29 outubro 2014

10 coisas que apendi com o ballet

Por

Ao longo des­ses anos bai­la­ri­nando e dando aulas de bal­let, aprendi algu­mas coi­sas que trago pra minha vida.

10 coi­sas que apendi com o ballet:

1 — Cada pes­soa tem seu tempo
Nem todo mundo vai apren­der no mesmo tempo e com as mes­mas faci­li­da­des das outras pes­soas. É pre­ciso enten­der isso, estando você apren­dendo ou ensi­nando. É pre­ciso con­se­guir per­ce­ber isso tam­bém. Aceitar se você é a pes­soa que demora para apren­der e res­pei­tar se você é o pro­fes­sor que pre­cisa lidar com quem não con­se­gue assi­mi­lar tão rápido, ou até assi­mila, mas não faz.

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2 — Tudo tem seu tempo
Nada acon­te­cerá do dia pra noite. No iní­cio, seja das aulas, seja na mon­ta­gem de core­o­gra­fias, seja no começo do tra­ba­lho nas pon­tas, tudo pare­cerá muito difí­cil. Só a prá­tica vai faci­li­tar. Não dá para desis­tir, a não ser que você, como aluno, se sinta mal indo às aulas.

3 — Devemos fazer o que gos­ta­mos
Não adi­anta fazer por­que a mãe quer ou por­que a escola deter­mina: não vai dar certo!!! Nem com a pes­soa que tem a maior faci­li­dade do mundo. Se ela não gosta, ela não deve ir. E tem gente que gosta, mas tem difi­cul­da­des. Essa pes­soa sim, vai cres­cer aos pou­cos, vai evo­luir, por que ela quer estar ali e quer os resul­ta­dos. Se sen­tir bem é o pri­meiro passo.

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4 — Ser res­pon­sá­vel
O bal­let é dis­ci­pli­na­dor. Você se torna mais res­pon­sá­vel e ganha tam­bém con­cen­tra­ção ao fazer as aulas. Chegue no horá­rio, use os uni­for­mes, res­peite o pro­fes­sor, bus­que melho­rias, tudo isso e muito mais faz parte da rotina de quem faz bal­let e isso vai para a vida toda.

5 — Não jul­gar o tra­ba­lho alheio
Quando a gente sabe a difi­cul­dade que é, apren­de­mos a ver o tra­ba­lho dos outros com outros olhos. Antes de sair achando algo muito ruim, vale pen­sar que aque­las pes­soas podem não ter estru­tura para fazer melhor, mas mesmo assim estão ten­tando, não desis­ti­ram de dan­çar e dos seus sonhos.

6 — Lidar com os sonhos das pes­soas
Como pro­fes­sora, devo lem­brar sem­pre que estou lidando com os sonhos daquela pes­soa. Portanto, muito cui­dado com as pala­vras, elas têm poder. Demorei para per­ce­ber isso e me colo­car no lugar das pes­soas é um exer­cí­cio que tento fazer dia­ri­a­mente para lidar com elas da melhor forma possível.

7 — Ensinar é apren­der
A pes­soa que mais aprende é aquela que ensina. Ela aprende a ensi­nar, aprende a se per­ce­ber e aprende com os erros e acer­tos das pes­soas que estão apren­dendo.  E busca mais infor­ma­ções para passar.

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8 — Passa mais ver­go­nha quem tem ver­go­nha
Quanto menos ver­go­nha você tem, menos ver­go­nha você passa. Se você for muito tímido, todos irão te notar.

9 — Nada vem de graça
“Nem o pão, nem a cachaça”. Para qual­quer coisa na vida você vai pre­ci­sar lutar muito para con­se­guir. Repetição, can­saço, exaus­tão, dis­ci­plina… Pra tudo. Precisa sem­pre fazer o seu melhor.

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10 — Comer para viver e não viver para comer
Alimentar-se sau­da­vel­mente fará bem pro corpo e pra mente.

E você, quais lições tirou e tira dia­ri­a­mente da aula de ballet?

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
24 outubro 2014

8° Seminário de Dança da Faculdade Angel Vianna

Por

Alô, alô, bailarinos!

Acontece até 26 de outu­bro, no Teatro Cacilda Becker, um semi­ná­rio impor­tante a quem se inte­ressa à pro­du­ção de dança. O evento se carac­te­riza pela cri­a­ção de um amplo campo de diá­logo entre diver­sas pers­pec­ti­vas que atra­ves­sam a exis­tên­cia no corpo.

Os con­vi­da­dos são: Ivaldo Bertazzo, Helena Katz, Dulce Aquino, Lola Brikman, Nereida Vilela, Jorge Albuquerque, todos em diá­logo com Angel. Além dos deba­tes com par­ti­ci­pan­tes do Brasil inteiro, acon­te­cem aulas prá­ti­cas, con­fe­rên­cias, pales­tras e performances.

O encon­tro dos coreó­gra­fos Paulo Caldas, Maria Alice Poppe, Márcia Rubin, Alexandre Franco, Fred Paredes e Esther Weitzman, por exem­plo, é um dos pon­tos altos do evento, segundo os organizadores.

Para outras infor­ma­ções visite o site da escola: http://www.escolaangelvianna.com.br/

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
21 outubro 2014

Cisnes no lago

Por

O Boston Ballet encon­trou uma forma super cri­a­tiva de divul­gar a nova mon­ta­gem de um dos balés mais clás­si­cos do mundo, O Lago dos Cisnes. Veja só:

Imagem de Amostra do You Tube

A ini­ci­a­tiva tam­bém foi pra recriar a per­for­mance e foto his­tó­rica do Lago dos Cisnes feita sobre as águas em 1970.

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
16 outubro 2014

Usando breu no ballet

Por

As solas de sapa­ti­lhas são natu­ral­mente escor­re­ga­dias quando novas.

Por isso, as bai­la­ri­nas usam breu para dei­xa­rem áspe­ras até as solas de suas sapa­ti­lhas pro­por­ci­o­na­rem alguma ade­rên­cia em pisos de madeira.

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Mas o que é Breu?
Significado: O breu-branco é uma forma sólida de resina de odor natu­ral agra­dá­vel e fresco, que nasce do cerne do tronco de uma árvore da Floresta Amazônica. Tem uma forte capa­ci­dade de aumento do atrito, que o torna ade­quado para aumen­tar a ade­rên­cia e o con­trole.
Nada de escor­re­gar!!
Como usar em sala de aula:
– Despeje um punhado de breu no chão em um canto da sala de dança ou fora do palco. Em um piso de madeira ou em uma caixa de breu (pequena caixa de madeira, rasa).
– Coloque suas sapa­ti­lhas ou sapa­ti­lhas de ponta. Coloque um pé na caixa de breu e esfre­gue a parte supe­rior da planta do seu pé no breu. Tire o pé e passe a mão no breu ao lado da caixa ou no chão para remo­ver o excesso.
– Mergulhe rapi­da­mente o cal­ca­nhar na caixa de breu. Bata o cal­ca­nhar na borda da caixa ou no chão para remo­ver o excesso de breu.
– Esfregue toda a planta do pé para garan­tir que seus pés este­jam gru­dando um pouco, mas não exces­si­va­mente pega­jo­sos ou exces­si­va­mente escor­re­ga­dios.
Com o tempo esse breu vai colando na sua sapa­ti­lha e dei­xando elas sujas, pois toda a sujeira do chão fica colada nela.
Não exa­gere!
Tudo que é exa­ge­rado não é bom. Não use muito breu, uma vez que ele irá aglomerar-se e impe­dir você de ser capaz de girar.

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Onde com­prar?
Em lojas de mate­rial de cons­tru­ção.
As pedri­nhas vem num saqui­nho, você as que­bra com o pró­prio pé ;)

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
13 outubro 2014

Dança On-Line

Por
Foto por: KCBalletMedia

Distância não é mais desculpa.

Hoje o pro­fis­si­o­nal da dança encon­tra diver­sas for­mas de atu­a­li­za­ção e fon­tes de conhecimento.

Durante sécu­los, vive­mos em um mundo onde era neces­sá­rio o des­lo­ca­mento para conhe­cer coi­sas e pes­soas novas. Com os avan­ços da tec­no­lo­gia, desenvolveram-se novas for­mas de conhe­cer. O encur­ta­mento de dis­tân­cias gra­ças aos avan­ços da inter­net criam meca­nis­mos que podem favo­re­cer o pro­fis­si­o­nal inte­res­sado em bus­car conhe­ci­mento e somar seu reper­tó­rio cul­tu­ral e pessoal.

Aqui, segue uma pequena lista de sugestões:

SITES

Hoje temos a sorte de encon­trar sites das mais dife­ren­tes moda­li­da­des de dança – com infor­ma­ções exclu­si­vas e de fon­tes con­fiá­veis. Vale a pena conhe­cer o tra­ba­lho das com­pa­nhias internacionais.

Deixo aqui o exem­plo do reche­ado site do New York City Ballet, que con­tém infor­ma­ções mil: do elenco atual, pas­sando pelo calen­dá­rio ofi­cial de apre­sen­ta­ções, até a his­tó­ria e os reper­tó­rios já montados.

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APLICATIVOS
A Royal Academy of Dance lan­çou no ano pas­sado o apli­ca­tivo para Android e IOS, onde pode-se com­prar as maté­rias dos exa­mes. Aos pou­cos, os níveis estão sendo atu­a­li­za­dos e as maté­rias novas já estão dis­po­ní­veis para com­pra no aplicativo.

Quem tra­ba­lha com esse mate­rial ficou exta­si­ado: não é mais neces­sá­rio aguar­dar os livros e CDs che­ga­rem do Reino Unido, o que pode­ria levar até 2 messes.

Outras com­pa­nhias tam­bém estão lan­çando apli­ca­ti­vos para com­pra de ingres­sos e informações.

VÍDEOS
Precisando de ins­pi­ra­ção? A inter­net tem um acervo incrí­vel de tra­ba­lhos de dança e mon­ta­gens core­o­grá­fi­cas para ins­pi­rar os pro­fis­si­o­nais da dança.

Além disso, lições de his­tó­ria da dança, lei­tura de nota­ção de movi­mento e tuto­ri­ais mil com­põem o que se pode bus­car online.

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
Para quem busca se atu­a­li­zar sem­pre, a edu­ca­ção a dis­tân­cia pro­põe uma alter­na­tiva nova. No Brasil, temos a Universidade Livre da Dança. Os cur­sos vão de ceno­gra­fia e ilu­mi­na­ção a com­po­si­ção core­o­grá­fica – e todos os cur­sos são com­ple­ta­mente em por­tu­guês e pos­suem certificado.

Sem título

Quem ama a dança sem­pre busca mais. Então vamos apro­vei­tar o lado bom da inter­net para apri­mo­rar nos­sos conhe­ci­men­tos e repertório!

Minhas suges­tões:
http://www.nycballet.com/
http://www.royalacademyofdance.com.br/
http://www.cursosdedanca.com.br/

Beijos e arrasem!

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Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
9 outubro 2014

Dia das crianças no Municipal

Por

Pela pri­meira vez o Theatro Municipal criou uma pro­gra­ma­ção espe­cial pro Dia das Crianças, então é hora de nós aproveitarmos!

Nada melhor do que ensi­nar aos peque­nos o amor pela dança e pelas artes bem cedi­nho, não é mesmo?

A pro­gra­ma­ção está assim:

JOÃO E MARIA
Dias 15, 22 e 29, às 12h — ÓPERA DO MEIO-DIA
Solistas do Coro do Theatro Municipal

Este Projeto tem visa divul­gar a ópera, ofe­re­cer arte a quem tra­ba­lha no Centro durante a pausa para des­canso e dar opor­tu­ni­dade aos inte­gran­tes do Coro de se apre­sen­ta­rem em solo ao público. Cada espe­tá­culo acon­tece no Foyer do Theatro Municipal e dura uma hora.

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Atração em home­na­gem ao Mês das Crianças, esta ópera do com­po­si­tor ale­mão Engelbert Humperdinck (1854 – 1921) foi base­ada no conto homô­nimo dos irmãos Grimm e con­cluída em 1883. Ela conta a his­tó­ria de dois irmãos que se per­dem na flo­resta e durante a pro­cura pelo cami­nho de volta e encon­tram uma casa coberta de doces, onde mora uma bruxa mal­vada. João e Maria é con­si­de­rada o exem­plo mais bem-sucedido de ópera com temá­tica infantil.

Música: Engelbert Humperdinck

Conto de Fadas: Adelheid Wette
Tradução e adap­ta­ção: Dante Pignatari

Elenco:
Danielle Gregório, soprano – Maria
Vivian Delfini, mezzo-soprano – João
Geilson Santos, tenor – Bruxa
Ciro D’Araújo, barí­tono – Pai
Magda Belloti, soprano – Mãe

Pianista: Priscila Bomfim

Direção Cênica: Homero Velho
Direção Musical: Jésus Figueiredo
Direção Geral: Bruno Furlanetto

Foyer do Theatro Municipal
Capacidade: 100 luga­res não marcados

Classificação etá­ria: livre
Duração: 60 minu­tos
Preço único — R$ 5,00

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O PEQUENO PRÍNCIPE
Dias 11, 18 e 26, às 16h — Integrantes da ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL

Escrito há mais de meio século pelo autor e piloto fran­cês Antoine de Saint-Exupéry, o texto foi adap­tado por Lara Velho, dire­tora geral da mon­ta­gem. O Pequeno Príncipe é um dos livros mais ven­di­dos no mundo, com 118 tra­du­ções e mais de 20 milhões de exem­pla­res ven­di­dos só na lín­gua fran­cesa. Esta pro­du­ção foi mon­tada em Brasília em outu­bro de 2005 e con­tou com a par­ti­ci­pa­ção da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional sob a regên­cia do Maestro Silvio Barbato. O espe­tá­culo foi recorde de público, levando mais de 4.600 pes­soas ao Teatro Nacional Claudio Santoro em sua cur­tís­sima tem­po­rada de ape­nas três apresentações.

Texto: Antoine de Saint-Exupéry
Adaptação: Lara Velho
Elenco: João Velho, Antônio Rabello, Paulo Cesar Pereio e Elke Maravilha
Participação: Coral Infantil da UFRJ

Direção cênica: Neila Tavares
Música ori­gi­nal e regên­cia: Glauco Fernandes

Preços:
Frisas e Camarotes – R$ 420,00
Plateia e Balcão Nobre – R$ 70,00
Balcão Superior – R$ 50,00
Galeria – R$ 20,00

Quer con­fe­rir a pro­gra­ma­ção com­pleta deste mês no Municipal? É só cli­car aqui.

Bom pas­seio!

Mariana é jornalista, adora escrever e acompanha tudo relacionado às artes!
29 setembro 2014

Equilíbrio no ballet

Por

Para dan­çar bal­let, tra­ba­lhar seu equi­lí­brio se faz neces­sá­rio e por­que não dizer essen­cial, levando em con­si­de­ra­ção que mui­tos pas­sos são fei­tos com o peso do corpo em ape­nas uma perna de apoio, ou no demi pointé ou nas pon­tas.
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O que é equi­lí­brio?
Dá-se o nome de equi­lí­brio à situ­a­ção em que se encon­tra um corpo quando, ape­sar de ter pouca base de sus­ten­ta­ção, se con­se­gue man­ter sem cair.
Entenda como o equi­lí­brio fun­ci­ona.
Quando em per­feito equi­lí­brio, seu cen­tro de gra­vi­dade está exa­ta­mente acima do ponto onde você toca no chão (ou, se hou­ver vários des­ses pon­tos, entre eles). Para o corpo humano, sendo como é, é impos­sí­vel con­ti­nuar exa­ta­mente nessa posi­ção por muito tempo; os des­vios dessa pos­tura ideal em breve irão apa­re­cer e aumen­tar rapi­da­mente (em outras pala­vras, você vai come­çar a balan­çar). A fim de man­ter seu equi­lí­brio, você pre­cisa saber o quanto antes quando isso acon­tece; os des­vios são fáceis de cor­ri­gir quando você os observa na hora, mas quando você os observa tarde demais, vai se tor­nar muito difí­cil vol­tar a uma posi­ção de equi­lí­brio e você vai cair.

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Exercícios para trei­nar o equi­lí­brio
Manter seu olhar focado em algo esta­ci­o­ná­rio enquanto se equi­li­bra torna mais fácil manter-se está­vel, pois per­mite que você veja quando está se movendo em com­pa­ra­ção com a coisa que você está olhando. Quão útil esta entrada visual é depende da dis­tân­cia entre você e o ponto para o qual está olhando. Se você olhar para algo perto de você, você vai notar facil­mente quando se mover e ajus­tará sua posi­ção incons­ci­en­te­mente. Se você olhar para algo mais ao hori­zonte, os movi­men­tos sutis se tor­na­rão muito mais imper­cep­tí­veis. A visão peri­fé­rica tam­bém é usada para refe­rên­cia de equi­lí­brio, assim, você só vai estar com­ple­ta­mente des­pro­vida de ajuda visual quando seu campo de visão inteiro esti­ver cheio de coi­sas dis­tan­tes. (Ou quando seus olhos esti­ve­rem fechados).ndo ouvir o seu corpo. Sinta como ele oscila ligei­ra­mente e cor­rige sua pos­tura o tempo todo. A sen­sa­ção será mais per­cep­tí­vel quando os pés estão jun­tos. Esta é uma boa maneira de conhe­cer as sen­sa­ções do sis­tema ves­ti­bu­lar e um bom exer­cí­cio para refi­nar este sen­tido. Haverá pouco ou nenhum risco de cair com este exer­cí­cio, mas, uma vez que a sen­sa­ção é muito sutil, exi­girá alguma paci­ên­cia e concentração.

Para uma forma mais prá­tica, tente se equi­li­brar em uma perna por, diga­mos, meio minuto. Se você se sen­tir ins­tá­vel, tente dobrar o joe­lho levemente.

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Para desen­vol­ver seu senso de equi­lí­brio ainda mais, em vez de se apoiar em uma perna, repita os pas­sos acima com o pé sobre várias coi­sas imó­veis, cujas super­fí­cies sejam meno­res ou mais estrei­tas do que a sola do seu pé. Procurar coi­sas sobre as quais pisar em todos os luga­res ao seu redor; meio-fios, muros bai­xos, ban­qui­nhos, etc. Quanto menor a super­fí­cie de con­tato entre o pé e a coisa imó­vel, mais difí­cil será man­ter o equi­lí­brio.
Com o tempo você tam­bém pode come­çar a se equi­li­brar na meia ponta ou na ponta, em vez de se apoiar em toda a sola do pé, sem­pre ten­tando ficar cada vez mais na mesma posi­ção.
O equi­lí­brio será muito impor­tante em mui­tos exer­cí­cios, este trei­na­mento ajuda a melho­rar o seu balance.
Mais dicas:
– Faça abdo­mi­nais e você deve notar uma melhora no seu equi­lí­brio.
Abdômen forte ajuda por esta­rem tra­ba­lhando mús­cu­los cen­trais.
– Seja paci­ente. O equi­lí­brio não melhora da noite para o dia, então, não se esforce demais nisso, que­rendo resul­ta­dos rápi­dos.
– exer­cite a pan­tur­ri­lha para for­ta­le­cer suas pernas.

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Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
22 setembro 2014

Série Grandes Nomes - JOHNNY FRANKLIN

Por

RETRATO DE UM GRANDE MESTRE
Por Claudia Richer

Dançar é con­ver­sar com Deus e con­ver­sar com Deus é uma coisa muito séria. Portanto, dan­çar é uma coisa muito séria”. Assim come­çava, em junho de 1990, a última entre­vista de Johnny Franklin, bai­la­rino, pro­fes­sor, coreó­grafo e per­so­na­gem insubs­ti­tuí­vel da his­tó­ria do bal­let bra­si­leiro, para a repór­ter Andrea Maltarolli, da revista Mulher de Hoje, diri­gida por mim e publi­cada — na época — por Bloch Editores. Assisti a tudo bem de perto, mas não ima­gi­nei (estava tão ale­gre e ani­mado), que aquele seria um dos nos­sos últi­mos encontros.

Conversar com Deus”. Foram essas as pala­vras que ele esco­lheu para defi­nir a grande pai­xão de sua vida. Para quem foi pri­meiro bai­la­rino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, dan­çou com os mai­o­res part­ners da época, criou os gru­pos expe­ri­men­tais Ballet Society e Ballet da Juventude, core­o­gra­fou mitos e len­das bra­si­lei­ras, além dos espe­tá­cu­los My Fair Lady, The Sound of Music, Vamos brin­car de amor em Cabo Frio e Evita, não exis­tia a pos­si­bi­li­dade de não dar certo. Ele tinha que se dedi­car à dança.

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Foi um dos mais talen­to­sos Maîtres de Ballet do nosso tempo. Seu cur­rí­culo é por demais extenso. Começou a estu­dar na escola de Maria Olenewa, pas­sou por cur­sos no American Ballet School, na escola de Martha Graham e no Conservatório Coreográfico de Paris, diri­gido por Serge Lifar.
Nada esca­pava aos olhos sem­pre aten­tos do pro­fes­sor Johnny Franklin. Nada mesmo. De um “ali­nhavo” feito às pres­sas no ves­tiá­rio para que a meia não desa­pa­re­cesse antes da metade da aula, ao tra­di­ci­o­nal coque que não podia “dan­çar” no elás­tico frouxo e em gram­pos mal colo­ca­dos, pas­sando pelo col­lant e pela fita cuja cor cor­res­pon­dia à turma que cada aluna cur­sava.… todos os deta­lhes – gran­des ou peque­nos — pas­sa­vam por sua ins­pe­ção rigo­rosa. Atrasos, por exem­plo, eram inad­mis­sí­veis. Faltas, idem. Mas nin­guém ousava ques­ti­o­nar tan­tas regras de dis­ci­plina. Simplesmente obe­de­cia e res­pei­tava. Desde cedo, por­tanto, os alu­nos apren­diam os “porquês” de tanta impor­tân­cia. Mais que isso, cer­ta­mente, apren­diam que dis­ci­plina era um dos pila­res mais for­tes para quem pre­ten­dia levar a dança a sério.
A Academia de Ballet Johnny Franklin sem­pre teve por obje­tivo unir dança e edu­ca­ção. Além disso, rea­li­zava anu­al­mente um curso de férias e pre­pa­rava tam­bém para o exame da Royal Academy of Dancing, de Londres. Nos cur­sos regu­la­res (regido por regras e pela ori­en­ta­ção da Royal Academy), as pro­mo­ções de uma turma para a outra acon­te­ciam atra­vés de exa­mes rea­li­za­dos geral­mente no mês de dezem­bro.
Embora fosse aluna da Academia que durante anos levou o seu nome, con­vivi pouco com ele. Posso dizer, entre­tanto, que conheci dois Johnny Franklin. O pri­meiro era severo, rigo­roso, meti­cu­loso, zan­gado e per­fec­ci­o­nista ao extremo.… me fez tre­mer e desis­tir em menos de um mês das aulas do curso de férias, dei­xando para trás grand-jetès e piru­e­tas que nunca con­se­gui fazer para total deses­pero dele. O segundo, doce e cari­nhoso. Quando a entre­vista que citei no iní­cio foi para as ban­cas, diante de uma turma lotada, que mal con­se­guia dis­far­çar o espanto, fui rece­bida de bra­ços aber­tos por um homem com os olhos mare­ja­dos de lágri­mas, que me cha­mou de prin­cesa e disse ter res­ga­tado atra­vés de mim e de Andrea a con­fi­ança per­dida em nos­sos cole­gas de profissão.

Tânia Fonseca, bai­la­rina e pro­fes­sora de bal­let no Centro de Movimento Deborah Colker con­vi­veu com ele dia­ri­a­mente durante mui­tos anos. E nem tenta dis­far­çar a emo­ção quando se refere ao “professor”.

Tânia

Tânia Fonseca e a filha Tíncia, tam­bém bai­la­rina, no cama­rim do Teatro João Caetano, aguar­dando o iní­cio de mais um espetáculo.

Em 1985 par­ti­ci­pei do espe­tá­culo de fim de ano da Academia como bai­la­rina con­vi­dada. Tinha aca­bado de dei­xar o Corpo de Baile do Teatro Municipal e não dá para negar que fiquei bem assus­tada com o tama­nho do con­traste. Ao mesmo tempo posso dizer que aca­bei apren­dendo muito com ele, sem­pre um grande mes­tre. Dono de um carisma ini­gua­lá­vel, sabia se fazer res­pei­tar como nin­guém. Era enér­gico, sim. Muito. Mas — ao mesmo tempo – dócil demais, um ver­da­deiro “pai” para todos. No ano seguinte come­cei a tra­ba­lhar como pro­fes­sora e lá fiquei durante mui­tos anos. Sem dúvida alguma foi uma grande perda para o mundo da dança. Suas lições foram pre­ci­o­sas e faço ques­tão de guarda-las até hoje no tra­ba­lho e na vida pes­soal. A sau­dade é enorme e só tenho a agra­de­cer por ter rece­bido um tesouro tão grande.”

Com Camile Salles, bai­la­rina e pro­fes­sora de bal­let tam­bém no Centro de Movimento Deborah Colker, não foi diferente.

CamilleCamile Salles e uma de suas tur­mas de futu­ras estre­las do CMDC.

Conheci Johnny Franklin ao mesmo tempo em que conheci o bal­let. Foi meu pri­meiro, e durante lon­gos anos, único mes­tre. Na época, aos sete, oito anos, não pode­ria ter noção do quão impor­tante aquele senhor dis­tinto e ele­gante seria para o resto da minha vida. Digo isso por­que sei hoje do alto dos meus 37 anos, mãe, pro­fes­sora, que devo muito não só do que sou no bal­let, mas do que sou na vida, a ele. Além de grande pro­fes­sor, era acima de tudo, edu­ca­dor. Ensinava como nin­guém noções de res­peito, cida­da­nia e amor à arte. Não esqueço as vezes que mesmo de uni­forme do colé­gio e tênis eu fazia uma reve­rên­cia em plena Rua do Catete ao cru­zar com ele. Johnny Franklin me ensi­nou muito mais do que pliés e jetés. Ensinou o que é se fazer res­pei­tar, a admi­rar os mais expe­ri­en­tes, a acei­tar divi­dir espa­ços, a dar tudo de mim da mesma maneira inde­pen­dente de estar no corpo de baile ou no papel prin­ci­pal.”
Quando fale­ceu em 1991, vítima de um cân­cer no sis­tema lin­fá­tico, Johnny Franklin dei­xou tam­bém uma enorme sau­dade no cora­ção de todos e um vazio imenso, quase impos­sí­vel de ser pre­en­chido. Agora mais do que nunca deve estar con­ver­sando com Deus e dan­çando, dan­çando sempre.

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
15 setembro 2014

Por entre coreografias e livros...

Por

8º Seminários de Dança de Joinville 2014

No mês de julho deste ano, como todos já sabem, acon­te­ceu o 32º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina. O evento reu­niu mui­tas esco­las de dança de todo o País além de fãs e apre­ci­a­do­res da arte no Centreventos Cau Hansen. As noi­tes do fes­ti­val esta­vam belís­si­mas, reche­a­das de apre­sen­ta­ções de alta qua­li­dade téc­nica e artís­tica que fize­ram o público se deli­ciar ainda mais com a atmos­fera mágica que o evento pro­por­ci­ona. Entretanto, o que nem todos sabem é que, em con­co­mi­tân­cia com o fes­ti­val de dança, outro evento de igual impor­tân­cia acon­tece em Joinville nesta mesma época do ano: os Seminários de Dança de Joinville, no Teatro Juarez Machado (anexo ao Centreventos Cau Hansen), os quais reú­nem bai­la­ri­nos, coreó­gra­fos e pes­qui­sa­do­res que aliam a teo­ria e a prá­tica no campo da dança.

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Em 2014, em sua 8ª edi­ção, o evento apre­sen­tou o tema Deixa a Rua me Levar reser­vando um espaço para refle­xão sobre os cami­nhos da dança em suas rela­ções com a rua. Ao con­trá­rio do que o título desta edi­ção suge­ria, não foram expos­tos tra­ba­lhos com temá­ti­cas exclu­si­vas das Danças Urbanas. Tivemos con­tato com ideias, pro­je­tos e prá­ti­cas den­tro das Danças Folclóricas, Danças Populares, Danças Contemporâneas e todas as mani­fes­ta­ções que bus­cam na rua um lugar pro­pí­cio à criação.

“No con­texto do Seminário, a rua não nomeia um gênero de dança, mas uma von­tade de inter­ro­gar os trân­si­tos da dança de con­tex­tos espe­cí­fi­cos à cena e vice-versa: da rua ao palco, do palco de volta à rua. O obje­tivo prin­ci­pal é ques­ti­o­nar a polí­tica de ence­na­ção da dança em meio ao con­texto for­ma­tivo que o semi­ná­rio enseja na pro­gra­ma­ção do fes­ti­val.” (Trecho extraído do texto de apre­sen­ta­ção do 8º Seminário de Dança na web­site do festival).

Com a coor­de­na­ção da Profª Drª Thereza Rocha, esta edi­ção dos semi­ná­rios con­tou com con­fe­rên­cias, con­ver­sas, espe­tá­cu­los, demons­tra­ções de pro­ces­sos, con­fe­rên­cias dan­ça­das, cor­te­jos, rodas de rua e apre­sen­ta­ções de tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos. Em três dias de apre­sen­ta­ções, mui­tos nomes impor­tan­tes esti­ve­ram pre­sen­tes para con­tri­buí­rem e enri­que­ce­rem as dis­cus­sões acerca do tema.

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O evento teve iní­cio com uma rica entre­vista com Nelson Triunfo e sua his­tó­ria e con­tri­bui­ções no campo da cul­tura Black em nosso País. As con­fe­rên­cias con­ta­ram com a pre­sença e a troca de expe­ri­ên­cias de Fátima Costa de Lima, falando sobre o corpo que dança nas esco­las de samba, e Pablo Assumpção, com um tema envol­vendo a arte, a vida e a mís­tica que se mani­fes­tam na rua.

As con­ver­sas de dança tive­ram impor­tan­tes pati­ci­pan­tes, como Alexandre Snoop, Eleonora Gabriel, José Clerton Martins, Gilberto Yoshinaga, Rafael Guarato e Thiago Amorim. Ainda tive­mos a apre­sen­ta­ção do espe­tá­culo MONO-BLOCOS e do espe­tá­culo GRAÇA.

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Além das con­fe­rên­cias, das con­ver­sas de dan­ças e das apre­sen­ta­ções artís­ti­cas, uma das par­tes mais inte­res­san­tes do evento foram as apre­sen­ta­ções e dis­cus­sões de tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos. As pro­du­ções de alu­nos de cur­sos de gra­du­a­ção e pós-graduação se tor­na­ram parte essen­cial e de grande rele­vân­cia no con­texto do evento. Divididos em apre­sen­ta­ções de pôs­ters e comu­ni­ca­ções orais, os tra­ba­lhos aca­dê­mi­cos con­tri­buí­ram para o sucesso dos semi­ná­rios, bem como para o desen­vol­vi­mento do campo teó­rico da dança em nosso País.

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Este ano, eu tive a opor­tu­ni­dade e a ale­gria de apre­sen­tar uma de minhas pes­qui­sas na moda­li­dade comu­ni­ca­ção oral. Com o resumo expan­dido inti­tu­lado Desterritorialização e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção da dança em seu espaço pri­meiro: a rua, pude desen­vol­ver duas ideias filo­só­fi­cas que me aju­dam, no âmbito sub­je­tivo de enten­di­mento das mani­fes­ta­ções dan­ça­das, a com­pre­en­der algu­mas ques­tões com as quais eu me deparo dia­ri­a­mente. Pensando a dança desde a anti­gui­dade, onde as mani­fes­ta­ções artís­ti­cas como um todo acon­te­ciam nos espa­ços aber­tos das cida­des, eu me questionei:

“A dança atu­al­mente neces­sita ‘inva­dir’ um espaço urbano que pos­si­vel­mente já lhe per­tence? As dife­ren­tes expres­sões core­o­grá­fi­cas neces­si­tam do lugar espe­cí­fico e ’iso­lado’ do palco para se desen­vol­ve­rem mesmo fazendo parte do coti­di­ano da cidade, da soci­e­dade? Quais são as pos­si­bi­li­da­des do campo da dança hoje?” (Trecho extraído do tra­ba­lho apre­sen­tado em 27/07/2014) .

A par­tir des­ses ques­ti­o­na­men­tos, desen­volvi duas ideias rele­van­tes para a dis­cus­são: a deter­ri­to­ri­a­li­za­ção e a reter­ri­to­ri­a­li­za­ção base­ada nas obras de Guilles Deleuze e Félix Guattari. Assim, resu­mi­da­mente, desen­volvi a seguinte hipótese:

“O espaço da dança, na atu­a­li­dade, se encon­tra em des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção cons­tante. O tea­tro não se con­fi­gura mais como seu ter­ri­tó­rio exclu­sivo. Na rua, a dança, uma vez des­ter­ri­to­ri­a­li­zada, encon­tra uma pos­si­bi­li­dade de reter­ri­to­ri­a­li­za­ção. Esse ter­ri­tó­rio urbano reter­ri­to­ri­a­li­zado, des­ter­ri­to­ri­a­liza o espaço cênico ins­ti­tu­ci­o­na­li­zado do palco, mas a dança, que para ele retorna, pro­move sua reter­ri­to­ri­a­li­za­ção. A dança, por sua vez, des­ter­ri­to­ri­a­li­zada pela dinâ­mica coti­di­ana e cul­tu­ral imposta pela lógica e razão capi­ta­lista, se reter­ri­to­ri­a­liza atra­vés do sen­tido, da emo­ção, do ges­tual e do movi­mento que pro­voca na soci­e­dade des­ter­ri­to­ri­a­li­zada pela imu­ta­bi­li­dade e nor­ma­ti­za­ção dos cor­pos desa­cos­tu­ma­dos a con­vi­ver com sua intensidade.

A rua é des­ter­ri­to­ri­a­li­zada e reter­ri­to­ri­a­li­zada pela dança, e vice versa, em um movi­mento cons­tante e recí­proco. Suas pos­si­bi­li­da­des são incal­cu­lá­veis. O palco neces­sita da dança; a rua ‘res­pira’ sons, ges­tos e movi­men­tos. O meio social e urbano demons­tra pos­suir uma carên­cia por expres­sões iné­di­tas que trans­bor­dem vida e inten­si­dade. Assim, ousa­mos dizer tam­bém que a dança des­ter­ri­to­ri­a­liza a moral e os valo­res cas­tra­do­res vigen­tes. Com isso, os movi­men­tos, as sen­sa­ções e o ritmo core­o­gra­fado reter­ri­to­ri­a­li­zam a vida.” (Trecho extraído do tra­ba­lho apre­sen­tado em 27/07/2014).

Foi um momento único. Poder falar sobre o que penso, ques­ti­ono e pes­quiso com outros pes­qui­sa­do­res que tam­bém se empe­nham em ampliar o campo teó­rico da dança em nosso País me deu mais moti­va­ção para con­ti­nuar nessa mili­tân­cia em defesa da dança, não somente como pro­fis­são ou entre­te­ni­mento, mas como expe­ri­ên­cia de vida afir­ma­tiva. Sou uma defen­sora incan­sá­vel da dança como cul­tura, como filo­so­fia de vida, como voca­ção. Tenho na dança fonte ines­go­tá­vel de ins­pi­ra­ção. Esse é um campo que muito me fas­cina e pelo qual me apai­xono cada vez mais!

“Não nos basta um palco, uma exclu­siva pla­teia, um espaço deli­mi­tado de um tea­tro. O pro­cesso cons­tante e con­co­mi­tante de des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção da dança vai além da arte de dan­çar. ambas as ver­ten­tes se encon­tram em nós mes­mos, bai­la­ri­nos, cida­dãos, seres huma­nos. Estamos influ­en­ci­a­dos pela des­ter­ri­to­ri­a­li­za­ção e reter­ri­to­ri­a­li­za­ção de nos­sos cor­pos por ges­tos, movi­men­tos e sen­sa­ções, repe­ti­dos e iné­di­tos. Exprimimos tudo atra­vés da dança fazendo da rua, do palco e dos nos­sos cor­pos, espa­ços de rela­ções polí­ti­cas, soci­ais e cul­tu­rais. A rua é o espaço por exce­lên­cia da dança, não o antigo, mas, sim, o novo espaço da rua antes des­ter­ri­to­ri­a­li­zado e agora reter­ri­to­ri­a­li­zado pela inten­si­dade da vida.”

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Assim con­cluí meu tra­ba­lho… E assim con­cluo meu artigo.

Esse é o link do vídeo de minha apre­sen­ta­ção no youtube:

Imagem de Amostra do You Tube

Até breve, que­ri­dos leitores!

Daney Bentin é bailarina e pedagoga de ballet clássico, assistente direta do mestre Fábio Matheus, mestranda em Memória Social com pesquisa em Filosofia da Dança e bolsista CAPES - UNIRIO.
10 setembro 2014

Repertório Cultural

Por
Foto por: KCBalletMedia

Muitas vezes nos depa­ra­mos com situ­a­ções em que nosso conhe­ci­mento sobre dança é posto a prova,

seja por per­gun­tas de alu­nos inte­res­sa­dos ou por nos­sas pró­prias dúvi­das diante do uni­verso vasto que é a dança.

Todo artista pre­cisa ter um reper­tó­rio cul­tu­ral vasto, e para tal, a pes­quisa e a curi­o­si­dade na área em que atua é pri­mor­dial. Cabe a cada pro­fis­si­o­nal agre­gar cul­tura a seu trabalho!

Já foi a era em que se acre­di­tava que o bai­la­rino é somente um repro­du­tor de algo pronto, enges­sado. Não mais. Somos cri­a­do­res de con­teúdo, de cul­tura, auto­res de nosso pró­prio tra­ba­lho – mesmo que este­ja­mos dan­çando ou mon­tando um Ballet de Repertório do século passado.

Então, aqui seguem algu­mas ideias para aumen­tar seu reper­tó­rio cul­tu­ral e se tor­nar um pro­fis­si­o­nal mais expe­ri­ente e feliz:

1)     UM BOM LIVRO

A lite­ra­tura nos traz diver­sas obras sobre dança: teo­ria, his­tó­rias, roman­ces – tudo vale. Existem tam­bém diver­sos dici­o­ná­rios de dança, com infor­ma­ções com­ple­tas e segu­ras. E o melhor, em por­tu­guês. Temos, por exem­plo, o dici­o­ná­rio de dança Oxford – tra­du­zido e a preço acessível.

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2)     UMA MODALIDADE?

Do bal­let a Bollywood: não pre­ci­sa­mos ser espe­ci­a­lis­tas em tudo, mas conhe­cer é essen­cial, e aumenta seu leque de ins­pi­ra­ções artís­ti­cas. Para quem mora em locais que não há acesso, a inter­net é a melhor fonte para pro­cu­rar. Grandes gru­pos de dança têm seus tra­ba­lhos divul­ga­dos em sites de vídeos, ao alcance de todos.

3)    NA PONTA DA LINGUA

Quem vive dan­çando vive rode­ado de gente que tam­bém dança. Vale muito a pena sepa­rar um tempo para con­ver­sar com seus alu­nos, cole­gas e pro­fes­so­res sobre os temas da dança, novas moda­li­da­des, core­o­gra­fias, mate­rial e tudo mais.

4)     REPASSE CULTURA

Nossas esco­las estão abar­ro­ta­das de pes­soas que nem sem­pre têm von­tade de bus­car conhe­ci­mento, por vários moti­vos. Motivar pes­soas tam­bém é parte do tra­ba­lho do pro­fes­sor, não se esqueça. Conte para seus alu­nos a his­tó­ria da core­o­gra­fia que estão dan­çando, do bal­let que irão apre­sen­tar! Ajudar seus alu­nos a ir além é o motivo de você fazer o que faz. Então, faça inteiramente!

5)     DE TUDO UM POUCO

Por fim, vale lem­brar que cul­tura é tudo que está a nossa volta e deve­mos buscá-la em todas as for­mas pos­sí­veis. Do cinema à degus­ta­ção, do reper­tó­rio ao con­tem­po­râ­neo, vale tudo. Quanto mais cul­tura se ganha, mais se quer ganhar.

Para quem ama o que faz, essa é só mais uma maneira de ficar ainda mais em con­tato com a dança. Para quem pro­cura ser um ser humano mais com­pleto, é uma forma de tornar-se mais pen­sante, mais ques­ti­o­na­dor, mais dono da pró­pria arte.

Beijos e arrasem!

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
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