23 fevereiro 2015

A importância do uniforme

Por

Se você ainda se per­gunta sobre a neces­si­dade de fazer as aulas de bal­let uni­for­mi­zada, segue aqui uma breve expli­ca­ção dos motivos.

É impor­tante para a rea­li­za­ção dos movi­men­tos em aula e em ensaios, que você esteja ves­tido ade­qua­da­mente. Suas rou­pas não podem atra­pa­lhar a exe­cu­ção dos exer­cí­cios e tam­bém deve ser fácil para seu pro­fes­sor te enxer­gar, para poder cor­ri­gir sua pos­tura e suas linhas.

Fica difí­cil para um pro­fes­sor visu­a­li­zar suas cos­tas, bra­ços, joe­lhos se esti­ver ves­tindo rou­pas ina­de­qua­das, lar­gas e até escu­ras (no caso de meias, por exemplo).

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Por isso, mesmo que sua aca­de­mia ou escola não exija um uni­forme com­pleto, sugere-se que vá às aulas com col­lant, meia calça clara (de pre­fe­rên­cia rosa, rosa chá ou cor da pele), sapa­ti­lhas. Você até pode usar um shorts ou uma saia curta, vai depen­der muito do seu pro­fes­sor e do nível das suas aulas.

Na época de frio, pode usar meias de lã, polai­nas, cal­ças mais jus­tas, blu­sas jus­tas, peque­nas, segunda-pele, para fazer o aque­ci­mento. Lembrando que nenhum des­ses itens podem te incomodar.

Guarde seus outros aces­só­rios para ir ao bal­let. Sabemos que você deve ado­rar cami­se­tas de bal­let, aga­sa­lhos, cal­ças lar­gas, maca­cões, mas o melhor é usar essas rou­pas para você ir até a aula e demons­trar sua pai­xão pela dança no dia a dia.

Aproveite e dê uma olhada na linda sele­ção de rou­pas da loja online da Ana Botafogo. É de que­rer tudo!

Beijo e até breve!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
19 fevereiro 2015

Corpo a Corpo

Por

Sobre Inspiração, Tradição e Transmissão do Ballet Clássico

Esse é o meu pri­meiro texto como colu­nista aqui do Blog da Loja Ana Botafogo.

Milhares de temas vie­ram à minha cabeça para essa pri­meira escrita. Mas pen­sei então na Ana Botafogo, e lem­brei o quanto ela sem­pre foi uma ins­pi­ra­ção para mim, desde os meus pri­mei­ros pas­sos. Um exem­plo de bai­la­rina, mas acima de tudo um exem­plo de artista. Sua dis­ci­plina, pro­fis­si­o­na­lismo, entrega, humil­dade e carisma influ­en­ci­a­ram a mim e a toda uma gera­ção. E é desta forma que fun­ci­ona: os gran­des artis­tas ins­pi­ram os jovens apren­di­zes e assim a tra­di­ção da arte é man­tida e alimentada.

Ana Botafogo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Ana Botafogo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Pronto…tema já esco­lhido para minha pri­meira pro­du­ção aqui no Blog: Inspiração, Tradição, e Transmissão no Ballet Clássico.

Vamos lá!

O Ballet Clássico é por exce­lên­cia a arte da tra­di­ção. Assim como os poe­mas épicos de Homero, foi sendo trans­mi­tido de pes­soa a pes­soa ao longo dos últi­mos qua­tro sécu­los. Bailarinos são obri­ga­dos a apren­der e domi­nar os pas­sos, vari­a­ções core­o­grá­fi­cas, ritu­ais de cena e prá­ti­cas per­ti­nen­tes à car­reira. Todos estes podem se alte­rar ou mudar com o tempo, entre­tanto, o pro­cesso de apren­di­za­gem e trans­mis­são con­ti­nua pro­fun­da­mente con­ser­va­dor, como defende Jennifer Homans:

Quando uma bai­la­rina mais velha mos­tra um passo ou uma vari­a­ção a uma jovem bai­la­rina, a ética da pro­fis­são manda uma estrita obe­di­ên­cia e res­peito: ambas as par­tes acre­di­tam que, com razão, uma forma de conhe­ci­mento supe­rior está sendo pas­sada entre elas […]. Os ensi­na­men­tos do mes­tre são reve­ren­ci­a­dos por sua beleza e lógica, mas tam­bém por­que eles são a única liga­ção que o bai­la­rino mais jovem tem com o pas­sado […]. Essas rela­ções, os laços entre mes­tre e aluno, que inter­li­gam os sécu­los e dão ao Ballet a sua base no pas­sado. (HOMANS, 2010)”

Transmissao Mestre- Aprendiz

Transmissao Mestre– Aprendiz

Essa rela­ção pro­funda e res­pei­tosa entre mes­tre e apren­diz é o grande pilar da téc­nica clás­sica, que fez com que a mesma se sus­ten­tasse até os dias atu­ais. Além disso, esta téc­nica foi cons­truída sobre inú­me­ras regras de eti­queta, base­ada nas con­ven­ções da corte e nos códi­gos de civi­li­dade, hie­rar­quia e polidez.

Quando os bai­la­ri­nos sabem uma core­o­gra­fia, além da apre­en­são inte­lec­tual, eles a sabem com seus mús­cu­los e ossos. Portanto, as gran­des obras do Ballet Clássico, como “O Lagos dos Cisnes”, “La Bayadère” e “Quebra-Nozes” do coreó­grafo fran­cês Marius Petipa, não são pos­sí­veis de serem total­mente gra­va­das em docu­men­tos his­tó­ri­cos, mas sim incor­po­ra­das nos bai­la­ri­nos que já as viven­ci­a­ram. Sobre isso, Duarte Jr. acres­centa: “o saber reside na carne, no orga­nismo em sua tota­li­dade, numa união de corpo e mente […] saber implica em sabo­rear ele­men­tos do mundo e incorporá-los a nós (ou seja, trazê-los ao corpo, para que dele pas­sem a fazer parte).”.

Tamara Karsavina ensaia Margot Fonteyn

Tamara Karsavina ensaia Margot Fonteyn

Corpo a Corpo. Experimentando “na pele”, quase como um patrimô­nio cul­tu­ral ima­te­rial, com­por­tando valo­res das tra­di­ções e cos­tu­mes her­da­dos de dife­ren­tes gru­pos. Heranças, que mui­tas vezes não são toca­das, mas sen­ti­das com o cora­ção. Dessa forma que as gran­des obras da his­tó­ria do Ballet Clássico, os cha­ma­dos Ballets de reper­tó­rio, foram sendo trans­mi­ti­dos ao longo dos anos.

Mas será que nada se perde nes­sas trans­mis­sões de gera­ção a gera­ção? Não ocor­rem mudan­ças ao longo do tempo? É real­mente pos­sí­vel remon­tar hoje uma obra cri­ada, por exem­plo, há mais de um século, man­tendo inte­gral­mente a sua originalidade?

Essa refle­xão sobre a ori­gi­na­li­dade de uma obra de reper­tó­rio requer uma série de abor­da­gens. Primeiramente, ao longo dos anos, a téc­nica do Ballet Clássico foi evo­luindo. O avanço nos estu­dos da qua­li­dade ciné­tica dos movi­men­tos e da ana­to­mia foi agre­gando novas pos­si­bi­li­da­des téc­ni­cas e vir­tu­o­sas aos exe­cu­tan­tes. O corpo dos bai­la­ri­nos tam­bém mudou este­ti­ca­mente. Conforme Denise Siqueira:

Se a cul­tura recebe dife­ren­tes influên­cias, se há um novo con­texto, novas tec­no­lo­gias e téc­ni­cas, o corpo que dança– e que está inse­rido nessa cul­tura– se tor­nou um corpo dife­rente tam­bém. O tra­ba­lho mus­cu­lar, o trei­na­mento, as pró­te­ses, o sili­cone, a ali­men­ta­ção, as cirur­gias plás­ti­cas, os hábi­tos e cos­tu­mes pro­mo­vem modi­fi­ca­ções apa­ren­tes no corpo. O corpo de um dan­ça­rino ou bai­la­rino do iní­cio do século XXI é dife­rente de outro dos anos de 1950 ou ainda dife­rente de um ter­ceiro do século XIX. (SIQUEIRA, 2006)”

Também a per­cep­ção do público foi se alte­rando con­forme o momento his­tó­rico e na época da cri­a­ção des­ses gran­des Ballets, em sua mai­o­ria no século XIX, não exis­tia meios de regis­tros efi­ci­en­tes para que hoje pudés­se­mos ter ideia do que real­mente foram essas ver­sões ori­gi­nais. O que sem­pre se ten­tou pre­ser­var foi além do enredo, a iden­ti­dade da obra como um todo, a sua essên­cia poé­tica e o que ela repre­sen­tava para o momento his­tó­rico em que foi concebida.

Ballet Serenade- de George Balanchine

Ballet Serenade– de George Balanchine

Sobre as obras core­o­grá­fi­cas mais recen­tes, a par­tir do século XX, algu­mas ini­ci­a­ti­vas foram toma­das para uma melhor pre­ser­va­ção como, por exem­plo, a cri­a­ção do The George Balanchine Trust, orga­ni­za­ção res­pon­sá­vel pelos direi­tos auto­rais das obras do grande coreó­grafo russo radi­cado nos Estados Unidos, George Balanchine. Sobre isso, Jennifer Homans expõe:

Neste espí­rito, tem havido um esforço impres­si­o­nante para revi­ver ou docu­men­tar obras per­di­das, espe­ci­al­mente as de George Balanchine. Suas obras mais conhe­ci­das estão agora pro­te­gi­das e con­tro­la­das por uma orga­ni­za­ção de con­fi­ança esta­be­le­cida após a sua morte […]. Se uma com­pa­nhia de dança deseja mon­tar um de seus bal­lets, devem submeter-se à orga­ni­za­ção, que des­pa­cha repe­ti­teurs — bai­la­ri­nos que tra­ba­lha­ram com o coreó­grafo dire­ta­mente — para remon­tar a obra core­o­grá­fica. (HOMANS, 2010)”

Outras orga­ni­za­ções de mesmo estilo foram tam­bém cri­a­das para cui­dar dos direi­tos auto­rais e da pre­ser­va­ção dos tra­ba­lhos de coreó­gra­fos como Jerome Robbins, Antony Tudor e Frederick Ashton. Mas como defende Beatriz Cerbino, em seu artigo “Dança e Memória: usos que o pre­sente faz do pas­sado”, mesmo que exista uma única fonte ou orga­ni­za­ção para a remon­ta­gem des­sas obras, é neces­sá­rio per­ce­ber que ainda assim um grande número de variá­veis está pre­sente nesse pro­cesso, alte­rando manei­ras de repre­sen­ta­ção e per­cep­ção. Cada remon­ta­gem está rela­ci­o­nada ao espaço-tempo em que foram pro­du­zi­das e, por isso mesmo, nem menos e nem mais originais.

A tra­di­ção vive ao longo da expe­ri­ên­cia dos seus usuá­rios, rece­bendo nova vida e pers­pec­ti­vas fres­cas ao longo do tempo. Um espe­tá­culo nunca é igual ao outro den­tro de uma tem­po­rada de dois meses de uma com­pa­nhia de dança, que dirá de um século para o outro. Isso é uma carac­te­rís­tica nata do Ballet Clássico. Suas obras de reper­tó­rio vivem em um cons­tante pro­cesso entre a efe­me­ri­dade e a per­ma­nên­cia. A cada apre­sen­ta­ção efê­mera, que acon­tece ali na cena e se eva­pora no ar, algo per­ma­nece. E é pas­sado adi­ante. Algo intra­du­zí­vel em palavras.

É esse “algo” que faz o Ballet Clássico per­ma­ne­cer clás­sico, man­tendo vivas as obras de seu reper­tó­rio. Esse algo que só é pas­sí­vel de trans­mis­são atra­vés do corpo a corpo.

Como disse Martha Graham: “O corpo diz o que as pala­vras não podem dizer”.

Liana Vasconcelos e Ana Botafogo- Ballet La Bayadere- Temporada 2014- Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Liana Vasconcelos e Ana Botafogo– Ballet La Bayadere– Temporada 2014– Theatro Municipal do Rio de Janeiro

E para fina­li­zar, a minha eterna e tra­di­ci­o­nal reve­rên­cia à Ana Botafogo, por ser esse nosso grande exem­plo e ins­pi­ra­ção de bai­la­rina, den­tro e fora de cena!

Liana Vasconcelos é bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e pela Royal Academy of Dance. É também produtora cultural formada pela Universidade Federal Fluminense.
9 fevereiro 2015

Exames da Royal Academy of Dance

Por

Além da rea­li­za­ção de sonhos, os exa­mes da RAD pro­por­ci­o­nam ao estu­dante de dança o mais reco­nhe­cido sis­tema de pro­fis­si­o­na­li­za­ção do mundo.

Crianças e adul­tos se come­çam nesse momento a inten­si­fi­car a pre­pa­ra­ção para os exa­mes da Royal Academy of Dance, que acon­te­cem no pri­meiro semes­tre desse ano.

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Quais são os níveis?

Para cri­an­ças peque­nas, a par­tir dos 2 anos e meio, a RAD desen­vol­veu recen­te­mente o “Dance to Your Own Tune” (Dance no seu pró­prio tempo, conhe­ci­dos aqui como Pré escola) – porém não se trata de um exame, mas de uma aula de apre­sen­ta­ção. As dife­ren­ças bási­cas: não há notas, o pro­fes­sor con­duz a aula e pais podem assis­tir.
A par­tir dos 5 anos de idade, a RAD ofe­rece os níveis Primary e Pre-primary, esses já ava­li­a­dos. Os exa­mes são lúdi­cos e con­vi­dam as cri­an­ças a dan­ça­rem com con­fi­ança, tra­ba­lhando não só habi­li­da­des usa­das na dança, mas em todo pro­cesso de desen­vol­vi­mento das crianças.

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Os exa­mes de Grades (graus ou está­gios) vão do 1 ao 8. Para os Grades 1 a 5, a idade mínima é de 7 anos. Porém, mui­tos bai­la­ri­nos adul­tos come­ça­ram nes­ses Grades, que dão uma base incrí­vel para o desen­vol­vi­mento na dança.

11 anos é a idade mínima para os Grades 6 a 8, que já deman­dam certa matu­ri­dade e con­fi­ança. Os High Grades, como são conhe­ci­dos, são inten­sos e deli­ci­o­sos. O bai­la­rino, seja cri­ança ou adulto, verá cres­ci­mento de sua téc­nica e expres­si­vi­dade artís­tica ao rea­li­zar esses exames.

Não coin­ci­den­te­mente, os exa­mes de inter­me­diá­rios e avan­ça­dos come­çam tam­bém aos 11 anos. Anteriormente, esses exa­mes eram dedi­ca­dos àque­les que segui­riam suas car­rei­ras como bai­la­ri­nos e não pro­fes­so­res, hoje essa dis­tin­ção não existe mais e todos os alu­nos são enco­ra­ja­dos a pres­tar esses exames.

Inicialmente, há o Intermediate Foundation (11 anos, no mínimo) e o Intermediate (12). Após esses exa­mes, o AdvancedFoundation (13) e os Advanceds 1 e 2 (14 e 15, respectivamente).

15 tam­bém é a idade mínima per­mi­tida para o Solo Seal Award (Selo Solista), exame de grau máximo da RAD, onde bai­la­ri­nas de alto nível téc­nico apre­sen­tam core­o­gra­fias clás­si­cas e neo-clássicas em um tea­tro, com acom­pa­nha­mento de piano ao vivo.

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Qual nível devo prestar?

A única pes­soa que pode auxi­liar nesse pro­cesso é seu pro­fes­sor, que irá veri­fi­car seu nível téc­nico e artís­tico e assim nive­lar de maneira coerente.

Vale lem­brar, nova­mente, que adul­tos pres­tam sim os Grades ini­ci­ais, caso o pro­fes­sor assim deter­mine – assim como as cri­an­ças podem ser nive­la­das, lem­brando sem­pre a idade mínima para rea­li­za­ção dos exames.

Há pré-requisitos?

Sim, para alguns exames.

Para o Advanced Foundation eAd­van­ced, o can­di­dato deve ter sido apro­vado no Intermediate – para Advanced 2, no Advanced.

Para o Solo Seal Award, o can­di­dato deve ter pres­tado o Advanced 2 e sido apro­vado com 75% dos pon­tos, no mínimo.

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Como fun­ci­o­nam as notas e certificados?

Cada nível tem uma espe­ci­fi­ca­ção para pon­tu­a­ção. Essa espe­ci­fi­ca­ção está dis­po­ní­vel no site da RAD, para que não haja nenhum tipo de dúvida no que é espe­rado do can­di­dato.
Na mai­o­ria dos cer­ti­fi­ca­dos, o aluno pode rece­ber 3 notas: Pass (40% a 54% da nota total), Merit (55% a 74%) e Distinction (75% a 100%).

O can­di­dato apro­vado recebe um (lindo) cer­ti­fi­cado, uma tabela com as notas espe­ci­fi­ca­das e uma meda­lha com o nível.

A expe­ri­ên­cia de rea­li­zar um exame inter­na­ci­o­nal muda a forma como o bai­la­rino encara a dança, melho­rando não só sua téc­nica mas sua arte.

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E você, já fez ou está fazendo os exa­mes da RAD? Conte para nós!

Beijos e arrasem!

Créditos das ima­gens: site ofi­cial da RAD – www.rad.uk

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
2 fevereiro 2015

Autoconfiança, a gente não vê por aí...

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Fiz uma aula, dia des­ses, com­ple­ta­mente diferente.

Além da minha Sauer Danças de todos os dias, tenho fre­quen­tado tam­bém a minha vizi­nha Petite Danse, na Tijuca.
E des­co­berto coi­sas incríveis.

A força da ener­gia da dança imanta o pré­dio da escola e pene­tra as salas e os movi­men­tos. Não sei se todo mundo per­cebe, mas vale a pena o exer­cí­cio de sen­tir isso o que chamo de psi­cos­fera da escola.

É como se tudo o que você ten­tar, ali, estará favo­re­cido por essa vibra­ção. A alma da dança tam­bém habita, plena, o número 463 da rua Uruguai.

Imantada por essa sen­sa­ção, fui me apro­xi­mando da sala onde ten­ta­ria fazer a aula da Maria Vakhrusheva, uma pro­fes­sora russa que fala bem o por­tu­guês e tem uma espé­cie de doçura que não cos­tu­ma­mos asso­ciar ao valente povo de lá.

Entro numa sala repleta de jovens. Muitos com cerca de 18 anos, uma ou outra com cerca de 30, mas com 53 anos, com cer­teza, ape­nas eu e o meu sonho de me tor­nar bai­la­rina, mesmo tendo come­çado aos 50.

Olho para a imen­si­dão da sala e penso: nada a pro­var, por­tanto, nada a temer. Procuro a pro­fes­sora, me apre­sento, explico que o meu nível está aquém do nível da turma, mas que gos­ta­ria de ten­tar, mesmo assim. Ela me diz: faz o que você puder.

Mas o aval da exí­mia ex-bailarina do bal­let de Kirov não era só do que eu pre­ci­sava para con­se­guir fazer a aula. Eu pre­ci­sava era de mim. Precisava de cora­gem para enfren­tar a expe­ri­ên­cia. Assim foi e foi assim.

Me aqueço de olhos fecha­dos, no chão, vou fazendo con­tato com o meu corpo e com a minha alma. Vou lem­brando da minha essên­cia e do quanto a vida pode ser curta, ainda mais se des­per­di­çada. Levanto deter­mi­nada e pro­curo um lugar na barra.

Quase não ouvia a pro­fes­sora. Eu estava meio longe. Quase não enxer­gava. Estava sem óculos. Troquei de barra umas três vezes, depois de come­çado o exer­cí­cio, ten­tando me achar. Terminei con­se­guindo ficar entre uma menina e um menino.

Aliás, fazer aula com mui­tos rapa­zes é exce­lente. Quanto vigor! E gen­ti­leza, viu?! Gosto muito dos movi­men­tos mas­cu­li­nos no bal­let. Quero ter a expe­ri­ên­cia de fazer uma aula estri­ta­mente mas­cu­lina, se hou­ver alguma no Rio. Acho que para eles tam­bém é tão difí­cil estar ali, que uma vez lá, dão o melhor de si. Talvez tenha­mos tam­bém essa afi­ni­dade, a supe­ra­ção de mui­tos preconceitos.

Coragem, não saia de casa sem ela!

olhar

Eu me sinto como a con­di­ção de quem se acha fora de con­di­ção. Quando a pes­soa, que está ali no canto, se sen­tindo meio fora do peso ou fora da téc­nica me vê entrar numa dia­go­nal com tanta von­tade, ela ter­mina se per­mi­tindo tam­bém. E vai. E se arrisca. Vi isso algu­mas vezes e fiquei feliz. Sou a con­di­ção dos sem-condição, me sinto na obri­ga­ção de mos­trar, não como se faz, mas como se tenta.

E, que­ri­dos, digo aqui, con­fi­ança é algo que a gente cul­tiva no ser. Não existe aula que dê conta disso. Você pode até estar tec­ni­ca­mente bem, mas nunca vai achar que pode, se não se permitir.

E a vida vai pas­sando. E a fila da dia­go­nal vai andando. E você não apro­vei­tou a chance de errar para apren­der. Coragem é um tipo de humil­dade. E de fra­ter­ni­dade tam­bém. Que a alma da dança nos per­meie, enquanto bus­ca­mos meios de nos permitir.

Beijo.

Como jornalista, Christine White trabalhou em grandes veículos de comunicação, no Brasil e nos Estados Unidos, até decidir, aos 50 anos, realizar um sonho antigo: tornar-se uma bailarina. E de técnica refinada. Aqui, ela relata o dia-a-dia da transformação que tem vivido desde janeiro de 2012. E com o mesmo apetite pela informação que marcou sua vivência como repórter, ora numa CNN, ora numa Rádio Jornal do Brasil; Christine encontra agora novos caminhos para seu aprendizado "tardio" do ballet, e divide conosco seus achados.
26 janeiro 2015

Série grandes nomes - BERTHA ROSANOVA

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PARA SEMPRE INESQUECÍVEL

Apesar da ori­gem polo­nesa, do bio­tipo dife­rente e de nunca ter sido muito magra, como a mai­o­ria das bai­la­ri­nas, Bertha Rosanova hip­no­ti­zava o público e dei­xava todos abso­lu­ta­mente des­lum­bra­dos diante do seu enorme talento, de sua forma espe­cial de dan­çar e da carga emo­ci­o­nal que nor­mal­mente tra­zia para o palco junto com seus per­so­na­gens. Como sem­pre bus­cou desen­vol­ver o lado tea­tral de cada papel, em cena, era uma intér­prete que dan­çava e dan­çava lin­da­mente. Inesquecível em todos os sen­ti­dos con­quis­tou o título de prima-ballerina asso­luta, o maior de todos na hie­rar­quia do bal­let e con­ti­nua — até hoje — sendo a única pro­fis­si­o­nal de dança a recebê-lo.

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Pronta para viver Odete e Odile em “O lago dos cisnes”

Misturando emo­ção e amor ao bal­let, Bertha Rosanova é um nome que será sem­pre lem­brado e reve­ren­ci­ado por mui­tas gera­ções de artis­tas. Para o bai­la­rino Marcelo Misailidis “era a ver­da­deira una­ni­mi­dade entre todos que tive­ram o pri­vi­lé­gio de vê-la dan­çar e a sorte de imor­ta­li­zar um momento que jamais se apa­gará de todos aque­les que, como cole­gas de tra­ba­lho ou público afor­tu­nado, sem­pre comen­tam: um mag­ne­tismo único.” “É uma grande honra ter tido em minha vida pro­fis­si­o­nal o cari­nho, a con­fi­ança e o apoio incon­di­ci­o­nal de Bertha Rosanova”. Ela foi uma das pes­soas que mais con­tri­buiu para meu sucesso pes­soal e pro­fis­si­o­nal”, decla­rou a bai­la­rina Teresa Augusta.

Apesar de ter cons­truído uma car­reira vito­ri­osa, nem sem­pre ela viveu uma rotina de gló­rias fora do palco. Os pais — Eugênia e Jacob Rozenblat – vie­ram para o Brasil fugindo do nazismo. Filha única, Bertha nas­ceu em São Paulo, no dia 31 de agosto de 1930. A famí­lia logo veio para o Rio de Janeiro e um quarto de pen­são na Praça Onze foi o lugar esco­lhido para a futura resi­dên­cia dos Rozenblat.

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 Em cena, inter­pre­tando a céle­bre Carmem

Mas o dinheiro não dava para nada. As difi­cul­da­des, entre­tanto, ainda que quase intrans­po­ní­veis, nunca tira­ram daquela menina a capa­ci­dade de sonhar. E de sonhar alto, ape­sar do ensino defi­ci­ente da escola pública da época (onde ela já cir­cu­lava dan­çando pelos cor­re­do­res), das sapa­ti­lhas duras e da impos­si­bi­li­dade de com­prar rou­pas novas para as apresentações.

A forma intensa de dan­çar e a expres­si­vi­dade que demons­trava ao com­por cada per­so­na­gem con­quis­ta­ram tanto o público, quanto nomes impor­tan­tes da dança fun­da­men­tais em sua car­reira, como Maria Olenewa, fun­da­dora da Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde, aos sete anos de idade, Bertha ini­ciou seus estu­dos. Mais tarde, a escola cri­a­ria o corpo de baile do Theatro, do qual ela tam­bém fez parte, com doze anos. Olenewa sem­pre acre­di­tou no poten­cial de Bertha e foi sua grande incen­ti­va­dora, alte­rando inclu­sive o sobre­nome da bai­la­rina que pas­sou de Rosemblat para Rosanova Em 1945, o Theatro Municipal pas­sou a viver uma nova fase. Dirigidos pelo russo Igor Schwezoff, conhe­cido por ser extre­ma­mente exi­gente e cui­da­doso, os bai­la­ri­nos pude­ram ver o reper­tó­rio ganhar em diver­si­dade, novos gran­des valo­res e um cres­ci­mento notá­vel. Foi tam­bém quando o talento de Bertha Rosanova bri­lhou em Sílfides, Primeiro Baile, Clair de Lune, Luta Eterna, A Papoula Vermelha, sendo nome­ada solista e, pouco depois, primeira-bailarina, com ape­nas 15 anos.

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Romeu e Julieta, momen­tos de muita emoção.

Na década de 50 (já casada) mudou-se para o bairro cari­oca de Laranjeiras, onde sem­pre morou. No pri­meiro e ter­ceiro andar, fun­dou a escola de dança, Studio de Ballet Bertha Rosanova. Com a car­reira sem­pre pon­tu­ada por gran­des inter­pre­ta­ções (Dom Quixote, O Quebra-Nozes, O Galo de Ouro, Romeu e Julieta, Bodas de Aurora, Capricho Espanhol, Giselle) suas diver­sas apre­sen­ta­ções só faziam aumen­tar o número de seus admi­ra­do­res. Ao longo de todos os anos, Bertha cons­truiu uma vida pro­fis­si­o­nal sólida, o que lhe ren­deu o con­vite para par­ti­ci­par da pri­meira mon­ta­gem com­pleta do bal­let O Lago dos Cisnes na América Latina em1959, sob o comando de Eugenia Feodorova. No espe­tá­culo, inter­pre­tou Odette e Odile, ao lado de David Dupré e encan­tou o público com a forma que uti­li­zou para des­ta­car as dife­ren­ças entre os dois cis­nes. Neste mesmo ano, dan­çou ao lado de nomes impor­tan­tes como Igor Schwezoff. Mas foi Aldo Lotufo, o part­ner que esteve mais pre­sente na mai­o­ria dos espetáculos.

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 Leveza e sua­vi­dade sem­pre foram as suas gran­des marcas

Filha única de Bertha, Ava Rosemblat – tam­bém bai­la­rina, pro­fes­sora de bal­let e dire­tora do Estudio Bertha Rosanova — faz ques­tão de lem­brar “Ela sem­pre foi uma estrela. Por onde pas­sava as pes­soas a reve­ren­ci­a­vam. Mas em casa era total­mente dife­rente. Uma pes­soa muito sim­ples, uma mãe muito pre­sente. Ia me bus­car na escola, fazia os tra­ba­lhos esco­la­res comigo. Certa vez, como parte de uma tarefa esco­lar, cada mãe deve­ria rea­li­zar uma ati­vi­dade que sou­besse e apresentá-la. Imagine só. A pri­meira bai­la­rina do Theatro Municipal! Ela sim­ples­mente pegou suas sapa­ti­lhas, colo­cou uma roupa e dan­çou. A escola inteira ficou em êxtase e diziam: “Nossa”! Bertha Rosanova vai dan­çar aqui?” Mas para ela não era a Bertha Rosanova, era ape­nas a mãe da Ava.”

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 Bertha e a filha Ava Rozemblat no espe­tá­culo de final de ano do Studio Bertha Rosanova

Sempre estu­dei — con­ti­nua Ava — com ela e desde os 16 anos tra­ba­lho na escola, dando aulas ou mon­tando espe­tá­cu­los. Pretendo con­ti­nuar o pro­jeto ini­ci­ado pelo Estúdio. Mamãe sem­pre foi muito tran­quila comigo e com as outras alu­nas. Soube como nin­guém mos­trar que o bal­let não pre­cisa estar asso­ci­ado ao sofri­mento, e sim ao pra­zer, prin­ci­pal­mente. Como pro­fes­sora man­ti­nha com todos uma rela­ção de ami­zade e res­peito. Ensinava tudo o que tinha que ser ensi­nado: a téc­nica per­feita, a maneira certa de dan­çar, mas sem ultra­pas­sar os limi­tes do aluno e sem desrespeitá-lo. Na nossa escola, pre­ser­va­mos a todo custo essa rela­ção fami­liar. Outra fator impor­tante que nunca podia ser esque­cido era a neces­si­dade de cada bai­la­rino bus­car a sua forma de dan­çar, de se expres­sar. Existem os movi­men­tos da téc­nica certa. Um braço tem que ser aqui, o outro tem que estar do outro lado. Mas como esse braço vai ser colo­cado aqui, como esse movi­mento vai acon­te­cer é que tem que vir com a emo­ção do aluno. Este sim pre­cisa bus­car a ver­dade do seu pró­prio movi­mento para expres­sar deter­mi­nada emo­ção. A carga emo­ci­o­nal e a força artís­tica é um dos mui­tos legado que Bertha Rosanova vai dei­xar no para o bal­let no Brasil.”

No dia 10 de outu­bro de 2008, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro viveu momen­tos emo­ci­o­nan­tes ao home­na­gear Bertha. Com uma apre­sen­ta­ção de sapa­te­ado, Steven Harper abriu os tra­ba­lhos, seguido pelo samba de Carlinhos de Jesus. “Ela é uma figura impor­tante para todos nós, bai­la­ri­nos, por tudo que nos dei­xou. A minha par­ti­ci­pa­ção aqui vem repre­sen­tar as gran­des mani­fes­ta­ções que pro­ta­go­ni­zou na tele­vi­são, popu­la­ri­zando a arte da dança”. A home­na­gem pros­se­guiu com a apre­sen­ta­ção do Ballet da Cidade de Niterói, na suíte Choro de Pixinguinha. O Corpo de Baile do Theatro Municipal apre­sen­tou Suíte de Dom Quixote, Trio de Chamas de Paris e Valsa das Flores; a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, Mozart. “Para Bertha o impor­tante estava longe de ser o estilo. Ela amava a dança”, era o comen­tá­rio mais repe­tido durante toda a noite.

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A grande bai­la­rina em mais uma de suas ines­que­cí­veis interpretações

Em 13 de outu­bro de 2008, três dias depois da home­na­gem que não pode assis­tir por já estar muito doente, Bertha Rosanova mor­reu. Tinha 78 anos e estava inter­nada há dias em uma clí­nica da Zonal Sul para tra­ta­mento de um cân­cer nos brôn­quios e nos pulmões.

Fotos gen­til­mente cedi­das por Ava Rosemblat (Acervo Particular)
Pesquisa: Revista Arte em Dança, outu­bro de 2008.

Claudia Richer é jornalista, dirigiu revistas femininas importantes, foi correspondente internacional e também é atriz formada pela Uni RIo.
21 janeiro 2015

Disciplina Bailarinística

Por

Algumas suges­tões bási­cas para ser um bai­la­rino (a) exem­plar nas aulas:

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1) Não se atrase
Pois caso isso acon­teça per­de­mos uma parte muito impor­tante da aula: o aquecimento.

2) Procure entrar na sala de aula sem­pre antes do pro­fes­sor
Quando ele che­gar esteja pronto e aquecido.

3) Não suba nem se pen­dure na barra
A barra é feita para nos auxi­liar em alguns exercícios.

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4) Não grite, nem corra na sala de aula
Lá não é o local ideal para brin­ca­dei­ras, den­tro da sala deve­mos estar sem­pre con­cen­tra­dos e dando o nosso melhor.

5) Não con­verse durante a aula
Além de atra­pa­lhar, enquanto você con­versa você pode estar per­dendo alguma expli­ca­ção muito impor­tante do pro­fes­sor. Preste aten­ção nas cor­re­ções fei­tas em seus cole­gas, você poderá estar come­tendo o mesmo erro.

6) Não sente durante a aula
Isso pode ser inter­pre­tado como falta de inte­resse. Só pode­mos nos sen­tar com a auto­ri­za­ção do pro­fes­sor, não é edu­cado escu­tar as expli­ca­ções sen­tado, uma bai­la­rina exem­plar escuta as expli­ca­ções e tenta colocá-las em prática.

7) Não mas­ti­gue chi­cle­tes nem balas durante as aulas
Isto atra­pa­lha nossa con­cen­tra­ção e é peri­goso nos exer­cí­cios de salto.

11 sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele

8) Respeite sem­pre seu colega de sala
Uma bai­la­rina exem­plar é sem­pre muito edu­cada e dis­creta. Evite crí­ti­cas aos cole­gas, dis­cus­sões e risa­das fora de hora.

9) Não desista de nenhum exer­cí­cio ou core­o­gra­fia, todos nós somos capa­zes!
Tente sem­pre ir além do que você con­se­guiu na aula anterior.

10) Procure não fal­tar nas aulas, venha sem­pre uni­for­mi­zado e as meni­nas com coque 
Isso com cer­teza vai fazer de você um aluno exemplar!!!

Espero que essas dicas aju­dem o seu ano a ser ainda mais incrí­vel na dança. Vamos lá!

Dryelle Almeida é publicitária, bailarina e idealizadora do Blog Mundo Bailarinístico .
12 janeiro 2015

A história de Rosana Cristianne

Por

Quem assiste a uma linda bai­la­rina dan­çando, des­te­mida em cima de um palco, não ima­gina toda a his­tó­ria que ela tem para contar.

Nem sem­pre os cami­nhos estão aber­tos em uma soci­e­dade que pouco valo­riza as artes. Mas, para quem tem com­pe­tên­cia para supe­rar desa­fios, tudo é possível.

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Superação deve­ria ser o sobre­nome da bai­la­rina Rosana Cristianne, de 14 anos. Iniciou as aulas de bal­let aos 5 anos de idade, pas­sou por diver­sas esco­las e sem­pre foi assí­dua nas aulas: com o tempo apren­deu a con­ci­liar os estu­dos e a dança.

Talentosa como só ela, foi con­vi­dada para um fes­ti­val de dança em Lyon, na França. A falta de recur­sos e o sonho de dan­çar em solo fran­cês fez a bai­la­rina pen­sar em uma opção para anga­riar fun­dos. A solu­ção: dan­çar na rua, mais pre­ci­sa­mente na famosa Avenida Paulista, em São Paulo, onde pas­sam mais de um milhão de pes­soas dia­ri­a­mente. Convenceu seus pais e outras três ami­gas: Bianca Ramos (15 anos), Julia Togni (13) e Giovanna Furlan (13).

Foi aí que nas­ceu o “Ballet na Paulista”. As qua­tro meni­nas supe­ra­ram o medo e a ver­go­nha de dan­çar na rua e em sua pri­meira apre­sen­ta­ção se depa­ra­ram com um público recep­tivo e emo­ci­o­nado. Muitas pes­soas nunca haviam visto bai­la­ri­nas, mui­tas cri­an­ças entra­ram na dança junto com as meni­nas e até mora­do­res de rua cede­ram suas moe­das para dar vida ao sonho.

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As meni­nas do Ballet na Paulista

Os pais de Rosana, José Roberto e Marta, já esta­vam quase ven­dendo o carro da famí­lia para aju­dar a via­gem – não foi pre­ciso. A expe­ri­ên­cia ren­deu não só o dinheiro para a via­gem como uma expe­ri­ên­cia que mudou a forma como Rosana vê a dança.
A famí­lia, aliás, foi essen­cial para o pro­jeto dar certo. De segu­ran­ças a moto­ris­tas, de sono­plas­tas a figu­ri­nis­tas, os pais da bai­la­rina esti­ve­ram pre­sen­tes em todos os momen­tos, em todas as apre­sen­ta­ções e ensaios. É a prova de que amor é mais impor­tante que dinheiro.

Esse ano, ingres­sou no Studio Dança Tamara Lisa em São Paulo. Além de um exame da Royal Academy of Dance de Londres (que foi rea­li­zado em maio), pre­pa­rou tam­bém uma vari­a­ção do reper­tó­rio Coppélia, dan­çou em diver­sos fes­ti­vais de dança e para sua sur­presa foi aceita no Festival de Dança de Joinville, o mais impor­tante do país.

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Variação de Swanilda, 1º Ato — Repertório “Coppélia“
IV Pariz Summer Festival

Quando soube da notí­cia, saiu pulando pela escola com um sor­riso de ore­lha a orelha.

Os resul­ta­dos dessa car­reira real­mente são incer­tos, porém em ter­mos de mere­ci­mento, Rosana já é campeã.

Nossos gran­des agra­de­ci­men­tos a Rosana, sua famí­lia e ao Studio Dança Tamara Lisa por com­par­ti­lhar conosco essa linda história.

Cássia Martin é produtora de eventos, bailarina e pesquisadora de dança.
3 janeiro 2015

Tarde de autógrafos

Por

Está che­gando o dia, venha pas­sar uma tarde linda com a gente e ainda par­ti­ci­par da ses­são de autó­gra­fos com Ana Botafogo!

10868278_635344903261694_3915253351327979097_nTe espe­ra­mos!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
31 dezembro 2014

Feliz 2015!

Por

Toda a nossa equipe deseja que 2015 seja espe­cial para você.

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Amor, saúde, pros­pe­ri­dade, paz, sucesso, har­mo­nia, deter­mi­na­ção… e que nos­sos cora­ções se encham de ale­gria na hora da virada!

Um grande beijo e feliz ano novo!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
26 dezembro 2014

De casa nova!

Por

É tempo de renovação!

Avisamos que a loja Ana Botafogo fechará hoje às 19h e rea­brirá dia 2/1/2015 de casa nova!

Anote o novo ende­reço: Rua Barata Ribeiro, 370 — loja 111 — Copacabana — RJ
10891794_635237993272385_1599023356468814081_nE em breve tere­mos uma tarde de autó­grafo com a nossa musa Ana Botafogo.

Nos vemos na nova casa!

A Loja Ana Botafogo vende artigos para ballet e dança em geral para bailarinos e simpatizantes.
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