. Os obs­tá­cu­los me fazem ten­tar melho­rar mais ainda. Meu cora­ção fica tomado por sen­ti­men­tos de paz, liber­dade e bem estar.”
Ela pode até não ouvir a música, mas con­fessa que a musi­ca­li­dade vem de den­tro para fora do seu corpo. “Preciso da vibra­ção para sen­tir os sons e isso só acon­tece quando a música está bem alta. Já quando salto, perco este con­tato. Aí pre­ciso me guiar pelo ritmo e pela con­ta­gem dos compassos.”

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Clarinha gos­ta­ria muito de ser bai­la­rina pro­fis­si­o­nal, mas diante de tan­tos pro­ble­mas e da falta de incen­tivo do governo– que se recusa a inves­tir em cul­tura — sabe que não pode ir longe demais. Recebe muita ajuda dos ami­gos, reco­nhece a gene­ro­si­dade infi­nita de algu­mas pes­soas, mas admite que para “ado­tar” o bal­let como pro­fis­são pre­ci­sa­ria de muito mais.

Aluna apli­cada do Centro de Artes Madeleine Rosay e de Sahyli Presmanes, faz ques­tão tam­bém de agra­de­cer a pro­fes­sora Claudia Freitas, da Sala Lennie Dale, que acom­pa­nha seus pas­sos desde pequena. “Clara é extre­ma­mente comu­ni­ca­tiva e a lin­gua­gem da dança tornou-se a sua pró­pria forma de se comu­ni­car. Ela é capaz de tra­du­zir e colo­car a alma nos movi­men­tos que excuta com a mesma sen­si­bi­li­dade de quem escuta ou até ainda melhor”, acres­centa Claudia.

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Com a força das pro­fes­so­ras, ambas gran­des incen­ti­va­do­ras de sua car­reira, acre­dita no sonho de um dia — ape­sar dos obs­tá­cu­los – vir a ser uma grande bai­la­rina. “Sou exi­gente comigo. Estou sem­pre me esfor­çando para dar o melhor de mim em tudo que faço. Além disso, é extre­ma­mente pra­ze­roso tra­ba­lhar com o corpo, trans­mi­tindo sen­ti­men­tos e emo­ci­o­nando as pessoas.”

A menina que “ama a vida” tam­bém sonha com um curso de pós-graduação em Arquitetura e, claro, com outro de bal­let, os dois fora do Brasil. E deixa um recado muito espe­cial e extre­ma­mente deli­cado (assim como ela) a todos que aca­len­tam o mesmo ideal. “Não tenha medo. Nunca é tarde para come­çar. Importante mesmo é fazer aquilo que nos dá pra­zer sem­pre com muita dedi­ca­ção. Os sonhos não podem dei­xar de fazer parte da nossa vida. Mas é pre­ciso esforço para que eles virem rea­li­dade. Sonhos sem ati­tu­des ficam ape­nas no pen­sa­mento. É impor­tante que se trans­for­mem em ações.”

Agora, emocione-se tam­bém (e muito) com as pala­vras “encan­ta­das” de Clara Spinelli Bittencourt espe­ci­al­mente dedi­ca­das a Cristina Martinelli, uma de nos­sas mai­o­res artistas.

Cristina Martinelli Cisne Negro Camarim

Lembro tão bem .… eu não tinha refe­rên­cia pro­fis­si­o­nal até conhecê-la. Minha admi­ra­ção por ela é enorme, seja pela supe­ra­ção, pela moti­va­ção, não importa. Bendito o dia em que resolvi colocá-la na minha vida. Aprendi tanto, mas tanto!

Cristina che­gou como uma mani­fes­ta­ção artís­tica, expres­sando sím­bo­los. Como sou defi­ci­ente audi­tiva e ela estava bem do meu lado sem­pre mer­gu­lhada em um belís­simo tra­ba­lho cor­po­ral, a expres­si­vi­dade de seus movi­men­tos, me aju­dou a senti-la, mesmo sem escu­tar a música. E assim – colo­cando para fora o lado mais pro­fundo de suas emo­ções e de seu talento – me fez per­ce­ber que ali come­çava o ver­da­deiro ritmo do coração.

Cristina Martinelli Cisne Branco

Devo demais a ela. E é com pro­funda gra­ti­dão que agra­deço as lágri­mas, os risos e mui­tas outras sen­sa­ções que hoje fazem parte de mim. Por suas mãos fui con­du­zida ao que exis­tia de mais sen­sí­vel neste mundo de magia que é a dança de estar viva. Ajudou-me tam­bém a fazer da sobre­vi­vên­cia um cami­nho para con­vi­ver com minha alma de artista. Fico ima­gi­nando o quanto Cristina Martinelli lutou para ven­cer obs­tá­cu­los, o quanto ser­viu e ainda serve de exem­plo de fibra e deter­mi­na­ção. Minha que­rida te desejo muito, muito sucesso. Obrigada por tudo. Você será sem­pre a minha maior inspiração.”

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
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